28 de dez de 2012

Aplauso para o fundador da Bossa Nova

Recebi hoje o livro "Johnny Alf, duas ou três colsas que você não sabe", autografado pelo jornalista e pesquisador João Carlos Rodrigues. 

Um desenho meu do músico (esse ao lado da capa do livro) está na obra. Estou também nos agradecimentos do autor ao final do volume.   

O livro está à venda no site da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

8 de dez de 2012

Time sem reservas

22 caricaturas recentes de professores do Liceu Terras do Engenho, em Piracicaba. Podem contar.



1 de dez de 2012

Nuca mais

Nunca vi capa de CD mais feia que uma capa onde havia uma nuca. A cantora do CD que perdoe, que ela canta e compõe bem. A proximidade sugerida com o ouvinte, mais do que se imaginaria, a foto sugeriu com louvor. Se a intérprete e compositora desejava atrair a atenção para pessoas fora de seu respetável público, também conseguiu. Mas nuca é algo tão sem fotogenia. Que o diga um colega sapeca-levado-da-breca, que num estúdio de fotografia virou-se de costas para a lente da câmera. E olha que ele não canta nada.
 
Arrepios na nuca podem aparecer em situações-limite. Momentos em que a sensação de prazer inenarrável larga na espinha e rompe a fita de chegada na nuca. Horas em que a tensão narrável nos assalta, correndo-bufando-fugindo pela espinha. Em geral, quando o pescoço está a prêmio, a nuca responde com aquele iceberg que prenuncia um desconforto maior. Como no pressentimento em que o Titanic irá afundar. Na nossa cabeça, pelo menos. Ou no heroísmo do galã do filme-catástrofe.

Tem mais nucas por aí, em outros corpos. O corpo de certos textos. Quem diria que várias entidades, instituições, empresas e quetais adotariam as quatro letras como siglas? Numa pesquisa instantânea no pai-dos-burros virtual, apareceram quatro delas. Nuca é também Núcleo de Cinema de Animação, Núcleo de Conteúdos Ambientais e Núcleo Castor de Estudos e Atividades em Existencialismo.

Sim, nucas existem para além dos limites de um pescoço. Resta saber se outros artistas, da música ou não, continuarão a explorar os limites poéticos do verso da nossa fronte, tão pouco fotogênico.

20 de nov de 2012

De van não vou

A vida de minha geração não foi em van. Foi de kombi.

Aquele carro gigantesco, que andava aos trambolhões. Vinha a lombada, o carro chacoalhava inteiro: os bancos, a lataria, os passageiros. Quantos neurônios perdidos nas viagens em carro de parente.

Crianças não tinham direito à palavra. Mas não dava pra falar nada, o barulho da kombi em trânsito não deixava. No máximo, adultos aos gritos no banco da frente. Aquele banco invejado pela molecada. Estar no comando era ser adulto. Só que com um carro melhor, a gente esperava quando crescesse. Um fusca azul escuro igual ao do pai.

O tempo deixou para trás as kombis, vieram as vans. O adulto aqui entrou em várias, indo e vindo de lugares onde nenhum humano jamais estaria, igual os lugares onde a parentada nos levava de kombi. Van, um carro compacto até demais. Tanto quanto um fusca, que se tornou bettle (e não beatle).

O chato da van é a sensação de sermos sardinha em lata em trânsito. Ou atum enlatado? Pode-se ir a museus, a zoológicos, instituições que todo mundo finge que gosta. Na van, a gente chega a elas com as costelas quebradas. Agora você sabe: o gemido diante da tela do pintor famoso, da exposição da moda, não é de satisfação. É de dor pela viagem inesquecível no veículo nanico.

Não que o fusca azul da família feliz não fosse apertado. Era. Fins de de semana com o carrinho, só dois por mês. Nos outros, o fusca ficava com o sócio do pai. Um carro meio a meio! E a vontade de possuir um fusca amarelo? Um dia, a gente chega lá, pela via das dúvidas. E das dívidas no consórcio. Com direito a lombadas no meio do caminho. E algum avanço no sinal vermelho, mais ou menos autorizado pela musa da vez.

