24 de fev de 2011

Vinte anos em dez minutos

Nesta quinta, às dez da noite, rolará um papo sobre meus vinte anos de humor.

Quem me chamou para a conversa foi Cesar Costa, do programa Piracicaba em Destaque.

O programa poderá ser visto ao vivo no site da TV Beira Rio.

Quem puder, prestigie!

22 de fev de 2011

Caricaturas a jato

Um aviso.

O vídeo do link traz caricaturas desenhadas em ritmo acelerado, ao vivo. Porém, a velocidade da execução é essa mesmo. Não há efeitos especiais...

Confira.

16 de fev de 2011

"Melhor idade"? Então tá...



(Uma tira do Dito, o Bendito que tem algo a ver com a crônica aí embaixo)


Histórias de ônibus são legais de ver. Contanto que você não esteja no horário do rush, espremido entre sovacos de odores característicos e demais espécimes animais de presença abundante nesse horário.

Sentado num ônibus, sem escapar do calor característico de fevereiro, a roleta se moveu, deixando aparecer um representante da chamada "melhor idade". No banco à esquerda da roleta, outro representante da nomeada idade melhor exercia o direito de ficar sentado. Só que o senhor deixava um lugar vago perto da janela. Isso vedava qualquer chance de outra pessoa sentar-se ao lado dele.

O senhor que transpôs a roleta deixou de lado a etiqueta. De etiqueta, mesmo, talvez só conhecesse a que costuma vir junto à sua camisa. E tratou de garantir seu direito de sentar-se, empurrando o senhor já sentado, sem qualquer cerimônia.

O senhor sentado ficou uma arara. "Que história é essa de vir sentar sem pedir licença"? O senhor posseiro respondeu com grunhidos, que revelavam sua condição de troglodita ancestral. "Tá pensando que aqui é a casa da mãe Joana?", continuava o senhor ofendido. E o posseiro rebatia xingando a mãe Joana, se é que ela tinha algo a ver com a história.

Saí do ônibus e os dois cidadãos continuavam discutindo. Sentados, exercendo o sagrado direito de ocuparem assentos em veículos de transporte urbano. Um direito garantido de um jeito meio torto, é verdade, mas direito. Democracia é isso aí.

14 de fev de 2011

Ronaldo e os outros reis da barriga

A essa altura do campeonato perdido - Libertadores da América - todo mundo deve estar comentando a atitude do Ronaldo, de tirar o time de campo.

Como muitos desocupados na hora do almoço, vi um trecho da entrevista coletiva do jogador apelidado de Fenômeno.

Fiquei emocionado, não tanto quanto ele, é lógico, mas o clichê do filme de uma vida passando pela cabeça é infalível. Como em todo filme, há quem expurgue as cenas inadequadas.

Cenas em que xingamos o jogador, exigindo dele performances em campo dignas de um Super-Homem. Isso se o habitante de Kripton não for um perna de pau.

Cenas em que criticamos o esportista que amarelou na final verdeamarela de mais uma Copa do Mundo. Como se nós, pobres mortais, estivéssemos imunes a pressões insuportáveis, proclamando de boca cheia que se fosse com a gente, isso não aconteceria.

Como todos os apaixonados, nós, torcedores de um time ou de uma seleção de futebol, não passamos de umas bestas quadradas. E redondamente enganados pelos nossos excessos de fúria e amor, depositados na barriga de churrasco e cerveja, nos domingões de futebol-show.

Ronaldo tinha o rei na barriga, no melhor dos sentidos. Por isso fez tanto por quem colocava sua capacidade de se alegrar nas mãos do atleta.

(A caricatura deste texto, de minha autoria, está exposta no Sesc Piracicaba em tamanho natural, junto às de outras figuras importantes do esporte, até o final do mês. O Sesc e este palpiteiro aguardam sua visita).

13 de fev de 2011

À luz dos últimos acontecimentos

Tenho vivido aventuras incríveis com mulheres em lugares escuros.

A frase aí de cima não é o que você está pensando. Limpe a baba bovina no teclado do seu computador e vá ao próximo parágrafo.

As tais aventuras com o sexo oposto, em locais desprovidos de iluminação, aconteceram de fato. Mas se referem a dois blecautes, em momentos diferentes e mulheres idem.

Um ocorreu ontem mesmo, o outro foi há dois anos. É pelo mais antigo que começo.

Numa noite de terça-feira, devidamente ensardinhadas num carro, três pessoas saíam da cidade de Limeira. Dois homens e uma mulherzinha.

Um dirigia. O outro, no banco de trás, escutava os resmungos da mulher no banco da frente. O motorista rebatia os resmungos à altura da dita senhora, não por acaso sua senhora.

