3 de abr de 2013

Trabalho e vida

Ontem à noite, fui ao teatro da Unimep, acompanhar uma palestra sobre entrada, permanência e progresso no mercado de trabalho.

José Augusto Minarelli já tinha sido convidado para eventos similares no mesmo teatro. Aos exaustos da labuta diária, era de se esperar maior contenção nas honras da casa ao visitante.

Após tanta pompa e circunstância, uma surpresa: a dispensa de recursos de multimídia, alegria dos adeptos do discurso vazio. Não era o caso de Minarelli, dono de oratória objetiva e consistente. E dono da Lens & Minarelli, empresa de outplacement cuja função transcende a recolocação no mercado de trabalho. 

Contextualizando a situação do trabalhador de ontem e de hoje, explicou o propósito mais amplo de sua empresa: a gestão de saída de profissionais. Nela, os empresários contam com a orientação para "demitir direito", além de oferecer apoio para que os "disponíveis no mercado" encontrem um novo emprego ou comecem um empreendimento.

As mudanças no mundo, segundo o palestrante, fazem com que as pessoas mudem mais de emprego, tenham carreiras mais curtas. A solidez eterna das empresas é coisa do passado. Estas fundem-se, fecham ou se transformam tecnologicamente. Na visão do consultor, atributos a mais para o emprego de hoje são essenciais. A conduta "fora" do trabalho deve nortear a vida "dentro" dele. 

Nos dizeres bem-humorados de Minarelli, prestador de serviço tem que "prestar um serviço que preste com presteza". O consultor convenceu o público que marketing pessoal não é algo nocivo para a carreira. E a tão falada palavrinha da moda ("networking") esteve num contexto aplicado à vida de todos nós, não apenas à carreira. "Pessoas são universos, com conhecimentos, habilidades e relacionamentos. E são um "capital social", em muitos casos, mais valioso que dinheiro".

Outro termo em voga, a "empregabilidade", Minarelli usou para explicar que é a condição cultivada pelo próprio "contratável": eu, você, todos nós. Sendo necessárias competências para competir, MInarelli listou algumas que colocam em vantagem o candidato a trabalhos ou empregos: saber falar, saber ouvir (competência "escassa" entre os profissionais, segundo ele), saber ler, escrever, negociar e persuadir. 

O visitante arrematou suas palavras com outras que, se não deixaram parte do respeitável público apreensivo pelo futuro, deixaram a outra parte satisfeita por estar no caminho certo, tanto no aspecto humano quanto no profissional. Valores, enfim: saber falar e ajudar o próximo, ter fé e saúde, manter relacionamentos, dispor de uma reserva financeira - espécie de dízimo em causa própria para os momentos de dificuldade, emergências e riscos.

No momento do microfone aberto aos presentes, bati em retirada. O pensamento girou em torno de outra palavra-chave: futuro. Que pode pertencer a Deus, mas que está à nossa disposição, junto com a esperança.