17 de nov de 2012

Um Ponto Final que é só o começo

Tem gente que faz trabalhos na faculdade, depois se lança ao mercado. Eu fui do contra: após 21 anos de carreira como ilustrador, fiz um trabalho para a faculdade.
O trabalho foi criado para o Ponto Final, projeto experimental produzido pelos alunos do último semestre de Jornalismo da Unimep. 
O jornal, anual, sai encartado no Jornal de Piracicaba. O JP, por sinal, me lançou como ilustrador e quadrinhista em 1991, quando eu não tinha idade sequer pra ser universitário.  
Os alunos do curso de Design Gráfico da Unimep colaboraram com o Ponto Final. Eu entre eles. Minha ilustração está na página 6 do jornal, junto à matéria da minha amiga Ana Carolina Miotto. O PDF do jornal completo está aqui.

16 de nov de 2012

Tudo é possível?

"Ai, que tudo!" Tantas vezes essa frase aparece nos ouvidos da gente, com doses de deslumbramento, entusiasmo e histeria variáveis, mas sempre intensas. Afinal de contas, tudo é muita coisa.

Não há elogio mais completo que esse, dizer que alguém é "tudo". É o agrado ideal para começar ou terminar um relacionamento. O efeito da frase "você é tudo pra mim" pode soar devastador, ser um tudo ou nada num namoro. Se houver desconfiança quanto aos méritos de uma das partes, a frase contendo o tudo não valerá nada. Mesmo sendo tudo.

"Tudo" é uma palavra controversa. Alguém já questionou se o X-Tudo tem realmente tudo? Claro que não tem. No máximo, pode ser um X-Muita-Coisa. Honra seja feita: o dono da lanchonete não cobra tudo pelo X-Tudo. Seria muita coisa.

E quando uma pessoa diz que faz tudo por nós? Pode ser um gesto de grandeza, de heroísmo. Talvez de burrice: é provável que a pessoa não seja digna desse tudo. Ou esteja querendo lhe aplicar uma cantada pra lá de barata. Que pode custar caro.

Mas nem tudo são flores nessa vida. Os espinhos fazem parte. Mas não venha querer jogar tudo isso na minha cara.

13 de nov de 2012

As Aventuras do Homem Prendado

FAXINA Dos rodapés ao teto, a limpeza tem que ser completa. Você se debruça no chão para tirar uma poeirinha rebelde, que insiste em não sair do lugar. Acaba tirando, mas a ventania involuntária causada pela vassoura causa a chegada de mais três poeirinhas, talvez parentes distantes da poeirinha original. Eliminadas as principais poeiras, passa-se um pano molhado com desinfetante, para completar a tarefa com louvor, deixando o chão imaculadamente claro de uma vez. Entretanto, outras tantas poeirinhas, agora com cheirinho de pinho, grudam no pano molhado. E a brisa, causada pelo movimentar do rodo envolvido pelo pano úmido, traz outras poeirinhas retardatárias ao ambiente. E toca pegar a vassoura de novo, pra tocar da galáxia as poeiras teimosas. A música da Ivete Sangalo vem à cabeça ("Levantou poeeeeirááá´...). E o vai e vem da limpeza traz ao corpo do faxineiro-de-ocasião um odor insuperável, de atrair imediatamente um gambá apaixonado. 
LOUÇA Dez copos, vinte talheres e trinta pratos depois, você está de alma lavada, porque acabou de lavá-los. Sensação de dever cumprido invadiria seu ser, não fosse a pia ser invadida por mais vinte copos, trinta talheres e quarenta pratos.... sujos. Com a cara lavada, a família acaba de despejar na sua cara a obrigação da hora: lavar a louça do jantar. Isso porque você tinha acabado de lavar a louça do almoço. Melhor você arrumar um emprego como camareiro de hotel. Senão vai sujar pra você.
ROUPA A máquina de lavar roupa é novinha em folha. Você coloca nela quilos de roupas, sabão em pó. Ela roda tudo feito um liquidificador, lhe servindo roupas limpinhas e cheirosas. Só que, na segunda lavagem da história da máquina, você morrendo de pressa pra lavar roupas para vestir em alguns segundos... ela faz birra e deixa de funcionar. Você coloca outra maquina pra funcionar: seu cérebro. E mexe um fio aqui, outro acolá, troca as mangueiras de lugar. Quando tudo parece perdido, chega o outro cérebro da casa, o que funciona. Com um leve tapinha numa das extremidades da máquina, ela volta a ligar. E você aprendeu mais essa lição: máquinas são iguais computadores, se não tratar com carinho... embirram. Se liga, mané!

