30 de set de 2009

Pé na jaca

Um textinho sem-noção de vez em quando não faz mal a ninguém.

O texto abaixo saiu primeiro num portal de internet regional, extinto no estouro da primeira bolha da internet, em 2001.


O fruto da jaqueira é a jaca, na jaqueira há passarinho, o passarinho voa. O avião voa e sobrevoa e atordoa os passageiros. Os passageiros páram nos aeroportos e compram bugigangas de turista. Os turistas pegam táxis para levá-los aos lugares-comuns, lotados de tantos turistas quanto os habitantes da Terra. A Terra é redonda.

Redonda é a bola de futebol, nem tão redonda quando maltratada pelos jogadores de futebol. O futebol é o esporte das multidões. As multidões, confinadas nas cidades, fazem estragos em massa. A massa de tomate, utilizada pelas donas-de-casa (que geralmente pagam aluguel), faz parte do macarrão nosso de cada dia. Um dia é igual ao outro, por sua vez igual ao anterior.

Anteriormente, os advérbios de modo eram pouco utilizados nesta coluna. Os colunistas são entidades sobre-humanas e, ao mesmo tempo, transbordantes de humanidade. A humanidade é composta de seres humanos, desumanos e animais, racionais ou não. Difícil dizer não quando se é bonzinho.

Bom é comer paçoquinha com tubaína. Tubaína custa um real, em alguns lugares custa menos, supermercados geralmente. Supermercados de bairro estão decadentes após o advento dos hiper-mega-maxi-mercados. Alguns deles construídos sobre destroços de antigos estádios de futebol. O futebol é o ópio do povo. O povo nem sabe o que é ópio, droga muito difundida na Ásia. Aprendi isso num livro do Jules Verne.

Os vermes prejudicam nossa saúde. A saúde é um bem precioso do ser humano. Humanamente impossível acreditar nas utopias. Utopia é coisa de comunista, raça em extinção. O mais é bobagem. O menos é lucidez.

Lúcida é minha mãe, desejosa de ver seu filho trabalhando bastante para ganhar muito dinheiro, para que eu case, tenha filhos e problemas com mulher e filhos. Só as mães são felizes, declamou o poeta. Poeta não serve para nada, só para babar e derramar visgo em castelos de marfim.

Marfim é coisa de elefante. Os elefantes não esquecem. A memória é um bem precioso do homem. O passado está nas suas costas. Casar de papel passado, só a ferro. Todo casado é ferrado.

Ferro na boneca? Falta de educação. Minha educação termina onde começa a sua. Suar, nesse calor desgraçado, é um ato biológico. Biologia, eu quero uma pra viver. Quem é vivo sempre aparece. Apareceu a Margarida, que disse-me-disse haver uma jaca madura no meio do caminho. Caminho Suave, uma cartilha que educou gerações. Espontâneas. Que lindo.

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