31 de ago de 2011

30 de ago de 2011

Do limão, uma limonada. E uma noite de autógrafos


Da Oficina de Livro Infantil feito por Crianças, no último dia 20, saiu o livro-poster Abre a Janela! Feito por elas: das ideias aos personagens, com ilustrações e tudo.

O livro foi lançado neste 30 de agosto, em noite de autógrafos e exposição com os desenhos da Oficina, no Ponto de Cultura Educomunicamos.

Cada criança autografou seu exemplar. E o levou para casa, para alegria dos pais corujas.

Nesta semana, o livro estará disponível integralmente aqui no blog. É só aguardar.

Pronto!


É hoje o lançamento do livro feito com as crianças!
Confira o toque do pessoal do Educomunicamos sobre a programação da noite, abaixo.
"Nessa terça-feira, dia 30/08/2011, no horário de entrega da Rede de Produção e Consumo Responsável de Piracicaba, das 18h às 20h, haverá:

- Noite de autógrafos do livro "Abre a Janela", produzido na Oficina de criação de livro infantil, ministrado pelo cartunista Érico San Juan. Além dos autógrafos, haverá uma exposição com os desenhos feitos pelas crianças (início às 19h).

Piquenique. Compartilhamento, degustação, exposição e troca com os outros consumidores e produtores da Rede.

Local: Sede do Instituto Terra Mater - Educomunicamos! Ponto de Cultura - Rua 13 de Maio, 449, Centro - Piracicaba - F. (19) 3375-0508"

29 de ago de 2011

20 anos de carreira, 20 amigos

A foto de Fabricio Eiras mostra a turma de cartunistas que prestigiou a abertura da minha mostra paralela do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, ontem de manhã.

Depois de tanta emoção, não preciso dizer mais nada.

A não ser que você, leitor desse blog, visite o Salão, a minha mostra e as outras vinte e tantas que compõem o evento este ano.

23 de ago de 2011

CONVITE: Mostra "20 Anos de um Pamonha de Piracicaba" (Salão Internacional de Humor de Piracicaba)

Saiu o convite oficial da minha mostra no Salão de Humor.

Leitores e amigos: sintam-se automaticamente convidados.
E cliquem na imagem para vê-la maior.




Há quem confunda...

... egoísmo com individualismo.

... fantasia com expectativa.

... extroversão com superficialidade.

... timidez com arrogância.

... bondade com ingenuidade.

... hiperatividade com histeria.

... serenidade com inércia.

... reconhecimento com puxada de saco.

... admiração com submissão.

... firmeza com coração duro.

... sensibilidade com choradeira interminável.

... posicionamento enfático com ranhetice.

... mau humor com senso crítico.

... explanação com tagarelice.

... propaganda com aporrinhação.

... especialização com nerdice.

... seriedade com chatice.

21 de ago de 2011

Crianças felizes que não quebraram os narizes

Estou fazendo a edição do livro-poster criado na nossa Oficina de Livro Infantil feito por crianças. Minha e delas.


Os risos insistem em não abandonar minha boca. Risos derivados das gargalhadas emitidas pelas crianças na atividade.

A obra será lançada no dia 30 de agosto, em noite de autógrafos no Ponto de Cultura Educomunicamos, em Piracicaba, às 19 horas.

Em breve, muito breve, divulgarei a capa do livro-poster. Um suspensezinho nunca fez mal a ninguém.

20 de ago de 2011

Sócrates

Há dois anos, eu estava suspirante na Avenida Paulista, em São Paulo.

Tinha feito na cidade tudo o que precisava, o que gostaria, o que não precisava. Uma pena danada ter que voltar à minha cidade em plena sexta à tarde. Resolvi ir ao Conjunto Nacional, na gigantesca Livraria Cultura, esperar o horário do último ônibus de volta.

Na Livraria, fui andar pelos andares todos. Após olhar todos os CDs e DVDs possíveis e imagináveis, fui ao andar do Teatro Eva Herz. Olhei uma placa, que anunciava a transmissão, naquele fim de tarde, de um programa de rádio chamado Fim de Expediente.

Uma vez ao mês, aquele teatro era utilizado pela rádio CBN para acomodar o público do programa, conduzido principalmente pelo ator Dan Stulbach.

Olhei a placa. Ela anunciava a distribuição gratuita de ingressos ao respeitável público dali a... cinco minutos! Sem piscar, me coloquei como um dos primeirões da fila. De graça, até programa de rádio na testa.

Na fila, após meia hora, puxei papo com um casal. Animado por estender um pouco minha estada paulistana, saquei de alguns jornais, onde desenho as pessoas nas capas, e comecei a caricaturar meus interlocutores.

Após as risadas e o agradecimento dos pombinhos pela cortesia inesperada, olhei para trás e presenciei outro ser improvável. O ex-jogador e atual médico, irmão do Raí, ex-craque da Seleção Brasileira de Futebol, estava com duas pessoas numa roda. Era ele... o doutor Sócrates!!

Sou da geração que teve a infelicidade de ver a derrota de uma das melhores seleções do futebol brasileiro pós-Pelé. Em 1982, eu com seis anos, pela primeira vez odiei um jogador de seleção rival. Aquele cidadão que fez a seleção perder nos pênaltis. E fez meu pai cair do telhado e se arrebentar todo, sem conseguir consertar a antena da TV que insistia em falhar.

Após o fiasco de 1982, acompanhei outros trunfos do dr. Sócrates. Um deles, a Democracia Corintiana. Soube que o jogador chegou a gravar um disco - não ouvi o elepê de capa vermelha até hoje. Décadas se passaram. Cheguei a assistir alguns programas que o cantor de um disco só gravou com o jornalista Jorge Kajuru. Aí, perdi o homem de vista. De vez.

E eis que ele se materializava na minha frente, numa tarde paulistana. Com aquele sotaque tão característico do interior de São Paulo, conversando com a mulher e o irmão, com fala ora enfática ora mansa.

Conhecendo o espírito bonachão de muitos interioranos da estirpe socrática, me aproximei do ex-jogador e puxei papo. O barbudo me tratou com uma simpatia digna dos grandes caras. Até aceitou que eu fizesse uma caricatura dele. O que me foi fácil, fácil. Ele é dos tipos que pedem pra ser caricaturados.

Um ou dois comentários simpáticos depois, dirigidos ao meu desenho e a mim, ele se despediu. Entrou no teatro, eu também. Ele como convidado do programa de rádio, eu como platéia.

A simplicidade do dr. Sócrates poderia iludir quem espera pouco de um jogador de futebol, além da bola no pé e no gol. Mesmo ele fosse um analfabeto funcional, o torcedor aqui seria grato pelos momentos de felicidade na Copa de 82, ainda que atenuados com a derrota para a Itália. Só que o ex-craque, no programa, mostrou uma sabedoria, uma cultura, uma preocupação nada demagógica com os rumos do país.

Contei minha lembrança para puxar uma outra torcida. A torcida para que o doutor, nas mãos de outros colegas doutores, tenha uma recuperação à altura da sua humanidade. Quem é craque na vida sempre pode dar um drible a mais nas dificuldades. Dotado de uma bagagem cultural imensa, Sócrates certamente perdoaria o imenso clichê da frase anterior.

15 de ago de 2011

Está chegando! OFICINA DE LIVRO INFANTIL FEITO POR CRIANÇAS - Ponto de Cultura Educomunicamos

O QUE É?
No dia 20 de agosto de 2011, das 14 às 16h, o cartunista Érico San Juan ministrará uma oficina de arte para crianças em Piracicaba, no Ponto de Cultura Educomunicamos.
Na oficina, será feita a criação de um livro ao vivo: história, personagens e ilustrações criados pelas crianças inscritas na atividade.
As crianças são desafiadas a resolver um problema entre os personagens: como tirar um amiguinho da frente do seu computador, levando-o a brincar com elas à luz do sol?
Criada a história e escolhidas as ilustrações, o conteúdo é editado pelo cartunista-orientador no formato livro-poster.
Todos os desenhos produzidos na oficina farão parte de uma mostra no próprio local da atividade.
O livro-poster terá lançamento no dia 31 de agosto, às 19h, em noite de autógrafos com as crianças-autoras.

O ORIENTADOR
Érico San Juan é ilustrador e caricaturista desde 1991.
O autor comemora duas décadas de carreira com uma mostra paralela oficial do Salão Internacional de Humor: "20 anos de um pamonha de Piracicaba". A mostra paralela abre em 28 de agosto, às 10h30, na Casa do Povoador.
Sua primeira atividade para o público infantil foi como ilustrador do Jornalzinho, suplemento semanal do Jornal de Piracicaba, entre 1991 e 1997. Já as oficinas de livros criados por crianças existem desde 2005.
A seguir, alguns desses livros, disponíveis no blog ericosanjuan.blogspot.com:





VANESSA E RAFAEL
Livros criados em oficina para alunos da rede municipal de ensino de Piracicaba, em 2005, na Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”.

Prefácio dos livros pelo escritor João Carlos Marinho, autor dos clássicos infanto-juvenis O Gênio do Crime e Sangue Fresco.


O GRANDE GATO GORDO
Livro-poster criado em oficina na extinta Livraria ParaLer, no Shopping Piracicaba, em 2008.

Capa do cartunista Spacca, autor dos albuns de quadrinhos “Santô”, “D. João Carioca” e “Jubiabá de Jorge Amado” (Cia. das Letras) e ganhador do prêmio Charge do Salão Internacional de Piracicaba (2005).


VIVER É DEMAIS!
Cartilha de segurança no trabalho, ilustrada por filhos de funcionários da Dedini S/A Indústrias de Base (Piracicaba e Sertãozinho, SP), em oficinas de arte realizadas em 2008.





Serviço: OFICINA DE LIVRO INFANTIL FEITO POR CRIANÇAS

ORIENTADOR: Érico San Juan

FAIXA ETÁRIA: 8 a 10 anos

VAGAS: 20

DIAS E HORÁRIOS:

OFICINA: 20 de agosto de 2011 (14 às 16h)
NOITE DE AUTÓGRAFOS: 30 de agosto de 2011 (19h)

LOCAL: Ponto de Cultura Educomunicamos - R. 13 de Maio, 449 – Centro – Piracicaba, SP – F.: 3375.0508

INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES: Somente pelo e-mail: ericosanjuan@gmail.com

INVESTIMENTO: 15 reais (com direito a um exemplar do livro-poster pronto, a ser distribuído às crianças participantes da oficina na noite de autógrafos do dia 31 de agosto, no Ponto de Cultura Educomunicamos)

MATERIAL PARA USO NA OFICINA: Fornecido pelo Ponto de Cultura Educomunicamos

10 de ago de 2011

Elogios

Receber elogio de graça custa caro.

Receber elogio a seco é chover no molhado.

Receber elogio de interesseiro é nada interessante.

Receber elogio de puxassaco é uma pena.

Receber elogio de gente irônica é um insulto.

Receber elogio de gente lacônica é um troféu.

Receber elogio pelas costas é uma punhalada.

Receber elogio de gente tímida é uma súplica para que devolvamos o elogio a ela.

6 de ago de 2011

Ficção barata cheirando a naftalina

Acordou e viu que tinha se transformado num ser insone. Que raiva! A preocupação com o tudo de todo dia não o deixara relaxar e dormir o sono dos justos. Voltar a dormir? Imagina. O jeito era vagar feito zumbi até a calma surgir, retornando enfim ao leito sagrado, junto a anjos, santos, querubins, gnomos, anões de jardim e demais entidades anedóticas.

Andou dez mais dez mais dez passos, rumo à geladeira. Um copão de leite? Um rabanete? Limpeza na geladeira? A molecada andava sujeirando com mostarda o gélido espaço. Uma boa botar as pestes para limpar tudo com a língua, não é?

O achômetro do pai de família captava que a meleca iria atrair a atenção de carismáticas baratinhas, como a que o fitava atenta, numa das prateleiras do congelador, e...

Uma barata na geladeira! Mais essa para implodir o meu dia-noite, pensou o zumbi de ocasião. O bicho não saíra do lugar, esperando que o seu companheiro de treva tentasse alguma reação - chinelada, grito de horror, tapa. Essas coisas que a gente sabe que nunca exterminarão as baratas da face da Terra, mesmo oferecendo às tais a outra face para bater.

Cansada de aguardar e confiante de que nada aconteceria, a barata saltou para o ombro esquerdo do sujeito. A curiosidade matou o gato da casa; mataria também o sujeito do sono perdido? Este procurou se contentar com a idéia de ter aquele absurdo em seu corpo, esperando o próximo passo.

Não demorou o desfecho. A barata saltou ao chão, sumindo atrás da geladeira. E o sujeito? Coube a ele verificar a sensação de pele incendiada no ombro pisoteado. Para quem quisesse conferir, um número carimbado na pele: 13!

Diacho de dor! Procurou um algo-qualquer para aliviar a queimadura... Maldita barata, peste desgraçad... Nem completou a frase. Da geladeira, um exército de antenudas carimbantes rastejou em sua direção.

Nisso, bateu o sagrado instinto de sobrevivência no distinto cidadão. Tratou de se mandar rapidinho, tropeçando nas bugigangas encontráveis pela frente. Ah, se a molecada deixasse seus brinquedos no lugarzinho certo...

Próximo à porta principal, o fulano escorregou num tombaço, conseqüência de um feito anterior da empregada: chão enceradésimo. Mulher cabeça de vento! - foi o derradeiro pensamento da vítima, seguido de cabeça quebrada, comemoração guerreira da barataiada, urros e vivas.

Igual exército de formiguinha em desenho animado do pato Donald, o exército marrom carregou o defunto fresco ao quintal, retalhando o corpo cuidadosamente, para caber direitinho no compact-disc voador. O gato da casa, vítima 12 no cargueiro do pequeno OVNI, cheirava a esgoto - não que esse odor não fosse familiar a uma comunidade baratológica...

Qual seria a próxima vítima? Guerra nuclear poria um fim à tal raça humana, cedo ou tarde; no entanto as baratas, com o extermínio de seres humanos descrito aqui, se anteciparam ao destino. Tinham raça, um exército numeroso, esperar para quê?

Passo seguinte: buscar o número 14. Conforme o plano, na mesma madrugada chegariam à vigésima-primeira vítima. Na casa ao lado, um moleque jogava paciência no computador.

Nessa aventura revolucionária, baratas demonstraram possuir uma certa paciência...

(Texto publicado na seção de crônicas de um extinto portal de internet, a três dias de 2001. O portal acabou, mas consegui gravar os textos da seção. De HD em HD, este texto sobreviveu, feito barata após explosão nuclear)

Tinha Santiago no meio do Caminho

Aviso importante: a primeira pessoa deste texto é absolutamente falsa. Ou não, sei lá.


No meio do caminho, meus pés estacionaram no que parecia ser um restaurante, no meio do deserto. Três dias seguidos de caminhada, morrendo em pé, preferia morrer deitado. Era necessário acreditar na existência de algo, senão a morte viria, sem sombra de dúvida, na aridez do deserto.

Arrastei o corpo ao salão principal do restaurante. Lugar quente pra diabo, pra anjo ou pra qualquer um, o salão trazia uma decoração até interessante, que neutralizou temporariamente o calor do momento. Os quadros na parede sugeriam festas suntuosas, banquetes nababescos, orgias gastronômicas intermináveis. O desejo de sorver apenas um golinho dágua persistia.

E ela chegou. Apresentando-se como senhora Santiago, a dona da esperança. Frase bonita? Que nada: Esperança era o nome de sua filha, disputada por todos os andarilhos, segundo o relato orgulhoso da senhora Santiago. O viajante que vos fala queria comer o que se come normalmente num restaurante, não uma Esperan... bom, esquece.

"A Esperança é a última que morre", exclamou a mãe de Esperança. Até aí, morreu Neves, refleti, o que me relembrou a existência de um estômago pedindo socorro - o meu -, e uma garganta ressequida - a minha. Neves era um bom sujeito, lembrava neve derretida, o mesmo que água... Aquela senhora jamais pararia de falar sobre sua filha, não fosse impedida.

"E a Luz foi feita!", gritou a senhora Santiago. Outra frase-feita, pensei, buscando socorro nos meus desgastados neurônios. Dos fundos do restaurante, trajando um avental amarelado e limpando as mãos, surgiu a tal Luz. Esperança que era bom, never. Nisso, o sinal vermelho de minha velha e boa sanidade piscou, após dias de sol fervente aplicado na moleira.

Postei-me de joelhos diante da velha, implorando por um copo dágua, pelo amor de Nossa Senhora, de Deus, do diabo que a carregue!! Estupefata, a senhora Santiago se mandou para a cozinha, deixando à minha frente uma Luz de olhos arregalados. Era a gota dágua. Desmaiei, faltou Luz nessa hora.

Quando dei por mim, estava deitado sob uma palmeira, esperando minha hora chegar, com esperanças que o relógio do tempo estivesse atrasado. Ao meu lado, um livro de Paul Rabbit, a seguinte frase estampada numa de suas páginas: "O universo conspira para que você realize seu pior pesadelo".

Recorrendo a uma energia inexistente, mandei Paul à ponte que partiu, concluindo que meu sonho, percorrer o caminho de Santiago e encontrar a iluminação espiritual, se tornara de fato um pesadelo. Sem mais delongas, morri. E parti para outro plano, fazer companhia a um tal de Brás Cubas, que morreu de rir da minha desventura contemporânea.

4 de ago de 2011

Com os burros n'água

Antes dos blogs e das conexões de internet a jato, trabalhei num portal de internet na minha cidade.

Por incrível que pareça, fui cronista do portal. Era um trabalho voluntário, porque na última fase do trabalho os investidores mandaram tudo para o inferno. E mandaram a equipe inteira para o mesmo lugar. Eu incluído.

Antes de levar um pé na bunda, publiquei alguns meses na seção Conversa na Praça. Fazia crônicas, contos, charges e outras viagens na maionese. A fábula caipira a seguir, de 2001, saiu nessa seção. Divirtam-se, se puderem.


O caipira respirou o ar puro, pensou em como Deus era bom por lhe dar saúde para dar e vender: a ele, à mulher, aos filhos. Olhou o sol nascendo por trás da montanha, saiu de casa, abriu o portão e alargou o passo em direção ao rio.

O sol, até então calminho e espreguiçante, tratou de cumprir a missão a que fora encarregado por Deus, iluminar a Terra com todo o fervor. O caipira percebeu a quentura e recuou três pernadas. "Esqueci o chapéu em casa, sô!"

Chapéu na cabeça, o caipira voltou à descida para o rio. Pena a violinha estar em casa, senão pegava a malvada, tocava o "Rio de Lágrimas"... , música que a memória do capiau trouxe naquele instante solarento, ensolarado, suarento.

"Vida marvada!", suspirou o nosso personagem, sem o saber um descendente direto de Jeca Tatu, Mazzaropi, Cornélio Pires.

O caipira tirou o fumo do bolso, parou debaixo duma pitangueira, catou o facão, picou o fumo, enrolou, lambeu, fumou. Para enganar a fome, pegou umas pitangas e comeu, enquanto chegava ao rio.

Andou mais um tantinho, desceu um barranco meio barrento e chegou ao filete de água. Uma nascente, na verdade, que o jeca respeitosamente chamava de rio, pois garantia sua água limpinha de todo santo dia. Sentou-se numa pedra, terminou o cigarro de palha, tirou a roupa, tomou banho.

Assobiando algo que julgava ser "Rio de Lágrimas", o caipira se ensaboou. Até que algo surgiu no barranco. Uma cabeça de animal observava o ensaboado. E o caipira nem aí. E a cabeça lá.

O animal, dono da cabeça misteriosa, resolveu não ficar ali, feito bobo-espantalho. Desceu o barranco, escorregando, pois o lugar tava um barro só, e assim chegou ao filete dágua. O caipira, praguejando, se afastou. O quadrúpede entrou no filete e começou a fazer estrepolias com a água, feliz da vida.

Longe, o caipira amaldiçoava céus e terras, animais racionais e irracionais. Estava estragado seu paraíso aquático. Adiantou nadinha acordar cedo para o banho. O jeca dera com o burro n'água, ou melhor... com os burros n'água.

3 de ago de 2011

Ditados Editados

Elogio nos olhos dos outros é refresco?

Ninguém é de ferro. Mas nem por isso se ferra o tempo todo.

Em briga de marido e mulher, não se mete a colher. Dê uma colher de chá a eles, que um dia a briga acaba.

Viva cada dia como se fosse o último. De preferência as segundas-feiras.

Escreveu, não leu... é um analfabeto funcional.

Amigos, amigos. Um negócio à parte.

Vivendo e apreendendo.

O futebol era o ópio do povo. Hoje é o ódio do povo. Ainda mais se a seleção perde.

De boa intenção o diabo está de saco cheio.

Quem ri por último, é porque não casou.

Frases de autoajuda que não ajudam em nada

Um aviso importante.

Não copiei as frases a seguir de livros da Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu ou Paulo Coelho. São minhas mesmo.

Grato pela compreensão.


- O reconhecimento que você tem é sempre relativo. Relativo ao reconhecimento que você dá aos outros.

- O puxassaco é um ser desprezível. Exceto quando você tem um só pra você.

- Seja paciente. Sobretudo com quem se acha o mais paciente do mundo e fica lhe pedindo paciência.

- A vida vai lhe sorrir. Mesmo que seja um sorriso amarelo.

- Quem enche muito a bola de alguém acaba enchendo o saco.

- A vida é um jardim florido. Mas os espinhos da roseira ficam por sua conta, seu folgado.

- A gente chega lá. Nem que esse "lá" seja um "sei lá".

2 de ago de 2011

Humor Internacional de Piracicaba

Saiu a programação oficial da edição 2011 do Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

Entre as mostras paralelas, haverá a comemorativa das minhas duas décadas de carreira: "20 Anos de um Pamonha de Piracicaba".

Clique na imagem para conferir a programação completa. Clique aqui para baixar a programação em detalhes. E anote na agenda a data de abertura do Salão: 27 de agosto de 2011.

A cidade agradece a sua visita.
Os cartunistas do mundo todo também!

Críticas literárias

1)
- Paulo Coelho é um horror!
- Eu acho ele tão bonitinho...

2)
- Adoraria ir com o Paulo Coelho ao Caminho de Santiago...
- Adoraria que ele me levasse pro mau caminho...

3)
- Você viu o livro novo do Chico Buarque?
- Menina, você viu os olhos do Chico??

4)
- Eu aprecio as novelas do Balzac.
- Isso passa em qual horário?

1 de ago de 2011

De novo, o velho Datenão

Outro dia, postei uma caricatura do jornalista José Luiz Datena, que saiu da TV Bandeirantes e foi para a TV Record.

Por razões que a própria emoção desconhece, pouco mais de um mês depois ele saiu da Record. E voltou à Band.

Aproveito e volto a postar a caricatura do homem, agora de corpo inteiro. Mesmo porque ele ocupa toda e qualquer tela, com o peso de sua personalidade.

Fica apenas uma dúvida no ar: o que vai ser do Comandante Hamilton? Este, por enquanto, fica no ar, pelo menos com seu helicóptero. Já o Datenão fica de papo pro ar, enquanto a poeira da mudança vai baixando.

Os trocadilhos repetidos acima são perdoáveis. O blog deste caricaturista é que entrou no clima de repeteco do velho jornalista. Inclusive dando imagem: a dele.