4 de nov de 2012

Fiapos, cuspes e engulhos em geral

Comer milho é que nem chupar manga. Você sabe que vai ficar com fiapo nos dentes. Os ditos fiapos durarão uma vida na sua boca. Você jamais conseguirá tirá-los.  Uma boca com pedaços de arame farpado entredentes. Todos os palitos e fios dentais de todas as galáxias não bastarão para acabar com o suplício. Mesmo com tamanho infortúnio, que pode ser eterno enquanto dure, você vai e come o milho, a manga e outros alimentos prazerosos porém incômodos.

Tanta coisa que a gente come mesmo assim. Porque mãe manda a gente comer. "Você tem que crescer, tem que comer verdura"! E tem tanta gente aí, criançola, que praticou a sublime pop art do trash food. Sanduíche tem verdura também, tudo bem. Mas em geral coisas proibidas a gente come fora de casa. O que é trash a gente não coloca pra fora, na calçada, pro lixeiro levar? Não por acaso, os restaurantes de sandubas assassinos ficam nas esquinas. Só que os restaurantes levam a gente pra dentro deles, não pra fora.

A gente adoraria colocar muita coisa pra fora. Mas engole. A introdução de anfíbios goela abaixo é algo corriqueiro em tempos tortuosos. Furacões com nomes de cantoras de sotaque-pop-com-crise-dos-30 abundam. E cantoras com sotaque-pop-etc-e-tal adorariam ter o impacto de furacões, na cena abundante da música atual. Já o cenário atual fabrica pântanos e lagoas para farta reprodução dos batráquios verdejantes. Se não houver condições para reprodução dos sapos, de que forma conseguiremos ingeri-los? Afinal de contas - e das contas que chegam sem parar - o equilíbrio ecológico deve ser mantido.

Engolir sapos, mais que uma necessidade da natureza, é esporte nacional. E a natureza do brasileiro, encarar esporte como se fosse batalha? Queria ver o brasileiro médio, do alto de sua barriga de churrasco e cerveja, encarar o desafio do futebolista médio ganhador de um salário baixo. Esse torcedor é capaz de torcer o pescoço do escravo dos campos: esse que pode ganhar uma partida mas mal ganha pra comprar um tênis da Nike. O mundo não é só feito de jogadores fantásticos que suam a camisa pra emagrecer. Aliás, nem é composto tão-somente de torcedores mimados e ébrios.

Antes que a maionese desses palpites azede, atraindo mosquitos em toda a cozinha onde a picanha esfriou, é melhor meter o pé na estrada, que o feriadão acabou. Com fiapo no dente e tudo.

3 de nov de 2012

Tutti de novo

Saiu a nova edição da revista Tutti Condomínios (MBM Escritório de Ideias).

A revista traz o registro da minha participação no Encontro Bem Viver, como caricaturista dos palestrantes da noite. 

Matéria e fotos sobre o Encontro nas páginas 14 a 17. 

A nova Tutti pode ser lida aqui.

1 de nov de 2012

Crepúsculo de um jornal

Última capa do JT
Fim do Jornal da Tarde. No último dia 31, circulou a última edição.

Editado pelo Grupo Estado, do jornal O Estado de S. Paulo, teve uma trajetória de quase quatro décadas, iniciada pela equipe de Mino Carta, hoje diretor da revista Carta Capital. 

Não fui leitor assíduo do JT. Mas lembro de uma capa com ilustração do mestre Roberto Negreiros, onde Paulo Maluf dançava ao modo de Gene Kely, ao redor de um poste.


Da história recente do Jornal da Tarde, lembro da polêmica envolvendo o editor Julio Maria, o cantor Zezé di Camargo e meu amigo Diogo Salles, um chargista de mão cheia.

Aliás, conheci o Diogo num episódio curioso.

Fui fazer uma vista à redação do Estadão, para bater um papo com os desenhistas Eduardo Baptistão, que ia conversando comigo enquanto trabalhava, e o Carlinhos Muller, que me levou para um papo regado a café.

Nessa tarde, o Diogo tinha marcado uma visita a um dos editores do Jornal da Tarde. Seis meses depois, seria admitido como chargista.

Não sei se a morte de um jornal diz algo à Geração Facebook. Mas a mim, um dos que cresceram com um jornal nas mãos, e que em várias ocasiões trabalhei para essa mídia, diz muito.

RIP JT. E um grande abraço aos meus amigos do traço, que ainda acreditam na força dos impressos. Por serem apaixonados por eles.

30 de out de 2012

Duda & Rangel

Momentos sublimes numa estadia rápida em terra paulistana
1 - Chegada ao local de um show, após intensa correria em metrôs e trens. E, no local do show, arquejante e esbaforido, a descoberta: o show aconteceu no dia anterior.
2 - Chegada a um hotel, após a correria toda. Em plena madrugada, na cozinha, tentativa de abrir uma embalagem de tempero de macarrão instantâneo com os dentes. Não conseguindo, nova tentativa de abertura da mesmíssima embalagem com uma faca do hotel. Uma faca sem dentes.
3 - Dia seguinte, numa grande livraria, seção infantil, mãe zelosa diz ao filho pequeno, naqueles espaços tipo casinha de árvore: "Pai e mãe não devem se divorciar".
4 - Saindo da livraria, um miado corta a atmosfera discreta do ambiente. Miado de um felino encoleirado. A dona do bicho teve a ideia de levar o animalzinho pra passear. Aflito, o bicho tentava se livrar da coleira, enquanto sua dona o deixava parado, pra esperar ele "acabar" de miar.

Momento REALMENTE sublime na mesma estadia rápida em terra paulistana
- Abraço nos amigos Anderson & Emerson Couto, que lançaram nesse sábado "A vida de jornalista como ela é". O livro é uma coletânea do blog Desilusões Perdidas, cujo "autor" é o jornalista Duda Rangel, personagem criado pelos irmãos.

(Por sinal, antes de chegar ao lançamento da obra, vi uma cena que escritor adora mas quase nunca vê: um leitor, no trem, lendo e rindo com o novo livro).

19 de out de 2012

Descoloridos

É um bom exercício: desenhar em preto e branco personagens que você só olha em cores. Não dou dez anos pra Joelma e Chimbinha se tornarem cult. Não sei se com o aval do Caetano, mas serão.



14 de out de 2012

Tufão, o bufão

Eu sei quem é o Murilo Benício. Não sabia quem era o Tufão. Fiquei sabendo, aí fiz essa caricatura do personagem. E do ator, né.



6 de out de 2012

Obrigado, Guaíra!

Alta temperatura em Guaíra, interiorzão de São Paulo. Não só pelo calor, mas pela emoção da minha Menção Honrosa em Caricatura no Salão de Humor da cidade. Com o "meu" Ratinho.

Meus desenhos de Nara Leão e Elton John também foram selecionados.

Os desenhos escolhidos para o Salão (e Salãozinho) de Humor de Guaíra estão no Centro Cultural Colorado, mantido pelo Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça. 

A foto é do colega de traço Eder Santos.


1 de out de 2012

Caricaturas e andanças














Aqui, ali e acolá, estivemos com nossas caricaturas ao vivo, em setembro.

Primeiro, no Clube de Campo de Piracicaba. Depois, no Encontro Bem Viver, promovido pelo MBM Escritório de Ideias. Em seguida, no Liceu Terras do Engenho, na feira do livro da escola. No final do mês, marcamos presença na inauguração do McCafé, no Shopping Piracicaba.

A foto do Clube de Campo é de Edson Rontani Junior. Alessandro Maschio fotografou o Encontro do Bem Viver.  

21 de set de 2012

Humor e Interatividade - 2



Na noite de 20 de setembro, na faculdade Anhanguera, em Piracicaba, cerca de cem pessoas prestigiaram a palestra "Humor e Interatividade". 

Após minha fala e a exibição dos slides com meus trabalhos, respondi às perguntas dos alunos do curso de Publici
dade e Propaganda da instituição. E fizemos uma rápida sessão de caricaturas ao vivo com os estudantes.

Muito obrigado ao Maurici Scarpari, à Cristiane Sanches e à Anhanguera, que deram um voto de confiança valioso ao meu trabalho.


As fotos são de Fabio Andrade.

14 de set de 2012

Humor e interatividade

Estarei na quinta Semana da Publicidade e Propaganda da faculdade Anhanguera de Piracicaba. Confira a programação. Quem puder, apareça na minha palestra. E em todas as outras, é claro.



30 de ago de 2012

Dando as caras ao vivo

Desde 2008, estou no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, de agosto a outubro, fazendo caricaturas ao vivo, em todos os fins de semana do evento.

As pessoas sentam à minha frente, pego um exemplar do meu jornal de humor Caricaras, com a capa com um espaço em branco, e as desenho nesse espaço.

Após dois minutos de suspense, pego o jornal com o desenho na capa e entrego à pessoa.

Essa ação rápida e aparentemente simples eu faço há sete edições, cada uma com mil exemplares. Portanto, as caricaturas nas capas do jornal Caricaras se aproximam das sete mil já criadas.

A foto ao lado foi feita por meu amigo Edson Rontani Junior, presidente do Salão Internacional de Humor desse ano, em 25 de agosto, no Engenho Central, em Piracicaba.

28 de ago de 2012

Tutti buona gente

Estou na revista Tutti Condomínios de agosto, da MBM Escritório de Ideias. Sou o entrevistado da página 18.

Ronaldo Victória é o repórter, Alessandro Maschio é o fotógrafo, Cristiane Sanches é a editora da publicação, Bruno Chamochumbi é o diretor da Tutti e da MBM.

A revista é distribuída em 100 condomínios em Piracicaba. A edição virtual pode ser lida aqui.

23 de ago de 2012

Ô loco, meu!

Momento "arquivo confidencial", antes do bate-papo sobre a revista Fade Out, na Unimep, em Piracicaba. Não rolou choro, mas quase.

De 1991 a 96, meu primeiro trabalho como ilustrador foi num suplemento infantil. Nos quadrinhos, inventei a 
turma do peixe Leco. Uma das crianças que curtiam o personagem era o Marcelo Maiolo.

Colorista de mão cheia, a serviço de editoras como a DC Comics, Maiolo se fez com seu esforço e seu talento.

Nessa quarta, presenteei o cara, na Unimep, com um original da tira que ele lia na infância.

Valeu demais, Maiolo!

16 de ago de 2012

Fotos das Caricaturas de Ninguém

Exposição encerrada. Segue o registro fotográfico dela, com legendas e tudo. Para maiores detalhes, segue essa matéria aqui.



Entrada do Restaurante Lisboa. Painel de abertura com texto de Fábio San Juan sobre a exposição. E o "currículo vital" do autor dos desenhos: este que vos digita.


Livro de presença da exposição. Muitos "alguéns" que me honraram com sua presença. 



Painel que fez a ligação entre todos os desenhos da exposição. 



Parede imensa do Restaurante Lisboa, onde os vinte trabalhos da exposição estiveram por uma semana (8 a 15 de agosto). 


Visão de alguns trabalhos, entre os quais o desenho original do cartaz da exposição.




Mais um trabalho da exposição, em duas cores. 




Visão de mais um trabalho, em foto que quase me fez quebrar a bacia.




Um dos palhaços da série de palhaços da exposição. Esse em cores.

29 de jul de 2012

Agosto anormal

Em agosto, algumas novidades deste cartunista: 
- Nova exposição de caricaturas (segunda semana do mês)
- Lançamento de novo livro infantil na abertura do Salão Internacional de Humor de Piracicaba (última semana)

A exposição terá uma abertura um pouco diferente do normal. E o livro infantil também tentará abordar um tema de um jeito um pouco diferente do normal.

Um agosto fora do normal, portanto. Ao menos pra mim.

22 de jul de 2012

A elegância do exagero

Caricaturista que se preze tira o chapéu pra esse mestre aí. E se não tiver chapéu, compra um. 
Minha homenagem a Cássio Loredano.

16 de jul de 2012

Ivan Lins, agora e sempre

"Meu problema é de piano". O trocadilho é de Tom Jobim, que adorava a mãe mas curtia um piano, o que o mundo inteiro sabe. Um pianista popular, cancionista de primeira que se tornou o segundo Tom Jobim do mundo, é Ivan Guimarães Lins.

Curto Ivan desde criancinha. Desde o tempo em que "curtir" não era  verbo de rede social. Ouvi primeiro a fase dos hits infalíveis das novelas da TV Globo. Um sucesso de 1985, Vitoriosa, saiu naquele disco de capa de fundo vermelho. Ivan de blaser e mãos nos bolsos, pose jovial e óculos redondos, cara amigável e sorriso terno sem gravata. 

Este que vos digita arregalava os olhos para o erotismo da letra de Vitor Martins. Em 85, tesão não era algo declarável abertamente em letra de canção popular. Mesmo sendo um tesão elegante.

Naqueles anos de Nova República - com morte de presidente antes da posse e vice assumindo o pais de barba, cabelo e bigode - Ivan Lins adaptava-se ao pop-rock predominante no mercado de discos. Os hoje  lendários elepês, os vinis. A banda do pianista tinha teclados, guitarra, baixo e bateria.

A voz estridente, o entusiasmo, a intensidade e as caretas nos palcos renderam ao artista uma fama injusta de exagerado. Pensar que Ivan, nos três primeiros elepês da carreira, se esforçava pra cantar ao estilo Motown, rasgando a voz. E nessa época, que eu saiba, o "exagero" interpretativo era moda.

Já adulto, descobri o primeiríssimo disco de Ivan. Nem imaginava que ele tinha investido num som suingado, bem antes da fase pop-80: precisamente em 1970. E nunca pensaria em achar o elepê "Agora" perto de um poste, junto a outros vinis, largados por um vizinho antimusical. Foi assim, de um jeito meio empoeirado, que tomei contato com a obra inicial do carioca.

O disco "Agora" tem o sucesso que faria a cabeça de Elis Regina e Sarah Vaughan: Madalena, parceria de Ivan com Ronaldo Monteiro. O amor é meu país, também com Ronaldo, revelaria o "cantautor" para o Brasil, num festival da canção da Globo. E a pérola que me faria eleger o elepê como favorito é Corpo-folha ("qual seu corpo solto por aí..."), outra canção com o parceiro da época.

Aos poucos, entre visitas e espirros em sebos de vinis, comprei aqueles elepês com capas duplas de Mello Menezes, o ilustrador da "fase política" de Ivan, fase em que o barbudo quatro-olhos juntou-se a Vitor Martins, barbudo bom de caneta. Alguns anos adiante, eles se juntariam para criar uma nova gravadora, a Velas. Nesse momento de fim dos anos 70, porém, eles ficariam na música. Ou melhor, nas músicas: A noite, Desesperar jamais, Ituverava, Qualquer dia, Um novo tempo... 

Desse tempo, haveria um episódio marcante envolvendo o carioca e minha cidade, Piracicaba. Em 1978, na inauguração do principal teatro da terra da pamonha, houve um espetáculo de Ivan. Na música Somos todos iguais nesta noite, ele chamou ao palco os operários, construtores do lugar. Quando me contaram o episódio, as lágrimas correram. O rosto do chorão aqui parecia o Rio de Lágrimas do Tião Carreiro.

O compositor voltaria aos meus ouvidos com os CDs da trilogia "Vivanoel". Com típico entusiasmo, descrito nos encartes pelo jornalista João Máximo, Ivan gravaria Noel Rosa, sambista-mor desse Brasilzão de Deus. Assim, de prima, lembro de Onde está a honestidade e Seja breve como as gravações mais engraçadas dos discos. E de Meu sofrer e Para atender a pedido, como as mais pungentes.

A partir de sua "descoberta" por Quincy Jones, produtor de Michael Jackson, Lins começou uma caminhada rumo ao sucesso globalizado, ocupando espaços outrora exclusivos de Tom Jobim. A sofisticação do cancioneiro do autor de Abre-alas rendeu a este a condição de novo clássico da new bossa.

Mesmo com esse trânsito pelo mundo, ele continuaria a gravar CDs dedicados ao gosto brasileiro. O disco natalino "Um novo tempo" não é obra descartável ou irrelevante, sina que parece perseguir os discos natalinos. Papai Noel de camiseta, de Celso Viáfora, abriria caminho para a parceria de Ivan com o paulista, que culminaria no CD "A cor do por do sol", de 2000. Na minha modesta condição de tiete, confesso adoração absoluta por essa obra.

Uma amostra recente do Ivan bossanovista está em "Íntimo", de 2010. "Intimate" é o nome original do trabalho, feito para ouvidos internacionais. Mas o artista resolveu presentear os fãs brasileiros, lançando o CD aqui, via Som Livre. A voz sussurante do sessentão junta-se às vozes e instrumentos de Jane Monheit, Laura Fygi, Alejandro Sanz, Jorge Drexler, entre outros artistas "made in world". O repertório traz canções recentes (Dandara, dele com Francisco Bosco; Sou eu, dele com Chico Buarque), misturadas às novas parcerias com Vitor Martins (Arrependimento e Tanto amor).

Meu último contato com Ivan Lins se deu além da audição constante das suas canções. Há sete anos, resolvi fazer uma caricatura do cidadão. Munido do pior lápis que um desenhista poderia empunhar, fiz o melhor desenho que pude fazer. Há meses, tirei o desenho dos meus arquivos. E fiz o que jamais imaginaria nos meus tempos de timidez: mandei uma cópia do "meu" Ivan ao Ivan real. Este respondeu com a maior realeza possível, a gentileza dos mestres. E agradeceu em seu Facebook oficial.

Além da caricatura, deixo ao Ivan esse artigo, como um abraço e um agradecimento por tantas canções, tanto acalanto, tanta vida, tanto piano.

11 de jul de 2012

Um desenhista da paz

É raro que eu fale de outros caricaturistas aqui. Afinal, o blog é meu, existe para mostrar o meu trabalho. Quando comento outros artistas, é para falar de CDs, livros ou espetáculos deles. Mas sempre há uma exceção. Nesse texto, a exceção honrosa chama-se Eduardo Ferreira Grosso. 

Apesar do nome que sugere uma pessoa cascuda, Edu Grosso é caricaturista de fino traço. Fino traço que acompanho desde os treze anos de idade, quando ele já trabalhava na secretaria de cultura de Piracicaba, elaborando material gráfico para os eventos da prefeitura. E eu era apenas um aspirante a cartunista. 

Nosso contato inicial, em 1989, se deu numa oficina de quadrinhos de Jal e Gualberto para o Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Mas a amizade viria algum tempo depois, já no novo século, em 2001, quando larguei um espaço garantido de criador de tiras no principal jornal da minha cidade, o Jornal de Piracicaba. Mudei para um jornal menor, mas que oferecia um espaço maior: uma página semanal de humor em cores. O jornal era - e ainda é - a Tribuna Piracicabana. A página se chamou Rio.

Durante dois anos, publiquei a mim mesmo e a outros cartunistas nesse espaço. Foi na página que Edu Grosso pode expor, pela primeira vez na imprensa, suas caricaturas requintadas em cores ou em preto e branco, além de seus cartuns sem palavras. 

Antes, Eduardo tinha espaços garantidos em salões de humor, ganhando prêmios e fazendo mostras paralelas nos eventos. A lista de lugares onde expôs seus trabalhos é extensa: Piracicaba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Piauí, Ribeirão Preto, Volta Redonda, Pernambuco, Belo Horizonte, Itália, Japão, Bélgica, Irã, Coréia, Turquia e Portugal. 

Edu Grosso tem presença rarefeita em veículos impressos, dada sua discrição. Após o período na página de humor editada por este que vos digita, publicou cartuns e caricaturas no principal jornal de sua cidade natal: o jornal de onde saí para fazer a página Rio. Atualmente, coordena um dos mais famosos salões internacionais de humor do planeta: o de Piracicaba. Por esse motivo, o artista acabou se recolhendo um pouco mais que o habitual. 


Mas Edu não deixa de aceitar convites para mostras temáticas. A última foi a convite do Salão Universitário de Humor da Unimep, que reeditou "Herois da Paz", criada por Edu para a trigésima terceira edição do Salão Internacional.

No ano de 2006, o MovPaz, movimento de nome autoexplicativo, esteve em Piracicaba. E o caricaturista, identificado com a causa da paz mundial e com o movimento, resolveu criar uma série de caricaturas gigantes de líderes mundiais: políticos, cientistas, humanistas, espiritualistas. Tudo em grandes dimensões, tal como o gigantismo da cultura da paz. Paz que o próprio desenhista tem dentro de si, e a transmite nos papos com qualquer pessoa.

Os originais das caricaturas, em pincel, são digitalizados e ampliados. Em seguida, plotados, recortados e adesivados. O traço é em preto e branco, os fundos são em cores de tons ora suaves, ora saturados. Na mostra, os rostos são acompanhados de brevíssimos textos biográficos a respeito dos retratados.

A segunda "encarnação" da mostra "Herois da Paz" permanece no Centro Cultural Marta Watts, em Piracicaba, nesse mês de julho. Agora é esperar outra raríssima oportunidade para Edu Grosso mostrar seu talento de observador sensível e artista de imensa estatura, muito além da sua centimetragem corporal.  

(Fotos da postagem: Edson Rontani Jr.)

VídeoCaricaturas

7 de jul de 2012

Cabeças da minha cabeça

Minha nova mostra está confirmada para agosto. A exposição trará caricaturas imaginárias, feitas nos intervalos das caricaturas desenhadas ao vivo em eventos. Os desenhos foram feitos com caneta esferográfica, material que uso desde criança nos desenhos "de gaveta". E em papel jornal.

6 de jul de 2012

Caricaturas de caricaturistas

De vez em quando, desenho outros amigos caricaturistas, geralmente nos aniversários deles.
Os desenhistas abaixo são o Paulo Branco e o Rico.