Os resmungos cresceram quando acabou a gasolina do carro, bem na saída da cidade. Não bastasse tamanha mancada, as ruas escureceram por completo.

Uma saraivada de insultos no banco da frente, entre o senhor e a senhora do destino, completaram o tango argentino, mais com cara de moda de viola caipira.

O motorista-cônjuge resolveu ser prático, para alívio dos ouvidos masculinos do veículo, meus e do motorista. Pegou o celular e acionou um amigo da cidade, que ofereceu resgate.

Uma hora de espera, e surgiu o salvador da pátria, com um galão de gasolina e um boletim dos acontecimentos recentes. Agradecemos e seguimos para Piracicaba.

Devidamente depositado na porta do meu lar, me dei conta do silêncio ao redor. É que estava livre dos resmungos femininos de horas atrás. Me senti um iluminado, apesar das ruas ainda às escuras.

O outro apagão aconteceu ontem, na cidade do rio louvado pelo Tião Carreiro.

Num crepúsculo onde o astro-rei ainda expelia raios fervilhantes, assobiei e veio um mototáxi. Vinte minutos de viagem, desci e entrei numa mostra de artes plásticas, uma série de quadros feitos com materiais inusitados.

Composições coisadas com Bombril, misturadas a ratinhos emissores de ruídos engraçados, convidavam o espectador a reflexões. O ser o e nada, a insignificância da condição humana, o lixo que geramos e o lixo que somos, coisas assim.

Reflexões dignas de nota, mas nada que não pudesse ser afogado na primeira rodada de cerveja, servida na própria mostra.

Feitos os elogios de praxe ao amigo artista, me bandeei para uma lan-house. Um lugar no centro da cidade, atrás do terminal de ônibus. Dezenas de computadores no térreo de um edifício.

Mal encostei o traseiro no assento, e o segundo apagão da minha biografia aconteceu.

O centro da cidade foi vítima de uma tempestade daquelas de se segurar nas paredes. E torcer para que as mesmas paredes não fossem levadas pela tempestade.

Numa situação semelhante, alguns ratos costumam abandonar o navio, o que de fato ocorreu. Mas uns poucos marinheiros não arredaram pé.

Foi o caso de uma mocinha curvilínea de olhar castanho-claro. Este rato, zeloso pelo bem-estar da única gata da embarcação, também ficou.

À medida que o tempo passava e a energia elétrica não voltava, os funcionários da lan-house tentavam se informar sobre o apagão.

Carros passavam de faróis acesos. Bombeiros limpavam as ruas com árvores derrubadas pelo vento. E uma senhora invadiu a lan-house para monologar sobre os filhos mais lindos do universo – os dela.

Enquanto pessoas iam e vinham, este escriba tratou de exercitar o que nem sempre as redes sociais conseguem: a arte do diálogo. Entre mim e a dona dos olhos castanhos. É claro.

E dá-lhe observações sobre pessoas passeando com seus cachorros-micróbios pelas ruas, pitacos a respeito de mulheres histéricas gesticulando para o porteiro do edifício vizinho, gracejos sobre coisas a se fazer nos sábados à noite.

As risadas discretas da garota ditavam o ritmo da minha tagarelice. Que teve um fim.

Como a energia que voltava devagar não era suficiente para reativar a lan-house, a gata e os ratos remanescentes tomaram seus rumos.

Apesar do esforço bem-intencionado, o contato imediato com o elemento curvilíneo não rendeu contatos mais demorados naquela noite. Quem nasce para San Juan nunca chega a Don Juan mesmo.

11 de fev de 2011

Noiva, não leia isso, pelo amor de Deus

Viu o título? Eu avisei. Agora aguente, futura senhora Fulano de Tal.

Se casar dá um trabalhão, imagina o trabalho que é fazer caricatura para convite de casamento. Tá, você não imagina, então estamos aqui para contar.

O cliente tem sempre razão, e nenhum trabalhador ajuizado contraria a norma. Num casal, a mulher sempre tem razão.

Ela tem a eficácia para a escolha de seu par. A habilidade para envolve-lo numa aura de romance. A astúcia para faze-lo jurar amor eterno enquanto dure, feito um Vinicius de Moraes de quinta categoria.

E a decisão para coroar as atitudes anteriores: prensá-lo na parede, arrancando do ser amado a data do casamento.

Enxoval preparado, festa marcada, vestido comprado, prestações dos móveis feitas, buffet encomendado, chega a hora do mimo final: o convite! E já que se trata de um casal moderno, com aquele humor de seriado americano tipo Friends, nada melhor que uma caricatura no convite de casamento.

