12 de nov de 2009

Assento sagrado

Outro dia, eu reclamava das pessoas que, ao me verem nos ônibus em pé, cediam um lugar para que me sentasse. Meu orgulho fervia, mas sempre respirei fundo e agradeci a gentileza.

Hoje, aconteceu a mesma coisa. Mas tenho uma nova hipótese para a gentileza repetida das pessoas em me ceder um assento no ônibus lotado.

Não, não são os olhos verdes e nem o charme deste cidadão. Nem alguns fios de barba precocemente brancos, nem outras explicações menos lisonjeiras.

O motivo das pessoas me darem um lugar no ônibus é o fato de eu portar uma agenda. Aos olhos delas, o livro parece... uma bíblia.

Se não tenho meu lugarzinho garantido no latifúndio celeste, carrego sempre a esperança de encontrar um assento no ônibus de ocasião para o centro da cidade. E levo junto a agenda com cara de livro sagrado, que eu não sou besta.

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