29 de dez de 2009

Igual de novo

No Ano Novo teremos eleição, Copa do Mundo, Roberto Carlos e Ronaldo no Corinthians, brigas entre países, televisões e famílias.

O cardápio de repetições , porém, não pára por aí.

A esperança num futuro melhor, o bom humor, o andar para a frente e o dinheiro no bolso para uma vida digna devem continuar também, com o primeiro ítem desta frase puxando os demais.

Que venha 2010!

11 de dez de 2009

Quatorze cabeças pensam melhor que uma



Na foto, da esquerda para a direita, os seguintes elementos: Danilo, Giovanna, Vinicius Savoi, Érico, Nivaldo, Carlos Alberto, Daniel, Paulinho, Thais, Silvia, David, Lucila, Luciana e Carmelina. Faltaram o Luis e o Jorge.

Apesar dos olhos vermelhos, minha turma do curso de Radialista, que esteve religiosamente às terças e quintas de 2009 no Senac de Limeira, mandou muito bem.

Entre alunos e professores, orientadores e palestrantes, chuvas e trovoadas, salvaram-se todos.

9 de dez de 2009

Mais uma voz ecoando no espaço

As chuvas continuam, os cães passam, a caravana passa e eu me formei locutor de rádio.

A formatura foi no Senac de Limeira, ontem à noite.

Não é uma notícia que abale as estruturas da sociedade, mas eu queria que os leitores deste espaço soubessem disso.

Obrigado pela atenção.

5 de dez de 2009

Dois flagrantes de gentileza

1. Andando pelo centro da minha cidade, ia subindo até a praça central. Andando a passos largos, antes de atravessar a rua, quase ia topeçando num pedaço de madeira que impedia o caminho. Um cara magro, de cabelos brancos, surgiu do nada, e tirou a madeira da frente. Segui meu caminho, olhei para trás. Tanto a madeira quanto o inesperado benfeitor haviam sumido.

2. No fim de noite da última quinta-feira, fui a uma padaria bem animada com colegas de um curso cuja última aula tinha acabado, numa cidade da minha região. A padaria tinha gente saindo pela quadrilha e não pelo ladrão. Muita gente, enfim. Após meia hora, tive que ir embora à rodoviária, para voltar à minha cidade. Desci do carro da turma e corri para o ônibus. Lá, vi pela janela a turma me acenando em despedida. Eles tiveram a gentileza de ficar e verificar se eu não perderia o ônibus...

Haja coração, como diria o Galvão.

2 de dez de 2009

A voz do Silvio

No momento em que digito estas linhas, meio mundo já deve ter falado e especulado sobre o locutor que trabalhou a vida toda junto a Silvio Santos.

No título da postagem, não me refiro à voz do Homem do Baú. Estou falando da voz que o dono do SBT empregava.

A voz de Luiz Lombardi Neto era inconfundível. Homem que uma apresentadora da Record, confiando demais em sua ignorância, chamou várias vezes, ao vivo, de Carlos Lombardi, este um noveleiro bobagento da Globo.

A mim, que acompanho de forma irregular o desempenho dominical do "patrão" e seu fiel escudeiro desde moleque, a morte de Lombardi causa estranheza. Primeiro, pela proeza de morrer dormindo. Segundo, pela fama num meio onde a imagem é tudo, ou quase.

O locutor mais famoso depois de Lombardi na televisão brasileira talvez seja Dirceu Rabello, atuante nas chamadas de todos os programas da Globo. A vantagem de Lombardi sobre o locutor global é que o primeiro era conhecido pelo nome.

Se você perguntar a um telespectador da Globo quem é Dirceu Rabello, terá uma interrogação no lugar da resposta. Lombardi tinha uma voz, mas tinha um nome também. Nome mais que conhecido pelas "colegas de trabalho" de Silvio Santos.

O empregador de Lombardi já declarou que o segredo de seu sucesso talvez fosse a voz. O empregado de Silvio também fez sucesso com a voz, mas não descobriu o segredo da fortuna, como seu patrão. Carinhosa ou ironicamente, o locutor do SBT deixa sua voz gravada no inconsciente coletivo de três gerações, de donas de casa a nerds incorrigíveis.

PS. A morte de Lombardi acontece na mesma semana em que concluo meu curso técnico de radialista locutor no Senac, em Limeira. Não sei se gostaria de ter a mesma voz empostada do falecido empregado do SBT, mas adoraria ter um emprego garantido pelo resto da vida, como o Lombardi. Aguentar um patrão como o Silvio já são outros quinhentos, mas não se pode querer tudo nesta vida.

30 de nov de 2009

E coisa e tal

Há alguns dias, no curso noturno que frequento, um paquerador inveterado da nossa turma levou uma garota à classe, bem na hora do intervalo. Alguns gatos-pingados ainda estavam na sala.

A garota colocou a cara na porta, e o latin lover nos apresentou a ela: "Então. Estes são os alunos, esta é a professora..."

Fulo da vida por ter sido reduzido a uma coisa qualquer, sem direito a nome ou endereço, completei a frase do conquistador no ato.

"Pois é. E aquele é o computador, e estas são as cadeiras!"

O pessoal riu. E o nosso colega cheio de amor pra dar pensará duas vezes antes de chavecar as minas perto dos colegas. Ou perto de mim.

16 de nov de 2009

O que um abridor de latas (e um velho bêbado) podem fazer com um ser humano

Domingão, e eu sentado na Rua do Porto, em Piracicaba, fazendo caricaturas de quem passasse por mim.

Um dos que passaram por mim quis ficar.

Foi só dar atenção às palavras do passante, influenciadas por algumas latinhas de cerveja, que o tal sentou praça perto de mim.

Após uma saraivada de elogios superlativos ao desenhistas em geral, o senhor encervejado resolveu proclamar as qualidades dos canhotos. Ele havia percebido que eu rabiscava com a mão esquerda.

O sinhôzinho era canhoto como eu, mas não desenhista. E fez o favor de estragar meia dúzia de papéis do desenhista aqui, garatujando um fusca com cara de monstro do lago Ness.

Cabia a mim concordar com o meu interlocutor ou jogá-lo no rio Piracicaba, cuja margem estava próxima de mim.

Enquanto o senhor expunha a frustração em não ter sido ungido pelo dom do desenho, meu rosto esboçava uma expressão contrariada. Canhoto costuma ser do contra mesmo.

Aliás, quando eu disse pela primeira vez em casa que era canhoto, minha falecida avó persignou-se e proclamou que canhoto era sinônimo de coisa-ruim.

Ser canhoto era ser diferente, uma aparente vantagem. Aparente.

Abrir latas, por exemplo, não era uma situação agradável no meu cotidiano. Não podia abrir uma sem que minha querida mãe não soltasse um berro, aquele berro ardido de mãe zelosa, e me dissesse "para abrir a lata direito". Direito é que eu não era! Ia mais pelo esquerdo mesmo.

Voltei à terra e ao discurso do velhinho. Cá com meus botões, pensei em como seria bom que o tempo passasse depressa e levasse aquele senhor. Acabada a catilinária, por absoluta ausência de outros assuntos, ele pediu desculpas por me alugar e azulou dali.

Minutos depois da fuga tropeçante do meu inesperado interlocutor, consumei uma saída pela esquerda.

13 de nov de 2009

Caricaturas ao vivo o dia todo

No sábado, 14 de novembro, será na Livraria Nobel Megastore, Shopping Piracicaba. Estarei lá desenhando o povo das onze da manhã às dez da noite.

No domingo, 15 de novembro, será na quarta Festa do Peixe e da Cachaça, no Barracão do Turismo, na Rua do Porto, também em Piracicaba. Será a partir das onze da manhã.

Quem puder, apareça!

12 de nov de 2009

Assento sagrado

Outro dia, eu reclamava das pessoas que, ao me verem nos ônibus em pé, cediam um lugar para que me sentasse. Meu orgulho fervia, mas sempre respirei fundo e agradeci a gentileza.

Hoje, aconteceu a mesma coisa. Mas tenho uma nova hipótese para a gentileza repetida das pessoas em me ceder um assento no ônibus lotado.

Não, não são os olhos verdes e nem o charme deste cidadão. Nem alguns fios de barba precocemente brancos, nem outras explicações menos lisonjeiras.

O motivo das pessoas me darem um lugar no ônibus é o fato de eu portar uma agenda. Aos olhos delas, o livro parece... uma bíblia.

Se não tenho meu lugarzinho garantido no latifúndio celeste, carrego sempre a esperança de encontrar um assento no ônibus de ocasião para o centro da cidade. E levo junto a agenda com cara de livro sagrado, que eu não sou besta.

11 de nov de 2009

Apagão!

A essa altura, todo brasileiro deve ter a sua história do apagão. Também tenho a minha.

Voltei do meu curso noturno das terças e quintas mandando tudo para o quinto dos infernos.

Já não basta o inferno do calor durante o dia, e a gente ainda tem que encarar o inferno das luzes apagadas, sem aviso e sem piedade.

No inferno, que eu saiba, pelo menos tem umas fogueirinhas acesas, prontas para iluminar o ambiente.

No apagão de ontem à noite, nem isso havia.

Havia, sim, uma multidão de cabeça quente, sem gasolina nos carros, porque os postos estavam sem energia, e sem entender a situação inaceitável que se apresentava bem ali, diante de nossos narizes.

Cheguei em casa quase apagando, e achei uma vela na cozinha, graças a meus iluminados pais.

Hoje há energia de novo. E há um desejo de acender uma vela a quem nos comanda.

Se o ato não servir para iluminar as consciências dos mandatários, que sirva para iluminar o ambiente no caso de um novo apagão. Já não basta termos, com o nosso voto, que segurar vela para uma imensa maioria de incompetentes eleitos por nós mesmos.

Amém.

30 de out de 2009

Isso se parece comigo?






Além das caricaturas ao vivo em eventos, como as feitas no Salão de Humor de Piracicaba, faço caricaturas por encomenda.

Nas caricaturas encomendadas, as pessoas posam em situações engraçadas ou inusitadas, junto a familiares ou mascotes, namoradas ou namorados, amigos ou amigas.

Acima, dois exemplos dessa modalidade da caricatura pessoal. E quem quiser que peça a sua, é só me mandar um e-mail.

26 de out de 2009

A festa do gordo

Gordo é o principal personagem de uma turma que estrelou doze livros, escritos por João Carlos Marinho. Ele é o autor de O Gênio do Crime, clássico da literatura infanto-juvenil que completa 40 anos em 2009.

No último sábado, a editora Global, que publica a série do gordo, promoveu uma festa para comemorar o aniversário do livro inicial da série, que já ultrapassou as sessenta edições, e continua no imaginário de muita gente por aí, incluindo este que vos digita.

A festa se deu na Fnac de Pinheiros, em São Paulo. Começou às duas e meia da tarde. No segundo andar da livraria, lá estava o escritor, sorridente como nunca, autografando seus livros para a molecada.

Embora as editoras hoje tenham esquemas poderosos de divulgação nas escolas, parte significativa do sucesso do livro O Gênio do Crime se deu de forma espontânea. Crianças liam e gostavam, professores liam e adoravam, e um fã-clube do escritor atravessa gerações desde 1969.

Após os autógrafos, que continuaram mais tarde, as crianças, pais, curiosos e convidados subiram ao último andar da livraria, onde seria exibido um trecho do filme O Detetive Bolachão contra o Gênio do Crime, adaptado da obra mais famosa do autor.

Na sequencia, depoimentos de leitores escolhidos pelo autor contavam do impacto que o livro aniversariante teve em suas vidas.

Havia professores, uma estudante de jornalismo, um aspirante a cineasta, o próprio dono da editora de João Carlos Marinho e até uma ex-babá dos filhos do autor que se tornou professora, responsável pelo depoimento mais marcante da tarde. Quando trabalhou na casa do escritor, a babá lia os rascunhos da obra enquanto estava sendo escrita. Rascunhos resgatados do lixo do escritório... Uma surpresa completa para o autor, e para o público também.

Assim como a ex-empregada, os outros depoentes tiveram sua vida profissional determinada pelo encantamento causado na infância pelo Gênio do Crime. E não conseguimos segurar a emoção. Eu, que tive o privilégio de ser o primeiro a falar, engasguei, repeti palavras, quase chorei. Mas tive a alma lavada, pois todos os outros que falaram sobre o livro não seguraram a emoção.

Após os depoimentos e as perguntas da molecada que lotava o auditório, um coquetel foi servido aos presentes. E tive a chance de conhecer o músico e compositor Beto Furquim, filho do autor, primeiro e exigente leitor dos livros de João Carlos antes de chegarem às livrarias.

O toque final da festa se deu com a distribuição do fac-simile da primeira edição de O Gênio do Crime, publicada pela editora Brasiliense, em 1969, dentro da coleção Jovens do Mundo Todo.

A edição da Brasiliense apresenta um texto com algumas variações, diferente de edições posteriores publicadas pela editora Obelisco, e em formato de bolso, pela Ediouro. O autor optou por uma linguagem mais coloquial, opção que defende num ensaio ao final da obra. A irreverência e a vasta cultura de João Carlos Marinho já valem o texto. Pena que a edição fac-similar, ao que pareceu, teve circulação restrita à festa do último sábado.

Festa acabada, e a carreira do livro O Gênio do Crime não acaba por aí. As gerações seguintes certamente terão contato com o humor e a inteligência da turma do gordo. Como eu tive.

23 de out de 2009

Trabalho, muxoxos e Bob Dylan

Minha ausência anda gritante neste espaço. Tenho aparecido só pra dizer que ando ausente.

Tenho feito a tira diária para o Jornal de Piracicaba. E circulado por todo lado, fazendo e entregando caricaturas encomendadas.

Nas folgas, reclamo do horário de verão e do próprio verão.

Em casa, durante o almoço, vejo alguns trechos de um documentário de Martin Scorsese sobre Bob Dylan. Aproveitando a deixa, já encomendei um CD do compositor (não vou baixar na net, não).

Como veem, em breve, muito breve, teremos bastante assunto por aqui. Até mais.

19 de out de 2009

Dias melhores? Verão

Você acorda numa certa hora, todo dia.

E vem o governo e determina que seu relógio biológico não apita nada, e que importante mesmo é economizar energia.

Só que o horário de verão nos faz gastar mais energia, com essa história de acordar uma hora mais cedo.

Quando você começa a se acostumar com o fato de que acordar mais cedo pode fazer bem pra saúde, vem o fim do horário de verão.

E você, que já escangalhou seu relógio biológico, e que gostaria de fazer o mesmo com o despertador que te obriga a levantar uma hora mais cedo, tem a ilusão que ganhou uma hora a mais de sono.

Governos de qualquer espécie é que nos fazem perder o sono. Com ou sem horário de verão.

16 de out de 2009

Matusalém precoce

Eu no ônibus, em pé. Indo para o centro da minha cidade.

Perto de mim, sentada, uma menina de uns dez anos.

Ela me viu e falou:
- Pode sentar aqui, senhor!

Do alto dos meus trinta e três anos, recusei e agradeci. Mas continuei em pé, até o fim do trajeto.

Desci do ônibus e cheguei a uma conclusão constrangedoramente óbvia. A cada dia, se fica cada vez mais velho.

Mas engatei outra conclusão de igual quilate em seguida.

Envelhecer, tudo bem. Mas não precisava ser tão rápido!

15 de out de 2009

Depois do recorde...

... e da tiragem esgotada do Jornal Caricaras 5, vem aí a sexta edição, a sair neste fim de semana.

Vá ao Salão de Humor de Piracicaba, cuja edição 2009 se encerra neste fim de semana, e leve o seu jornal novinho em folha pra casa. Com sua caricatura na capa, é claro.

Até lá!

9 de out de 2009

Ela brinca em serviço!

Comprei ontem o CD novo da Adriana Partimpim. Estou ouvindo ainda. Já tinha comprado o primeiro CD da série. Presenteei meu irmão e sua família com o disquinho, e comprei um pra mim.

Eu gosto da Adriana Calcanhotto, a cantora e compositora gaúcha, radicada no Rio de Janeiro, que inventou a Adriana Partimpim. E gosto do jeitão discreto de Adriana. Numa época em que celebridades nos incomodam a cada cinco segundos com declarações vazias de conteúdo e ricas em formas (que aparecem na Playboy do mês seguinte), Calcanhotto mostra apenas o que acha que deve: seu cancioneiro, e pronto.

Mas, para não dizer que não falei de flores e ignorei os espinhos, devo declarar que não aprecio algumas coisas na Adriana. Não aprecio o lado "experimental"dela.

Claro que artista que é artista faz o que bem entende. Acredito que Adriana seja honesta em sua arte, e que segue sem dor alguns padrões comerciais e artísticos que fazem seus CDs venderem, apesar dos novos tempos de downloads ilimitados.

O chato é que experimentalismos só agradam os chatos e pretensiosos, o que pra mim são mais ou menos as mesmas pessoas. O respeitável público, que de fato sustenta artistas como Adriana, praticantes de uma proposta pop mais elaborada, não quer saber dessas viagens criativas.

E outra coisa de que não gosto em Adriana é essa eterna pagação de tributo, que soa mais como pagação de pau, ao Caetano Veloso. Menos pentelha é a adoração pelos concretistas, que rendeu parcerias ótimas de Adriana com Cid Campos, filho de Augusto.

Enfim, a gente não precisa gostar de tudo o que alguém faz. Seja na arte, seja na vida do dia a dia.

Quanto à Partimpim, embora Adriana tenha o cuidado em não misturar seu heterônimo com a Calcanhotto, a ideia de colocá-lo em circulação me reaproximou do trabalho da primeira.

A leveza que Partimpim trouxe ao trabalho de Calcanhotto é uma conquista sem preço. Sem falar que, depois do surgimento da Partimpim, a sensação de voz enjoada da Calcanhotto foi para o espaço. Graças a Deus.

Se as duas Adrianas quiserem continuar brincando em serviço, mesmo com a molecagem de uma contaminando a seriedade da outra, eu não tô nem aí. Ou melhor, continuo aí, me deliciando com as duas.

7 de out de 2009

Um recorde, assim como quem não quer nada

Volto em breve a este blog, assim que resolverem instalar o meu novo plano de conexão de internet. Enquanto isso, vou ajudando a enriquecer algumas lan houses da minha cidade.

Na ausência do mundo virtual, não deixe de me visitar no mundo real, todos os fins de semana até o dia 18, no Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

É a reta final de uma vitoriosa temporada de caricaturas ao vivo, a caminho dos mil desenhos feitos para o público, nas capas do quinto Jornal Caricaras. Caricaturas criadas em pouco mais de dois meses, apenas nos fins de semana!

Não estou cabendo em mim de satisfação. E cansaço. Mas um recordezinho de vez em quando também não faz mal a ninguém.

30 de set de 2009

Pé na jaca

Um textinho sem-noção de vez em quando não faz mal a ninguém.

O texto abaixo saiu primeiro num portal de internet regional, extinto no estouro da primeira bolha da internet, em 2001.


O fruto da jaqueira é a jaca, na jaqueira há passarinho, o passarinho voa. O avião voa e sobrevoa e atordoa os passageiros. Os passageiros páram nos aeroportos e compram bugigangas de turista. Os turistas pegam táxis para levá-los aos lugares-comuns, lotados de tantos turistas quanto os habitantes da Terra. A Terra é redonda.

Redonda é a bola de futebol, nem tão redonda quando maltratada pelos jogadores de futebol. O futebol é o esporte das multidões. As multidões, confinadas nas cidades, fazem estragos em massa. A massa de tomate, utilizada pelas donas-de-casa (que geralmente pagam aluguel), faz parte do macarrão nosso de cada dia. Um dia é igual ao outro, por sua vez igual ao anterior.

Anteriormente, os advérbios de modo eram pouco utilizados nesta coluna. Os colunistas são entidades sobre-humanas e, ao mesmo tempo, transbordantes de humanidade. A humanidade é composta de seres humanos, desumanos e animais, racionais ou não. Difícil dizer não quando se é bonzinho.

Bom é comer paçoquinha com tubaína. Tubaína custa um real, em alguns lugares custa menos, supermercados geralmente. Supermercados de bairro estão decadentes após o advento dos hiper-mega-maxi-mercados. Alguns deles construídos sobre destroços de antigos estádios de futebol. O futebol é o ópio do povo. O povo nem sabe o que é ópio, droga muito difundida na Ásia. Aprendi isso num livro do Jules Verne.

Os vermes prejudicam nossa saúde. A saúde é um bem precioso do ser humano. Humanamente impossível acreditar nas utopias. Utopia é coisa de comunista, raça em extinção. O mais é bobagem. O menos é lucidez.

Lúcida é minha mãe, desejosa de ver seu filho trabalhando bastante para ganhar muito dinheiro, para que eu case, tenha filhos e problemas com mulher e filhos. Só as mães são felizes, declamou o poeta. Poeta não serve para nada, só para babar e derramar visgo em castelos de marfim.

Marfim é coisa de elefante. Os elefantes não esquecem. A memória é um bem precioso do homem. O passado está nas suas costas. Casar de papel passado, só a ferro. Todo casado é ferrado.

Ferro na boneca? Falta de educação. Minha educação termina onde começa a sua. Suar, nesse calor desgraçado, é um ato biológico. Biologia, eu quero uma pra viver. Quem é vivo sempre aparece. Apareceu a Margarida, que disse-me-disse haver uma jaca madura no meio do caminho. Caminho Suave, uma cartilha que educou gerações. Espontâneas. Que lindo.

23 de set de 2009

Timóteo, o tonitruante

Ouvi hoje um CD 2 em 1 de Agnaldo Timóteo, adquirido há alguns dias.

Como muita gente de minha geração, conheci Agnaldo Timóteo em programas de auditório na TV.

Lembro dele menos como cantor e mais como polemista, dono de uma lábia que lhe valeu vários mandatos como deputado.

Entusiasta de Paulo Maluf, o cantor de Meu grito amarga certo ostracismo como vereador em São Paulo.

Longe dos tempos de vacas gordas da época do LP, o cantor já foi preso por vender seus CDs em praça pública. Nesse episódio, por não aceitar a prisão, transformou o lugar em praça de guerra.

Dois LPs de épocas distintas estão reunidos no CD comprado por mim. Quatorze anos separam um disco de outro. Obrigado querida é de 1967, Sonhar contigo é de 1981.

Para os ouvidos de hoje, acostumados a cantores "naturais", o estilo tonitruante de Agnaldo Timóteo pode soar tão ridículo quanto o adjetivo "tonitruante".

Mas esse é o estilo de uma dinastia de intérpretes masculinos, interrompida pelos cantautores tipo Chico Buarque. E, se é para escolher entre Marcelo Camelo e Agnaldo Timóteo, prefiro soltar meus foguetes para este último. Sinto muito, emos e emas de plantão.

O primeiro vinil do CD 2 em 1 traz o repertório da época em que o intérprete estava por cima da carne seca, com direito a uma música exclusiva de Roberto Carlos, a célebre Meu grito.

Outras canções do disco, quase todas, traziam o derramamento e a dicção típicas da tal escola masculina de canto melodramático-suburbano brasileiro. Vicente Celestino e Francisco Alves assinariam embaixo.

Os arranjadores Edmundo Peruzzi e Nelsinho também captam esse derramamento e mandam bala nos arranjos orquestrais pra boi acordar.

Versões de sucessos franceses e italianos dominam o vinil. Elas nasciam graças aos hoje anônimos versionistas de plantão das gravadoras sessentistas, como Nazareno de Brito, que eu vi na ficha técnica de vários discos de Moacyr Franco.

Nazareno comparece no disco Obrigado querida com a versão da faixa-título, originalmente denominada Merci Cherie.

No vinil seguinte, aparece o Agnaldo Timóteo que eu conheci, o dos anos 80. Sonhar contigo, composição do meloso Adilson Ramos, dá título à obra.

Aqui, as versões desapareceram, e algumas músicas carregam um tom mais sertanejo. Timóteo até regrava Estrada da vida, clássico de Milionário e José Rico.

Eu gosto mais da Estrada original, mas o caratinguense faz bonito na regravação. Bonito ao jeitão dele. De uma beleza exótica, digamos assim.

No vinil, os conhecidos compositores populares Luiz Vieira, Eduardo Lages e Carlos Colla se juntam aos desconhecidos compositores populares Wagner Montanheiro, Tand, Márcio Santos, além de um certo Agnaldo Timóteo...

Uma faixa que me surpreendeu foi Fantasia de Minas Gerais. A música começa com a clássica pergunta "Você já foi à Bahia?", mas inverte a expectativa e convida o ouvinte a visitar e exaltar as belezas do estado-natal do cantor... Uma ótima sacada, ou sacanagem, se preferirem.

Aliás, sacanagem é não escutar Agnaldo Timóteo. Se a música popular eventualmente pode nos emburrecer, não é o preconceito que nos tornará mais inteligentes.

21 de set de 2009

CDs de segunda?

Passei numa loja e comprei um monte de CDs 2 em 1.

Todos os disquinhos são de artistas considerados bregas, mas muito considerados por este que vos digita.

O elenco dos CDs tem Fernando Mendes, Agnaldo Timóteo, Moacyr Franco, Benito Di Paula.

Meus ouvidos ficarão bem ocupados por uns tempos. Não quero outra vida.

18 de set de 2009

Social do Salão de Humor



Na foto, da esquerda para a direita:
- O cartunista e autor deste blog.
- O crítico de quadrinhos Álvaro de Moya.
- E o cartunista Fausto.

O clique é do dia 30 de setembro, no Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

A foto foi feita e enviada pelo cartunista Eduardo Caldari Jr.

12 de set de 2009

O quinto que não é dos infernos

Acabou de chegar da gráfica o novo Jornal Caricaras. É o quinto número.

O número cinco tem a tradicional capa com um espaço vazio, para a caricatura desenhada na hora, em festas e eventos onde você (e eu) estiver.

O miolo do Caricaras traz as minhas principais séries de tiras, criadas nos últimos dezoito anos.

Para falar dessas quase duas décadas de trabalho, o jornal traz depoimentos dos artistas gráficos Orlandeli, Laudo e Spacca, além dos jornalistas Sidney Gusman e Paulo Ramos.

Hoje à tarde, no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, estarei lançando o jornal novo e fazendo caricaturas do respeitável público.

E visite a mostra principal do Salão, que também traz um trabalho meu selecionado, na categoria Vanguarda.

Até lá!

Atualização às 18h15 de domingo, 13 de setembro: Ontem e hoje estivemos no Salão de Humor de Piracicaba, lançando o quinto Jornal Caricaras e fazendo 150 caricaturas do povo que visitava o evento. Obrigado pelas risadas, pelas perguntas e pelo calor humano, pessoal!

9 de set de 2009

Caricaturas: faça chuva, faça sol

Na última semana, estive na Caterpillar Brasil, para várias rodadas de caricaturas com os funcionários da empresa. Todos simpáticos, receptivos e bem-humorados com este visitante. Agradecemos a preferência...

Além da visita à Caterpillar, desde o último fim de semana de agosto tenho marcado presença no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, caricaturando os visitantes da mostra principal.

Minha participação no evento com as caricaturas ao vivo irá até o dia 18 de outubro, sempre nos fins de semana.

Se puder, visite o Salão. E aproveite para levar a sua caricatura exclusiva.

4 de set de 2009

Diálogos curtos para um longo feriadão

Meu irmão disse: "Volte a fazer personagens, diálogos". Eu respondi: "Já voltei". Ele perguntou: "Onde?" Eu respondi: "No Twitter, oras!"

A mulher: "Você não serve pra mim". O homem: "Nem você pra mim". Ela ficou brava: "Eu que dou a última palavra!" Ele riu por último.

No hospital, a filha: "O pai está nas últimas". O pai balbuciou: "Não deixei herança, haha". A filha resmungou: "Eu quero morrer!"

Ela: "Você não liga pra mim!" Ele: "Não tenho celular". Ela: "Não falei nesse sentido!" Ele: "Nós que somos um casal sem sentido..."

"Aquele cara é um gatão". "Tem espinha". "E aquele cara, mó musculoso?" "Feio". `"Pô, o que você quer?" "Detonar todo mundo, na cara dura".

Ela, para o amigo: "Eu não arrumo homem". Ele, compreensivo: "Você quer homem só pra arrumá-lo, amiga..."

Ele para a esposa: "Eu perco um tempão no trânsito!" Ela de saco cheio: "Também perde tempo reclamando".

2 de set de 2009

Pé de chinelo


Esse é meu trabalho selecionado para o Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Um chinelo com tiras de quadrinhos, para serem lidas no próprio calçado.

No Salão, o chinelo está exposto em pé, anexo a um painel da mostra. Ali, a fita colada ao chinelo com as tiras já está desdobrada, ao contrário da foto acima. Fica mais fácil de ler.

Outros trabalhos do Salão 2009 podem ser vistos aqui. E ao vivo em Piracicaba, no Engenho Central, até outubro.

30 de ago de 2009

O Miguel chegou

Na última sexta, meu novo sobrinho deu as caras neste mundo. Ainda com a cara de joelho típica dos nenês de todo o planeta Terra.

Bem-vindo, garoto!

28 de ago de 2009

27 de ago de 2009

Eu e mais oito...

... artistas da terra da pamonha estamos no Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

O dono deste blog teve trabalho selecionado na categoria Vanguarda.

É a quarta vez que participo da mostra principal. As outras vezes foram em 2004, 2005 e 2006. Em 2008, fui jurado de seleção.

O Salão abre no próximo sábado, no Engenho Central, às margens do Rio Piracicaba.

Mais detalhes aqui.

E aqui.

26 de ago de 2009

Amigo metrossexual

Ontem fizemos uma transmissão experimental da Rádio Senac, com a turma do curso de Radialista, em Limeira. Era parte da Semana de Saúde e Bem Estar da unidade. A transmissão se estendeu até as dez da noite.

Os alunos, entre os quais este que vos digita, se revezaram ao microfone e na técnica. Foram lidas notas e dicas relacionadas à programação da Semana. Também rolou uma entrevista ao vivo com a palestrante da noite.

No final da transmissão interna, já que nos foi permitido experimentar, arrisquei ler duas crônicas de humor, feitas na hora. Uma delas era uma espécie de resposta a uma nota da Giovana, colega de turma, a respeito de metrossexuais.

Segue o texto abaixo. E o leitor que perdoe as repetições. Esse é um texto feito para rádio, não para jornal ou blog.


O metrossexual é o novo homem do século vinte e um.

O metrossexual é uma cara que a mulherada ama, porque é um cara que se cuida mais que os outros homens.

O metrossexual cuida das unhas, faz a barba direitinho, faz limpeza de pele, compra roupas que combinam, faz tudo o que precisa para agradar a sua parceira, ou arranjar uma nova, não é mesmo?

O metrossexual é o exemplo do macho bem-sucedido. É feliz nos negócios, feliz na aparência. Será que ele é feliz no amor? É aí que mora o perigo.

Como as mulheres são seres que mudam de opinião a toda hora, elas logo enjoam do seu parceiro metrossexual. E o trocam por um cara esculhambado e imperfeito. Tudo o que elas não queriam antes!

Meu amigo metrossexual! O que você prefere? Ser um cara perfeito ou ficar sozinho? A decisão está em suas mãos. Ou em sua cabeça.

22 de ago de 2009

São Paulo

Moro no interior, no maior stress, e visito São Paulo pra relaxar. Que ironia.

Tenho bom trânsito em São Paulo. A cidade é que não tem um bom trânsito para seus habitantes.

São Paulo não tem "habitantes", tem "habiTANTOS".

São Paulo tem muita gente. São Paulo também tem gente.

São Paulo mora no coração de muitos. O difícil é muitos morarem no coração de São Paulo.

São Paulo é igual mulher feia: todo mundo fala mal, mas no fim acaba casando com ela.

São Paulo tem sua lotação esgotada. E pessoas idem.

Em São Paulo, ser diferente torna você igual a todo mundo.

São Paulo tem muita gente pequena em arranha-céus.

São Paulo não é para principiantes. E muita gente quer começar a vida justo aqui.

São Paulo fica vazia nos feriadões. É toda a cidade fugindo do vazio.

19 de ago de 2009

Crianças, crianças

Outras frases de efeito aqui.


Eu queria ser grande quando crescesse. Não tem coisa pior que bater o queixo na quina da mesa na hora do almoço.

Adulto não educa criança, adulto enquadra criança. Porque morre de inveja da liberdade dela.

Adulto adora perguntar à criança o que ela será quando crescer. Pra ela ficar logo uma idiota igual a ele.

Diálogo. "O que você vai ser quando crescer, filha?" "MAÍSA!!

Adulto que fantasia criança de adulto ainda não cresceu.

Adulto tem resposta pra tudo. Mas não sabe fazer perguntas tão boas quanto às das crianças.

Adulto que trata criança e velho feito bicho de estimação é um animal.

O melhor talento da criança é ser o que ela é: criança.

Programa infantil de tevê aberta só estimula os sentidos da criança. O que não faz o menor sentido.

Criança-prodígio vira adulto incompetente.

Os gorilas adultos amam fazer a criança pagar mico.

Criança não é ingênua. Adulto sim.

14 de ago de 2009

Queima de estoque! Caricaturas em Sampa!


Estarei lançando o Jornal Caricaras na Livraria HQ Mix, na Praça Roosevelt, 142, em São Paulo.

Será no sábado, dia 15 de agosto, a partir das 19h30. São os últimos exemplares da quarta edição. Quem não vir pra ver, terá que aguardar a quinta edição.

A caricatura na capa do jornal é feita especialmente pra você na hora.

Na mesma noite, livraria e horário, o amigo André Diniz lançará seu álbum de quadrinhos 7 Vidas, pela editora Conrad.

Apareçam!

13 de ago de 2009

Tempo, amigos, e coisa e tal

Todo mundo folga em dizer que não tem tempo.

Os ocupados sempre guardam um tempinho para pelo menos uma coisa. Reclamar da falta de tempo.

Todo mundo diz que está "na correria". Quem diz isso geralmente não é maratonista.

Todo mundo diz que está "na correria". Quem diz isso geralmente trabalha sentado.

As pessoas não se encontram mais. Porque elas se acham.

Amigos se encontram. Inimigos se dão um encontrão.

Amizade é algo desinteressado. Inimizade é algo desinteressante.

10 de ago de 2009

Quem? O escritor, oras!

Quem lança autobiografia sempre esquece de contar o fim da história.
Quem escreve romance policial não é nada romântico.

Quem escreve memórias não se lembra que sua vida pode não interessar a ninguém.
Quem escreve na primeira pessoa nem sempre dá bola para outras pessoas.

Quem escreve autoajuda só ajuda a si próprio.
Quem escreve para "botar algo pra fora" vai no banheiro, não precisa escrever.

Quem não admite escrever livro "pra vender" só aluga a paciência alheia.
Quem se diz escritor "sério" só pode estar brincando.

Jânio Quadros escreveu dicionário, escreveu romance, e ficou famoso por seus bilhetinhos.
Nelson Rodrigues era considerado escritor de quinta, e hoje é publicado em edições de primeira.

Há quem diga que sua vida daria um livro. Quem fala isso geralmente não é capaz de escrever uma linha. Ainda bem.
Tarde de autógrafos vazia deixa o escritor sem dormir à noite.

O escritor tem sentimento. Primeiro sente uma dor na bunda por ficar tanto tempo sentado escrevendo.
Escritor não trabalha com inspiração. Escritor trabalha.

7 de ago de 2009

Ex

Mais uma série de frases que irão me tornar menos popular entre as mulheres.

Ex-namorada adora fazer propaganda enganosa do ex.
Ex-namorada adora odiar ex.

Ex-namorada sempre acha seu ex um bundão. Em muitos casos, no entanto, é ela quem deu um pé na bunda dele.
Ex-namorada adora homem bem-humorado. Quando ela termina o caso, o homem não acha a menor graça.

Ex-namorada só tem uma certeza: duvida que vai namorar outro cara.
Ex-namorada não é uma espécie em ex-tinção.

Ex-namorada um dia achou seu namorado especial. Depois ele se torna só um ex.
Ex-namorada um dia transformou um sapo em príncipe. Separada, ela sai falando que só engoliu sapo no namoro.

Ex-namorada faz cara de paisagem quando reencontra ex. Paisagem polar, é claro.
Ex-namorada diz que o ex não era um bom papo. Mas ele é um bom assunto pras amigas da ex.

6 de ago de 2009

Mulheres, mulheres

- As mulheres não gostam de repetir roupas. O que não deixa de ser um comportamento repetitivo.
- As mulheres são previsíveis em sua instabilidade.

- Mulheres são misteriosas para preservar uma suposta profundidade. Algumas, nem com toda a proteção, conseguem esconder que são rasas.
- Mulheres sonham encontrar o homem perfeito. Tudo bem, ninguém é perfeito mesmo. Nem elas.

- Mulheres ficam horas se arrumando para ir a uma festa. Quando chegam, acham a festa chata e vão embora em questão de segundos.
- As mulheres sempre têm a última palavra. Porque sabem que a última será a primeira.

Escrevi essas frases de efeito aqui. Depois de lê-las, uma mulher me perguntou: "Com que tipo de mulheres você sai??" Tive vontade de responder o seguinte: "Com mulheres bem-humoradas..."

2 de ago de 2009

Mais um punhado de frases de efeito (e outras mumunhas)

- Memória de computador é igual à de namorada em fase de rompimento com o namorado. Se o cara faz uma bobagem, a memória dela apaga tudo.

- Não sei dançar. Não sei nadar. Não sei dirigir. Não sei dizer sim.
- Internet não embrulha peixe. Jornal ainda serve pra alguma coisa.
- A febre do momento é a gripe suína.

- Para ser terno não precisa integrar o estoque de uma loja de artigos masculinos.
- É possível dar uma gravata com elegância? Que isso dá pano pra manga, dá.
- Adorava o namorado, mas não o entendia. Ela havia encontrado uma alma gênia.

- "Feriado de segunda" não é um feriado prolongado. É um erro de português.
- "Quem é vivo sempre aparece", disse o ex-BBB.
- Quem é vivo sempre aparece. E o Michael Jackson?

- Lula fala o que bem entende. Do que não entende.
- Quem bebe, toma. Naquele lugar.

- O cúmulo do espírito competitivo é a obssessão pela vitória em um jogo de palavras.
- Quem perde, ganha. Aborrecimentos.
- Os opostos se distraem.

- Há quem se preocupe em vencer. Eu ando preocupado com meus vencimentos.
- Mulher bonita eu sigo fora do Twitter.
- O que é pior: sorriso amarelo ou risada sem graça?

- Mulher chata só se expressa com bravata.
- Em homem legal, mulher acredita mal.
- Homem feio diz na cara a que veio.

- Mulher bonita a outra mulher evita.
- Quem fala bastante não me diz muito.
- Jogou a toalha. Desistiu de fazer a água do chuveiro esquentar.

- A Maysa era imprópria para menores. A Maísa é uma menor imprópria.
- Diante do disse me disse, a fofoqueira disse: "Não diga!"

- "Falem mal, mas não falem de mim!" , disse a futriqueira.
- Fusões entre empresas fundem a cabeça de seus empregados.
- No documentário sobre Caetano, tem gente mais interessada em ver os documentos dele.

- Gripe suína é uma porcaria.
- Em dias ocupados, falta do que fazer faz uma falta.
- Quem mete o nariz onde não é chamado tem faro pra confusão.

- Seu maior problema era arrumar soluções.
- Armar barraco não é apenas ato de favelado.
- Você tem razão. Eu tenho razão. Nós temos nossas razões.

- Quem exercita a ambiguidade consegue enxergar o outro lado.
- Fazer o bem sem olhar aquém.

- No Brasil, solidário tem outro nome: otário.
- No Brasil, gentil tem outro nome: servil.

- "Tipo assim": dica sucinta, de diretor de teatro a ator, pra compor o personagem da peça.
- Pegam muito no pé do Ronaldo. Signiificativo, em se tratando de um jogador de futebol.
- Só existe o óbvio quando alguém o comete.

- Madrugada é um período bom para produzir. Reproduzir também.
- Conto do vigário não é um ato cristão.
- Convalescendo, Ronaldo aproveitou e fez lipo, o que foi uma mão na roda. Hahaha!

- Moçada na balada não é de nada, disse o velho na sacada dando patada e não suportando o som da pesada.
- "Minha nossa! Levantei com o pé direito!", gritou o supersticioso canhoto.

- Nos escritórios de advocacia, os móveis são de madeira de lei?
- Cara de pau é ecologicamente correto?

- Passou por uma morena de cair o queixo. Caindo de boca na oportunidade, assobiou pra ela. Ignorado pela morena, sua cara caiu no chão.
- Sarney censura Estadão via juiz. Senador e seu amigo perderam o juízo.

31 de jul de 2009

Artista com pedigree, público vira-lata

Em geral, o público costuma ir a espetáculos para se deliciar com a presença do seu artista idolatrado-salve-salve, não é? É.

Nesta sexta, quis conhecer de perto uma pessoa que eu nem imaginava existir: a cantora Isabella Taviani. Como bônus, conheci seu séquito de fãs, concentrados na porta do teatro do Sesi Piracicaba desde a tarde do show.

Com cinco minutos na internet, descobriria o essencial de Isabella. Mas achei por bem sentir a primeira impressão, que é a que fica, ficando na platéia.

A artista entrou no palco pouco depois das nove da noite, acompanhada de seu violonista. Era o último show de uma turnê, às vésperas do lançamento de mais um CD inédito.

De cara, ou de ouvido, percebi a linhagem à qual Isabella pertence: a das cantoras imponentes e suaves, com a balança pendendo para a imponência. Imponência, eu disse.

As canções têm uma pegada rítmica que reforça o convite à exploração de imaginações nunca dantes navegadas. Certas fanáticas de plantão, mordendo a isca jogada pela intérprete, ameaçavam perder a linha.

Nunca ouvi tantos adjetivos dirigidos a uma mulher em tão curto espaço de tempo. Discreta, ora a cantora agradecia, ora se encabulava. Mal Isabella enxugava o suor, uma voz na platéia gritava: "Tô com vontade de me enrolar nessa toalha!" Seguiram-se outras frases de fazer corar um popstar de pedra.

Uma hora e dez minutos depois, show encerrado. Naquele vácuo entre o fim da função e o inevitável bis, mais um brado retumbante de fã traduzia o sentimento geral: "Você foi embora mas eu te amo, viu!"

Antes que a galera devorasse a ídola de modo nada antropofágico, eu é que tratei de me escafeder dali. Antes mesmo da volta para o bis.

A artista tem pedigree, mas o fã-clube carrega uma aura de viralatice ancestral em suas coleiras.

25 de jul de 2009

Desenhos, até que enfim!

Tem desenhos novos deste cartunista em dois sites.

Na nova Jam Session do Flávio.
E na Provincia Online.

Divirtam-se.

24 de jul de 2009

Sem salto alto

Fiz uma lista de cem novas cantoras nesta postagem. Após a publicação dos nomes, descobri mais uma dúzia. Num comentário para o blog, disseram que esqueci mais uma. O toque foi anônimo, mas a cantora é de verdade.

Escolhi uma das intérpretes da lista para ouvir, gostei e comentei no blog. A escolhida gentilmente me respondeu. Uma frase dela a respeito da minha rasgação de seda sem jabá.

"Desamarrou meu dia!"

Essa é a vantagem da internet. Permite que a gente fale com as pessoas de igual pra igual, mesmo distantes. Imagine se eu teria esse tipo de contato com as divas da MPB dos anos 70, por exemplo.

Voltemos à nossa programação normal.

Frases de efeito para o seu fim de semana

- Urso polar para o filho, num exercício de otimismo, ao ver seu habitat derretendo: "Fica frio".
- No lançamento de seu DVD, Zezé Di Camargo disse não aguentar mais "É o amor". Não é o único.
- É complicado entender o outro lado numa discussão. Principalmente quando seu adversário te olha de lado.
- Não se convida adversário para seu aniversário.
- 50 anos de carreira do Rei. Data redondinha, artista quadradão.
- As mulheres querem homens transparentes. Mas fazem questão de preservar seus mistérios.
- Neste mundo fast-food, vai faltar gente de atitude.
- Quem perde o celular perde a cabeça também.
- Amigo (da onça) é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves (num presídio).
- Ao vencedor: as batatas. Ao perdedor: que vá plantar batatas.
- Eu sou do tempo em que "tribo" era coisa de índio, cara-pálida.
- Uma mina independente, ou quase: "Eu me acostumei a ficar só. Mas adoraria dizer isso no ouvidinho de alguém".
- O pessoal da metrópole é tão só que já viajei 200 km, vindo do interior, para aproximar pessoas que moravam a cinco quadras uma da outra.
- O tal mártir barbudo crucificado não precisou de tuíter para ter seguidores.
- Diálogo empreendedor e conclusivo. "Eu quero chegar lá". "Onde? " "Ah... sei lá".
- Há quarenta anos, um certo homem chegava à Lua. Antes e depois do feito, porém, outros homens já viviam no mundo da Lua.
- São Pedro recepcionando Michael Jackson no céu: "Você não morre mais!"
- Se beber, não dirija. Fique em casa sozinho, tomando cerveja em lata e vendo essas frases idiotas na televisão.
- Se dirigir não beba. Passe a noite num boteco, sendo babá de um monte de malas bêbados que se dizem seus amigos.
- O extrovertido é o viral de si próprio.
- Romário lançou sua biografia e disse que nem a leu inteira. Ele não leu, e ainda quer que a gente faça isso?
- A melhor "rede social" é aquela pendurada na varanda de casa com duas pessoas dentro.

Mais frases aqui.

21 de jul de 2009

Palavras que valem mil imagens

Aqui no blog, tenho me expressado mais com palavras que com imagens. Embora eu me intitule "cartunista".

Todo mundo sabe. Cartunistas são aqueles seres que desenham de tudo, de forma compulsiva.

Participei de intermináveis sessões de ilustração voluntária em guardanapos. Fui percebendo que essa compulsão lúdica tem efetos colateriais graves.

Esse ato, em vez de aproximar as pessoas normais da gente, que é o desejo secreto de todo cartunista, acaba por afastá-las de nós, os compulsivos engraçadinhos. Ora, ver alguém desenhando tem graça somente nos primeiros minutos, depois cansa.

Apesar de co-autor ocasional de rabiscos em botecos e autor frequente de quadrinhos e caricaturas, sempre me expressei também com palavras. Todos os meus projetos, os quais participei e os quais projetei, traziam esses dois "lados". O "lado cartunista" e o "lado escritor".

Já fiz projetos em que bancava o entrevistador. Mero pretexto para arranjar encontros com as minhas admirações. Conheci muita gente interessante assim. Nâo faço o atrevimento de me nomear "jornalista". Senão os diplomados, muitos dos quais queridos colegas, vão me colocar no pelourinho.

O que eu queria mesmo dizer com essa papagaiada? O seguinte.

Por anos e anos, eu achava que deveria escolher entre ser cartunista ou ser escritor. Tenho qualidades e defeitos nas duas áreas.

Mas resolvi que é melhor ser o que eu bem entender.

Tenho dito!
Tenho escrito!
E tenho ilustrado!

20 de jul de 2009

Crianças que não querem ser Paulo Coelho

Um dos meus trabalhos preferidos é a oficina de arte para crianças.

Na oficina, fazemos com a criançada um livro completo, do texto aos desenhos.

Depois, edito o material e lanço o livro numa tarde de autógrafos, junto aos autores: os participantes da oficina.

Os livros das oficinas têm tiragem limitada, mas ficam disponíveis em PDF. Já fizemos obras em parceria com a Secretaria de Ação Cultural de Piracicaba, por meio do Fundo de Apoio à Cultura da cidade, e com a Livraria ParaLer, na extinta filial do Shopping Piracicaba.

Clique nas capas acima e faça o download dos livros de oficinas anteriores.

18 de jul de 2009

Mais frases de efeito...

.. essas e outras estão sempre aqui.

- Celebridades transformam suas vidas privadas em vidas públicas. E o público percebe que essas mesmas vidas são umas privadas.
- O internauta autoritário ficou danado da vida com o tuíter. Lá ele jamais teria a última palavra.
- Quando uma mulher coloca piercing no umbigo, está interessada apenas no próprio umbigo.
-
Ele não fazia nada pra deixar de ser um workaholic.
- T
em médico que deixa a gente doente.
-
Michael Jackson não morreu ainda??
-
Juliana Paes proibiu José Simão de falar dela. A atriz prefere estar rodeada por macacas de auditório.
-
Justiça não é algo a ser praticado por justiceiros.
-
A neurose é tanta pelo fim da vida na Terra que já devem existir casos de ursos bipolares.
-
Quem se leva muito a sério vira piada.

17 de jul de 2009

Na falta de uma, vão cem cantoras

Outro dia, escrevi sobre minha paixão recente pela cantora Doris Monteiro. No final da cantilena, ainda esnobei as cantoras surgidas a partir dos anos 90.

Por mera curiosidade, aliada a uma paciência de Jó, pesquisei na internet quais são as "novas cantoras". Cheguei a cem nomes. Cada uma gravou pelo menos um disco, dos anos 90 até o ano de 2009.

Sei de uma coisa. Por mais que eu tente gostar dessas artistas e mulheres, uma vida é pouco para tanto. E a lista poderia se estender por centenas e centenas de nomes, todos novos em folha.


Érika Rodrigues, Andréia Dias, Ana Paula Lopes, Myllena, Vanessa Bumagny, Barbara Rodrix, Mallu Magalhães, Rhana Abreu, Marina Elali, Maria Rita.

Neyva Alencar, Júlia Simões, Glaucia Nasser, Bebel Gilberto, Fernanda Takai, Barbara Casini, Beatriz Azevedo, Alessandra Leão, Bruna Caram, Céu.

Vanessa da Matta, Cibelle Cavalli, Ana Martins, Anelis Assumpção, Alda Rezende, Ana Cañas, Aline Muniz, Alexia Bontempo, Aline Calixto, Ana Carolina.

Bia Mestriner, Bia Krieger, Camila Costa, Carol Saboya, Carolina Soares, Cássia Eller, Tania Maria, Clara Bellar, Cris Aflalo, Dani Gurgel.

Danni Carlos, Fernanda Abreu, Fernanda Porto, Iara Rennó, Kay Lyra, Luciana Mello, Júlia Ribas, Fabiana Cozza, Zélia Duncan, Ana Costa.

Juliana Valadares, Tânia Mara, Verônica Ferriani, Camila Rondon, Márcia Tauil, Paula Morelenbaum, Fernanda Cunha, Karla Sabah, Lú Horta, Ceumar.

Luciana Souza, Luciana Oliveira, Lua, Luiza Possi, Lívia Lucas, Maísa Moura, Marina de La Riva, Monica Salmaso, Patrícia Lobato, Lu Garcia.

Raquel Coutinho, Renata Adegas, Roberta Sá, Roberta Campos, Renata Rosa, Regina Souza, Sabrina Malheiros, Samira Rahal, Sandra Dualibe, Cely Curado.

Silvana Malta, Rosalia de Souza, Suely Mesquita, Teresa Cristina, Vania Bastos, Ná Ozzetti, Virginia Rosa, Keila Abed, Paula Bressann, Ivete Sangalo.

Aline Angelotti, Ana Flávia, Ana Person, Anabela, Ana Rita Simonka, Andréa Costalima, Daisy Cordeiro, Anna Luísa, Nanda Mazza, Zen Moraes.

UFA!

Eu na MAD - 7

A revista MAD 16 está nas bancas.

A sátira sobre um certo reality show rural foi feita por mim, por dois Raphaéis (Fernandes e Salimena) e um Gian (Danton).

Não foi necessário nos confinarmos numa fazenda para que o texto saísse.

A revista sai todo mês pela Panini, por módicos 6,50 reais.

16 de jul de 2009

140 toques

Abaixo, algumas frases de efeito.

- Os mentirosos sempre atiram a primeira pedra. Mas é sempre pedra-sabão.
- Quem quer mudar corre riscos. O maior deles é o da mudança.
- Hoje os Mutantes valem pelo conjunto da obra, e não pela obra do conjunto hoje. (sobre a música nova dos Mutantes, não os da novela)
- Mulherengo se defendendo: "Cada caso é um caso".
-
Mais um escândalo no Senado. Férias em julho.

Essas e outras frases você acha aqui.

15 de jul de 2009

Dunga? Ah, não!

Comentário feito para um projeto do Radialismo do Senac, curso do qual sou aluno. Só assim mesmo pra eu me animar a falar de futebol. E de Seleção Brasileira, ainda por cima.

Depois que a seleção brasileira ganhou no sufoco a taça da Copa das Confederações, no último mês de junho, todo mundo que falava mal do técnico Dunga teve que calar a boca. Ou será que não? Todo brasileiro tem um jeitinho pra resolver tudo, até para escalar a seleção brasileira e ganhar todas as copas. Se a CBF deixar a seleção na mão dos torcedores que sabem tudo, aí
ninguém segura esse país. Mas enquanto não vem a chance de cada brasileiro ser o chefão da seleção, que para muitos é igual a ganhar na MegaSena, o jeito é o povo se conformar com o Dunga no comando do time.

Como a gente sabe, todo baixinho é invocado. E não precisa ser um baixinho da Xuxa. A mãe da cantora Maria Rita, uma tal de Elis Regina, cantava que nem gente grande, o que só prova o poder dessa galera. O compositor Zé Rodrix, que foi autor de música Casa no Campo, um dos sucessos da Elis, também era um grande artista, embora pequeno em altura. Por incrível que pareça, o ex-jogador Dunga, com esse nome de anão de desenho animado, está nessa classe de gente pequena que pensa grande, muito grande.

Tudo bem, é difícil esquecer as roupas esquisitas do Dunga. Parece que as calças, as camisas e os ternos do técnico saíram do guardarroupa da Branca de Neve. Também é dificil esquecer que o ex-jogador nunca treinou nenhum time na vida, nem o time do seu condomínio, e mesmo assim foi treinar direto a seleção brasileira de futebol.

Para os brasileiros, o que interessa mesmo é ganhar todos os amistosos, ganhar todas as copas, e ainda jogar um bolão. Porque o dia seguinte é a segunda-feira, e o churrasco e as cervejas tem que descer legal, não é não? Se o Dunga não botar os jogadores pra correr no campo, os torcedores botam o técnico pra correr, cedo ou tarde. Enquanto ele continuar ganhando todos os jogos e todas as copas, a gente vai ter que engolir o baixinho, junto com a cerveja e a picanha do domingão!

12 de jul de 2009

Tudo azul no Maracanã



Essa caricatura saiu no Jornal Caricaras 1, em 2007. Lá saiu em preto e branco.

Abaixo, as tiradas que eu coloquei no Twitter, durante o show do Roberto Carlos no Maracanã, ontem à noite. O que não me impediu de chorar cachoeiras (sem ser do Itapemirim) no encontro de Roberto e Erasmo no palco.

- Reis tem sangue azul? Por isso o Roberto Carlos gosta de tudo azul. Porque ele é rei...

- Não sei se o Roberto Carlos já perdeu a majestade. Mas que ele é um coroa, isso ele é...

10 de jul de 2009

Caricaturas ao vivo

Humor toda semana na Provincia Online, com caricaturas, frases de efeito e tudo.

Aqui.

6 de jul de 2009

Querido diário... (parte 6 de infinitas)

- Gripe suína? Não peguei. Espero que ela não me pegue.

- Nada comprovado quanto à exploração de crianças por Michael Jackson. Mas a mídia continua explorando uma outra criança, mesmo post-mortem. O próprio Michael.

- A Flip acabou. A literatura continua uma arte para poucos. Chico Buarque que o diga. Poucos símios de auditório na Feira de Paraty devem ter lido um livro dele. Devem ter gasto os tubos para ir à cidade. Com essa grana daria para comprar todos os livros do Chico. E ainda sobrariam uns trocados para as bananas.

- Fora Sarney? Não participei. Ele até poderá sair, mas os outros ficarão.

- Ana Paula Padrão estreou no Jornal da Record. A humanidade ficou seriamente abalada com essa notícia. Se o Cid Moreira fosse para a emissora, estaria em casa. Já gravou pencas de CDs bíblicos. Benza Deus.

- Estou fazendo curso de Radialismo numa unidade do Senac. Vou mostrar que tenho voz em todos os sentidos, inclusive os duplos.

- Aprendi a escrever longamente, e veio o blog. Aprendi a escrever curto e grosso, e veio o microblog. Escrever, pra que? Tome nota disso.

- A Fazenda? Não vi. Sei que tem um monte de animais lá.

2 de jul de 2009

Caricaturas para crianças


Nós (eu, a mãe e a criança) no Teatro Unimep

Nos intervalos do espetáculo musical infantil Hi5 - 5 sentidos, no Teatro Unimep, em Piracicaba, fizemos caricaturas ao vivo para bebês, crianças, mães e pais, nas capas do quarto número do Jornal Caricaras.

Esta performance de caricaturas com o jornal aconteceu graças a uma parceria com a André Diniz Produções, que tem levado peças e musicais de qualidade aos teatros de Piracicaba e região.

A foto acima é do Alexandre Lopes.

1 de jul de 2009

Veias saltando

Impressionante como há gente irada nos blogs da vida. Constatei o fato ao escrever sobre a Banda Calypso, e nas postagens sobre desenhos e desenhistas. "Irada" no sentido literal, não no sentido adolescente. Se bem que a ira nos blogs costuma ser comum aos comentaristas e aos adolescentes. Espécimes parecidos, ou os mesmos.

Imagino uma reação a uma postagem, vinda desses espécimes abundantes na blogosfera. As veias saltando no pescoço. O hálito espumante de ódio animalesco. A vontade de trucidar quem passa por perto, inclusive o gato simês, o cachorro linguiça e a calopsita que escapou da gaiola. Os dedos de chumbo que quase esmagam o teclado do computador, e isso porque a pessoa nem aprendeu a escrever em máquina de datilografar. E o fígado azedo na hora de espremer o cérebro para achar a melhor (ou a pior) palavra para desautorizar definitivamente o blogueiro.

O escrevinhador ousou ironizar, sacanear, desestruturar o dia do pobre usuário da internet.

O passo seguinte será o golpe de estado, a tomada do poder e o encarceramento desses blogueiros atrevidos, subversivos, estraga-prazeres. Até que a conexão cai e a autoridade feminina da vez (mãe ou esposa) chama o menino revoltado para jantar. E o mundo do ser brutalizado pelos blogueiros desumanos cai (mas só até a próxima postagem...)

28 de jun de 2009

Eu na MAD - 6

A revista MAD 15 já está nas bancas.

Estou na edição numa parceria com o Bira Dantas: "Métodos MAD para enfrentar a crise". Eu no texto, ele no desenho. Gostei da nossa tabelinha.

A revista custa 6,50. Sai todo mês pela editora Panini.

27 de jun de 2009

Caricaras na Província

O jornal A Província, de Piracicaba, me marcou profundamente. Era o jornal que eu queria fazer quando crescesse. O jornal que eu gostaria de participar.

Eu queria escrever como o Cecílio Elias Netto, desenhar como o Douglas Mayer e ter a capacidade de dar uma cara tão bonita a um projeto gráfico, como foi feito com o semanário de Piracicaba.

Em tempos mais recentes, A Província migrou para a internet. E agora sou um dos colaboradores do jornal virtual, com a seção de humor Caricaras. Ao lado do Cecílio e do Douglas, semanalmente.

Sonho realizado.

25 de jun de 2009

Querido diário... (parte 5 de quaisquer)

- Está chovendo canivete lá fora. Belo começo de dia. Tirando os canivetes, é tudo verdade. Um It's all true sem Orson Welles.

- Vi dois amigos em tempos diferentes. Um abria uma exposição num bairro simpaticíssimo em São Paulo. O outro estava em casa e eu o visitei. Os dois donos de coleções de CDs imensas. Na exposição, mostrando seus trabalhos num vídeo especialmente feito para a abertura, o primeiro mostrava paredes e paredes e prateleiras e prateleiras de CDs com toda a MPB possível. O segundo me mostrava sua também imensa coleção, tendendo mais para o rock. Os dois amigos são músicos, com certa timidez em assumir publicamente esse dom. Tempos diferentes, estes, em que ter coleção de CD parece coisa de dinossauro recém-extinto.

- Spike Jones é o cara.

- O Senado? Nem falo nada. Tanta gente falando por mim sobre as peripécias do tal senhor de bigode chefe da bagaça. Deixa essa turma falar. E ele também. Em boca fechada não entra mosca, mas o tal senhor não se furta a abri-la. Com bigode tingido e tudo.

- As canções de Noel Rosa entraram em domínio público há alguns meses. Agora é que a MPB não vai sair do lugar.

- Eu como letras ao digitar textos para o blog. É que sempre escrevo na hora do café da manhã. Quando as letras sobram, é arroto. Perdão.

22 de jun de 2009

Humor sem querer

Adoro a Adriana Calcanhotto. Pra mim, das cantoras-compositoras deste Brasilzão de Deus, ela é a melhor.

Seus últimos CDs (Adriana Partimpim e Maré) não saem dos meus ouvidos. Depois do trabalho infantil, Adriana incorporou nas canções novas uma leveza inexistente em seus discos anteriores. Ponto pra ela.

No entanto...

Há uma canção recente, do Maré, que não consigo escutar sem me contorcer em risos ferozes e felizes. É aquela que diz: "... e a montanha insiste em ficar lá parada".

Uai. Que eu saiba, a montanha não tem outra opção, a não ser ficar onde está. Ou tem? Vai saber.

18 de jun de 2009

Querido diário... (parte 4 de inúmeras)

- Erasmo Carlos tem CD novo na praça e no MySpace. Dos velhos roqueiros "made in Brasil", ele me parece o melhor de todos. Assim como há as torcidas Emilinha X Marlene, Chico X Caetano, Charlie Brown X Los Hermanos, há as torcidas Roberto X Erasmo. Quem gosta do Rei, corre o risco de ser enquadrado na categoria dos babacas. Gostar de Erasmo confere automaticamente a qualidade de "gente boa" ao ouvinte. Independente dessas conversas moles pra fã dormir - porque carisma não se explica, se curte - Erasmo Carlos mora nos meus ouvidos. Mora?

- Lula disse que Sarney não pode ser tratado como "pessoa comum". Eu, como pessoa comum, não gostaria de ser tratado como Sarney.

-Minhas companhias no dia a dia são quatro gatos. Toda santa manhã, um deles arranha a porta do escritório, desliza ao mesão próximo à janela, contempla longa e filosoficamente a paisagem e pula a janela. É a maneira de pensar no dia que está começando. Na minha manhã, vou à mesa do computador e escrevo as tarefas do dia na agenda. Mas de vez em quando dou meus pulos do gato.

- Os jornalistas não precisam mais de diploma para exercer sua profissão. A obrigatoriedade do documento foi derrubada pelo STF, em Brasília. Eu, que sou cartunista, comecei minha (pigarro) carreira em redação de jornal. Foi uma bela escola. Depois fiz muitos projetos editoriais sem jornalista por perto, a não ser precisava do tal "jornalista responsável". Cada um tem sua opinião a respeito do diploma na profissão, de acordo com seus interesses ou humores. Já vejo os dedos apontados nos rostos em mesas de boteco.

- Adoro os desenhos do Zé Carioca, aqueles feitos nos anos da Política da Boa Vizinhança. A voz do papagaio era feita por um paulista, músico de Carmem Miranda. Aloysio de Oliveira, também ligado à cantora dos balagandãs, inventou um padrão de locução para os desenhos. Fiquei surpreso ao descobrir, muito tempo depois de ver as animações, que ele ajudou a divulgar a Bossa Nova como produtor e dono do selo Elenco. O homem não era apenas uma voz de desenho animado. Papagaio!

15 de jun de 2009

Querido diário... (parte 3 de outras)

- Acordei. Me cocei. Levantei. Escovei os dentes. Peguei um café. Liguei o computador. Abri a caixa de e-mails. Abri o meu blog. E comecei a escrever esta frase, indignado com esse exibicionismo que assola os blogueiros. Precisa contar o seu dia a dia segundo a segundo aos leitores? Todo mundo está virando manchete de si mesmo.

- Enquanto isso, os cinquenta anos de carreira do Rei vão sendo comemorados com espetáculos iguais em lugares diferentes, nunca com espetáculos diferentes em lugares iguais. Todo dia ele faz tudo sempre igual, e acorda fãs às seis horas da manhã para conseguir ingressos. Céu de brigadeiro, ainda tudo azul para o Rei. Menos com a venda de CDs, ruim para todo artista que um dia já se sobressaiu por suas cifras. E não estou falando de cifras musicais.

- Descobri o blog do Fabricio Carpinejar. Diferente dos cronistas engraçadinhos que sempre deram as cartas na literatura jornalística. O cara faz até consultório sentimental! E não se esconde por trás de pseudônimo. Se bem que esse nome dele já parece pseudônimo...

- Sabe quando a gente se constrange pelos outros? Uma pessoa faz uma asneira e a gente fica sem ter onde enfiar a cara, sendo que a tal pessoa é que deveria ter feito isso? Então. Senti a sensação ao ver um álbum de fotos no Orkut, mostrando uma coleção de quadrinhos. Inteira, foto a foto! Centenas de gibis. Em tempos de opção pela falta de privacidade absoluta, onde o cidadão coloca no Orkut até quantas obturações possui, idolatrar um punhado de revistas deveria ser o menor dos pecados. Mas volto ao começo do tópico, e continuo envergonhado pelo colecionador. Os nerds são desavergonhadamente felizes, eu não sou.

12 de jun de 2009

Querido diário... (parte 2 de algumas)

- No e-mail do Google, há uma janela onde você pode bater papo. Se quiser, pode desativar o recurso de papo e ficar só nos e-mails. Desativando fica o seu nome, uma bolinha cinza antes de seu nome e a seguinte condição: "Invisível". Putz, assim eu fico chateado. Invisível não!

- Desgraça pouca é bobagem. Desgraça muita vende jornal, dá audiência a televisões e faz da nossa vida uma miséria.

- Quem está realmente preocupado com a suposta ida do Gugu à Record? E a confirmada permanência do Faustão na Globo? Assuntos de extrema relevância para a humanidade. A fatia da humanidade que redige revistas e sites de fofocas.

- Meu cabelo, ou o que restou dele, está cheio de pontas. Só o Bozo ficava bem assim: careca no topo do crânio e eriçado dos lados. E o cara era um palhaço...

8 de jun de 2009

Querido diário... (parte 1 de várias)

- As pessoas reclamam da rotina, eu inclusive. Quem reclama da rotina, acaba criando outra rotina. A rotina de reclamar.

- Mês passado, trabalhei que nem um louco. Até aceito o rótulo de louco. Pior é ser chamado de vagabundo.

- Não entendo as pessoas que dizem o seguinte: "Fulano é meu amigo pessoal". Que eu saiba, não há amigos impessoais. Ou há, sei lá. Hoje em dia tem gente que namora virtualmente e nunca se viu mais gorda. E nem menos magra.

- Para algumas milhares de pessoas, novela é vício. Para outras, um barato. Eu acho um porre.

- Quer coisa mais chata que ver alguém se autoproclamar doidinho em roda de amigos e familiares? "Ai, só eu mesmo pra ser louco assim"... Esse tipo de gente deve se imaginar num seriado de TV americano, com as risadinhas ensaiadas ao fundo e tudo.

- Em breve ganho um segundo sobrinho. Definitivamente, sou um tiozão.

- Conheci uma pessoa linda há dias. As nossas óbvias diferenças só ressaltarão nossas aparentes afinidades. O que não é tão óbvio, nem tão aparente. É conviver pra crer.

- Tô até vendo um amigo dizer, com sua risadinha irônica: "O Érico e suas frases de efeito..." Acho que estão mais para frases-defeito.

7 de jun de 2009

Eu na MAD - 5

Na edição de maio da revista MAD (ed. Panini), publiquei uma série de "cartuns fotográficos" com o nome de "Papos animados, objetos inanimados".

Como a revista já saiu das bancas, seguem os cartuns abaixo.







31 de mai de 2009

Escolhendo humor

No dia primeiro de junho, fui mais uma vez jurado do Salão Universitário de Humor de Piracicaba.

O salão, coordenado pelo caricaturista Camilo Riani, é realizado todo ano pela Universidade Metodista de Piracicaba.

O homenageado e criador do cartaz de divulgação é o premiado professor universitário e cartunista DaCosta.

O Salão Universitário será aberto na próxima sexta-feira, 5 de junho, no Campus Taquaral da Unimep. Estarei na abertura desenhando caricaturas ao vivo.

Vale a pena uma visita ao Salão, que a cada ano tem trabalhos cada vez melhores. E divertidos.

28 de mai de 2009

Caricaturas em Sampa

Estarei lançando o número 4 do Jornal Caricaras em São Paulo, no próximo sábado, dia 30 de maio, a partir das 16 horas.

O lançamento será na Associação Cultural Rio Verde, na Rua Belmiro Braga, 119, na Vila Madalena, próximo ao cemitério São Paulo, na capital paulista.

Estarei fazendo caricaturas nas capas dos exemplares do Jornal. Essa será uma das atrações da tarde de lançamento da Rádio da Associação.

Desde já, fica o convite aos amigos e colegas.

Aqui, um mapa de acesso ao local.

E aqui, uma nota no site Universo HQ sobre o lançamento. Vai um agradecimento ao Sidney Gusman por prestigiar este trabalho desde a primeira edição.

22 de mai de 2009

Zé Rodrix

Conheci o trabalho do músico ouvindo "Ilha da Higiene", que ele fez para o especial infantil Plunct-Plact-Zuum, da TV Globo, nos anos 80.

Como muita gente, também ouvi essa maravilha chamada "Casa no Campo". Depois, meu irmão comprou o CD do grupo Joelho de Porco, Saqueando a Cidade, e o solo I Acto. Trabalhos e concepções diferentes, o humor e a poesia em momentos distintos. As duas vertentes se uniram em "Quando será".

Já no novo século, com a febre das listas de discussão na internet, tive contato com a língua ferina e sensata do artista. Cheguei a visitá-lo em sua casa, ele sempre trabalhando freneticamente, sempre gentilíssimo.

No final do ano passado, seu parceiro Guarabyra me convidou para criar a capa do CD de Sá, Rodrix e Guarabyra ainda inédito.

Meses depois, ouvi na Rádio USP FM uma série de programas especiais, conduzidos pelo jornalista Toninho Spessotto, sobre vida e obra do compositor. O homenageado tocou sucessos e canções inéditas. "Onde os anjos não ousam pisar", parceria recente com Etel Frota que ele tocou no programa, me arrepia até hoje.

Cruzei com Zé a última vez neste blog. Ele mandou um e-mail comentando o artigo sobre a Banda Calypso.

E foi só. O que pra mim já é muito.

Tchau, Zé Rodrix.

(O desenho acima é uma caricatura de Sá, Rodrix e Guarabyra, feita por mim pouco depois do retorno do trio. Guarabyra adotou este desenho como ilustração para sua seção de crônicas em um site na internet)

20 de mai de 2009

80 anos de Johnny Alf

Parabéns ao querido músico que me embalou tantas vezes em tantas canções.

O jornalista Pedro Alexandre Sanches rendeu as devidas homenagens ao mestre, aqui. O melhor texto que li até hoje sobre o compositor e cantor.

Também tive a honra de visitar e conhecer Johnny Alf. O registro da visita está aqui.

13 de mai de 2009

Cheirando mal

Estava ontem em São Carlos, procurando um ônibus para a rodoviária da cidade. Andava debaixo de um sol a pino que já me deixava pinel.

Entrei num quarteirão de lojas chiques, uma atrás da outra. Na primeira esquina, senti um cheiro de estrume. Olhei em volta e não tinha nenhum sinal de esgoto entupido, proximidade de um jóquei clube ou mesmo cocô de cavalo espalhado na rua.

Ando pensando demais em metáforas sociais. Pobres limpos, ricos fedendo, esses lugares-comuns. Sol demais na moleira realiza prodígios nos meus neurônios classe-média.

12 de mai de 2009

Caricaturas por aqui e por aí

Em duas semanas, fiz caricaturas ao vivo em lugares diferentes.

Na quarta passada, houve a abertura da exposição dos trabalhos do SketchCrawl Piracicaba, no Sesc da cidade.

A mostra abriu com uma palestra do caricaturista Camilo Riani. Na sequência, houve minha performance caricaturando os visitantes.

No último domingo, Dia das Mães, estive em Turiúba, a 120 quilômetros de São José do Rio Preto.

A prefeitura da cidade me chamou para fazer caricaturas das mães, numa tenda armada especialmente para a ocasião. Claro que os filhos e netos e pais também ganharam seus retratos bem-humorados.

O domingo em Turiúba marcou o primeiro lançamento público do quarto número do Jornal Caricaras, em cujas capas desenho as caricaturas do público.

Em breve, tem mais caricaturas ao vivo por aí. Fiquem de olho na agenda deste blog.

8 de mai de 2009

Cantadas no Faustão?

Tem música minha no site da Garagem do Faustão.

Não sou sertanejo ou brega, não sou pop, não faço rap, não tenho o sorriso do Gianecchini ou as pernas da Ivete Sangalo.

Mesmo assim, se quiserem votar em mim, a família agradece.

7 de mai de 2009

Cantadas exóticas

Gosto de cantores e cantoras, compositores e compositoras, de vozes exóticas, irritantes, caricaturais ou tonitruantes. Ou tudo isso junto e multiplicado por milhões.

Vou lembrar de alguns, e vocês procuram essa turma no Google. Ou em suas lembranças.

Kate Bush. Mario Reis. Guilherme Arantes. Ivan Lins. Lamartine Babo. Ary Barroso. Nando Reis. Carmem Miranda. Moacyr Franco. Johnny Alf. Cazuza.

Benito Di Paula. Tião Carreiro. Pardinho. Sergio Ricardo. Francisco Alves. Vicente Celestino. João Donato. Sting. Herbert Vianna. Mallu Magalhães. Paulo Caruso. Lady Zu.

Tati Quebra Barraco. Carlinhos Brown. Tom Jobim. Joelma. Dalva de Oliveira. Vassourinha. Orlando Silva. Nélson Gonçalves. Lô Borges. Adriana Calcanhotto. Moreira da Silva.

E outros etcéteras. Que não incluem o Caetano, sinto muito.

29 de abr de 2009

O Lobato da minha geração

João Carlos Marinho é o escritor de O Gênio do Crime, livro que me despertou para o humor.

Muita gente leu a obra quando criança, como eu. Num tempo de inexistência do modo politicamente correto de ser, o livro tinha crianças agindo e pensando com a própria cabeça, para desvendar a identidade de um falsificador de figurinhas de futebol.

O ritmo alucinante das frases, a construção das piadas, a cooperação entre adultos e crianças para se resolver problemas, tudo isso marcou a minha personalidade para sempre.

Anos depois, em 1999, procurei João Carlos Marinho para um papo em São Paulo. Para minha felicidade, constatei que o homem de olhos azuis à minha frente era o espelho de seus livros: brincalhão, cultíssimo, fanático por futebol.

Voltei outras vezes ao seu convívio. Um de seus últimos gestos com este cartunista foi o envio do arquivo em Word do seu livro Assassinato na literatura infantil, meses antes de ir às livrarias. Também fez o prefácio para um livro criado por uma molecada, em oficina coordenada por mim.

Neste ano, o livro O Gênio do Crime faz quarenta anos. Como da primeira vez em que conversamos, puxo uma salva de palmas ao escritor que alegrou meus dias de moleque.