Ideia genial! Por que a noiva não pensou nisso antes? Ora, porque ela precisava ficar neurótica com coisas mais importantes, seu bocó. Bocozices à parte, a noiva sempre tem razão, aprenda isso.

Escolhido o incauto caricaturista para o retrato eterno do casal, começa a tortura... digo, o briefing. Fotos de fim de semana num churrasco, onde o casal está tão descontraído quanto um farofeiro se coçando em praia poluída, são enviadas ao caricaturista como referências para o desenho.

Nesse momento, o caricaturista arma-se de uma paciência infinita para transformar a cliente em Cinderela antes da meia-noite, se é que me faço entender. Você pode não entender, mas a noiva entende. Ela entende tudo.

Após trezentos e trinta e três rascunhos do casal, a noiva está no limite da resistência e o desenhista, no limite do prazo para impressão do convite. A cliente ora reclama que está “feia”, ora se queixa que não tem “um nariz desse tamanho”, ora para que o caricaturista não a transforme em bruxa velha.

Pérolas e mais pérolas semelhantes depois, o artista sentindo-se pressionado como uma ostra fechada, chega-se a um acordo entre as partes, mais pelo cansaço do caricaturista que pela satisfação da noiva.

Convite impresso, casamento consumado, festa acabada e músicos a pé, o casal embarca no cruzeiro pago em reais a perder de vista, como o horizonte a ser contemplado na lua de mel.

E o caricaturista, como prêmio pelos serviços prestados, recebe um cheque para o dia de São Nunca, o protetor dos artistas otários.

Depois desse texto, onde o cliente tem suas razões para ter sempre razão, acho que nunca mais me encomendarão uma caricatura para convite de casamento.

Ou pior: não haverá mulher que me bote na parede para arrancar promessa de casamento.

10 de fev de 2011

O gato que tocava clarinete



Eu gosto de gatos. E gosto de Benny Goodman. O que os dois tem a ver um com o outro? Talvez nada. Só que as duas paixões cabem no mesmo coração: o meu.

Antes que esse assunto de paixões se torne algo digno de uma novela mexicana, deixa eu salvar minha pele e introduzir o porquê dos gostos. Ou dos gatos.

A ilustração acima saiu no Jornal de Piracicaba mês passado. Foi feita para uma crônica de M. Dupont White, escritor que só fala de sua relação com os animais de estimação. Três gatos e um escritor vivendo em Paris, olha que chique.

O texto de White para o jornal falava da peça musical Pedro, o Lobo, composta por Prokofiev há setenta e quatro anos. Os personagens, animais. Claro que na peça havia um gato.

Em Pedro e o Lobo, cada animal afirmava sua identidade por meio de um som. A "cara" do gato, na peça, era o som de um saxofone.

Tendo ilustrado umas três crônicas do escritor, enjoado de desenhar bichanos para as crônicas, resolvi transformar um deles numa versão animal de Benny Goodman, o Rei do Swing.

Goodman é muito conhecido por seu histórico concerto no Carnegie Hall, em Nova York, realizado dois anos após a composição da peça de Prokhofiev, em 1938.

Por incrível que pareça, nos anos 30 do século que passou, o jazz ainda não era metido a besta como nas décadas seguintes. Tratava-se de uma música popular, que tocava no rádio, vendia discos aos milhares e tudo o que mandava o figurino.

Benny Goodman fez seu mais famoso concerto naquele que era o templo da música dos Estados Unidos. Como todo templo, metido a besta. O disco saído da noite no Carnegie Hall, com os músicos e seu líder, entrou para a história do jazz.

Tenho minhas reservas à literatura de White: se você fosse obrigado a desenhar milhares de gatos em poucos segundos, talvez ficasse arretado como este que vos digita.

Mas, como tudo tem um porém, reservo meu entusiasmo infinito para recomendar a audição do clarinete mais famoso da música popular mundial. Um entusiasmo talvez comparável com o que o próprio Goodman conduzia suas apresentações.

Sing, sing, sing, folks! Ou cats?
Ah, chega. Miou o assunto.

Charge é fogo...

Essa saiu no Charge On Line ontem.

9 de fev de 2011

Adivinha o que é

Duas singelas ilustrações para o Jornal de Piracicaba, publicadas no começo do mês.

Um doce pra quem adivinhar qual é o desenho para o caderno infantil e qual é o desenho para a seção de opinião.


8 de fev de 2011

Charges de fevereiro

Nossas charges estão de volta.

A primeira inaugura a produção exclusiva para o site Charge On Line.
A segunda saiu no Jornal de Piracicaba, no sábado passado.




.

7 de fev de 2011

Se elas dançam... eu danço

Pra ir ao cinema sozinho tem que ser muito macho. A última vez que cometi essa façanha foi na sequencia de Tropa de Elite. Na sala de cinema, meus inimigos não eram os políticos que azucrinaram a vida do Capitão Nascimento. Meus algozes atendiam pelos nomes de solidão e raiva. Só estando muito só, e muito danado da vida, pra se atrever a acompanhar um filme desses desacompanhado.

Meses depois, já com Tropa de Elite 2 fora de cartaz, voltei ao cinema com outro estado de espírito. E com uma companheira muito espirituosa ao lado. O filme da vez, Cisne Negro, contou a história de uma bailarina dedicada a ser a estrela do espetáculo homônimo do filme.

Inocente, pura e besta, a garota Nina é cercada por uma mãe dominadora, o diretor do espetáculo, uma bailarina amiga da onça... só gente fina, inclusive as anoréxicas bailarinas secundárias que enfeitam as cenas dos ensaios.

Como toda workaholic sem-noção, a bailarina espera ganhar o papel principal apenas por sua competência, coitada. O diretor do espetáculo tira isso rapidinho da cabeça dela, usando de métodos nada ortodoxos para estimular a bailarina. Os estímulos você confere no filme, que contá-los aqui é sacanagem.

Grudado na poltrona, mas escaldado por décadas de clichês hollywoodianos, cochichei à acompanhante: “Essa menina aí, se quiser ganhar o papel, vai ter que soltar os bichos”. Dito e feito: em meio à tensão do processo, a personagem despeja no lixo todos os seus bichinhos de pelúcia.

Os demônios interiores da balilarina também se manifestam por meio de coceiras nas costas, dedos das mãos em carne viva, ecstasy bebido com uísque na balada, tentativa de suicídio de uma bailarina aposentada bem no nariz da novata. Acontecimentos no limite entre a alucinação e o real. A essa altura, reais mesmo eram o suor, jorrando das minhas mãos, e os olhos tapados da companheira, nas cenas onde o sangue jorrava.

Mesmo com o stress acumulado, e também por causa dele, a bailarina consegue estrelar o Cisne Negro, numa noite antológica. Pena que o filme não tenha um desfecho terapêutico, daqueles para deixar a plateia aliviada.

De chatos, além das cobras e lagartos que cercavam a protagonista, closes na atriz principal pipocavam a todo instante. Um recurso para acentuar a tensão do enredo, claro, só que isso fica com cara de novela da Globo, desculpa aí. E as cenas pareciam filmadas por câmeras com mal de Parkinson, outro recurso para aumentar o nervosismo. Filme é pra provocar emoção no espectador, não úlcera. Perdão de novo.

Nem Tropa de Elite tinha me deixado tão abalado. Olha que escolhi esse filme porque minha companheira da vez começou a fazer aulas de dança de salão...Pra ver filme de balé que mais parece filme de terror, também tem que ser muito macho. De preferência, com uma moça ao lado pra fiscalizar seu eventual escorrer de lágrimas, feito torneira vazando.

4 de fev de 2011

Xis!

Tive o prazer de trabalhar, do começo de janeiro até o dia de hoje, com a moçada do departamento de publicidade do Jornal de Piracicaba.

Olha eles aí: Paulão, Raquel, Rosana, João, Gleici, Sâmea, o dono deste blog, Alex, Maria, Belluco, Angelo e Caio.



No meu momento Don Juan de Marco, distribuí flores às mulheres do departamento. Acho que é por isso que elas estão sorridentes na foto abaixo...



Nessa foto, estou rodeado pela Rosana, Raquel, Francine, Maria, Sâmea e Gleici.

Valeu, moçada!

Charges para o fim de semana

Seguem mais duas charges para o Jornal de Piracicaba. Depois, faço uma breve pausa no blog. Volto logo...


3 de fev de 2011

Cinco mil

Este blog ultrapassou as cinco mil visitas.

Não sei se isso é pouco ou muito.

Porém...

Considerando que este espaço funciona mais no boca a boca virtual, e não na divulgação massiva, é um número de visitas significativo.

Valeu, internautas!

2 de fev de 2011

Prorrogação aos 45 do segundo tempo

Minhas charges no Jornal de Piracicaba irão até sábado. Vão mais duas abaixo.



Teto alto

Olhe essa notícia da Folha OnLine.

Depois me diga se essa manchete tem ou não duplo sentido.

O humor está em toda parte mesmo.

Atualização em 04 de fevereiro: A manchete cômica do link foi modificada. Mas o texto da matéria mantém a graça: "...Com isso sobe também o teto dos imóveis enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida".