29 de jul de 2012

Agosto anormal

Em agosto, algumas novidades deste cartunista: 
- Nova exposição de caricaturas (segunda semana do mês)
- Lançamento de novo livro infantil na abertura do Salão Internacional de Humor de Piracicaba (última semana)

A exposição terá uma abertura um pouco diferente do normal. E o livro infantil também tentará abordar um tema de um jeito um pouco diferente do normal.

Um agosto fora do normal, portanto. Ao menos pra mim.

22 de jul de 2012

A elegância do exagero

Caricaturista que se preze tira o chapéu pra esse mestre aí. E se não tiver chapéu, compra um. 
Minha homenagem a Cássio Loredano.

16 de jul de 2012

Ivan Lins, agora e sempre

"Meu problema é de piano". O trocadilho é de Tom Jobim, que adorava a mãe mas curtia um piano, o que o mundo inteiro sabe. Um pianista popular, cancionista de primeira que se tornou o segundo Tom Jobim do mundo, é Ivan Guimarães Lins.

Curto Ivan desde criancinha. Desde o tempo em que "curtir" não era  verbo de rede social. Ouvi primeiro a fase dos hits infalíveis das novelas da TV Globo. Um sucesso de 1985, Vitoriosa, saiu naquele disco de capa de fundo vermelho. Ivan de blaser e mãos nos bolsos, pose jovial e óculos redondos, cara amigável e sorriso terno sem gravata. 

Este que vos digita arregalava os olhos para o erotismo da letra de Vitor Martins. Em 85, tesão não era algo declarável abertamente em letra de canção popular. Mesmo sendo um tesão elegante.

Naqueles anos de Nova República - com morte de presidente antes da posse e vice assumindo o pais de barba, cabelo e bigode - Ivan Lins adaptava-se ao pop-rock predominante no mercado de discos. Os hoje  lendários elepês, os vinis. A banda do pianista tinha teclados, guitarra, baixo e bateria.

A voz estridente, o entusiasmo, a intensidade e as caretas nos palcos renderam ao artista uma fama injusta de exagerado. Pensar que Ivan, nos três primeiros elepês da carreira, se esforçava pra cantar ao estilo Motown, rasgando a voz. E nessa época, que eu saiba, o "exagero" interpretativo era moda.

Já adulto, descobri o primeiríssimo disco de Ivan. Nem imaginava que ele tinha investido num som suingado, bem antes da fase pop-80: precisamente em 1970. E nunca pensaria em achar o elepê "Agora" perto de um poste, junto a outros vinis, largados por um vizinho antimusical. Foi assim, de um jeito meio empoeirado, que tomei contato com a obra inicial do carioca.

O disco "Agora" tem o sucesso que faria a cabeça de Elis Regina e Sarah Vaughan: Madalena, parceria de Ivan com Ronaldo Monteiro. O amor é meu país, também com Ronaldo, revelaria o "cantautor" para o Brasil, num festival da canção da Globo. E a pérola que me faria eleger o elepê como favorito é Corpo-folha ("qual seu corpo solto por aí..."), outra canção com o parceiro da época.

Aos poucos, entre visitas e espirros em sebos de vinis, comprei aqueles elepês com capas duplas de Mello Menezes, o ilustrador da "fase política" de Ivan, fase em que o barbudo quatro-olhos juntou-se a Vitor Martins, barbudo bom de caneta. Alguns anos adiante, eles se juntariam para criar uma nova gravadora, a Velas. Nesse momento de fim dos anos 70, porém, eles ficariam na música. Ou melhor, nas músicas: A noite, Desesperar jamais, Ituverava, Qualquer dia, Um novo tempo... 

Desse tempo, haveria um episódio marcante envolvendo o carioca e minha cidade, Piracicaba. Em 1978, na inauguração do principal teatro da terra da pamonha, houve um espetáculo de Ivan. Na música Somos todos iguais nesta noite, ele chamou ao palco os operários, construtores do lugar. Quando me contaram o episódio, as lágrimas correram. O rosto do chorão aqui parecia o Rio de Lágrimas do Tião Carreiro.

O compositor voltaria aos meus ouvidos com os CDs da trilogia "Vivanoel". Com típico entusiasmo, descrito nos encartes pelo jornalista João Máximo, Ivan gravaria Noel Rosa, sambista-mor desse Brasilzão de Deus. Assim, de prima, lembro de Onde está a honestidade e Seja breve como as gravações mais engraçadas dos discos. E de Meu sofrer e Para atender a pedido, como as mais pungentes.

A partir de sua "descoberta" por Quincy Jones, produtor de Michael Jackson, Lins começou uma caminhada rumo ao sucesso globalizado, ocupando espaços outrora exclusivos de Tom Jobim. A sofisticação do cancioneiro do autor de Abre-alas rendeu a este a condição de novo clássico da new bossa.

Mesmo com esse trânsito pelo mundo, ele continuaria a gravar CDs dedicados ao gosto brasileiro. O disco natalino "Um novo tempo" não é obra descartável ou irrelevante, sina que parece perseguir os discos natalinos. Papai Noel de camiseta, de Celso Viáfora, abriria caminho para a parceria de Ivan com o paulista, que culminaria no CD "A cor do por do sol", de 2000. Na minha modesta condição de tiete, confesso adoração absoluta por essa obra.

Uma amostra recente do Ivan bossanovista está em "Íntimo", de 2010. "Intimate" é o nome original do trabalho, feito para ouvidos internacionais. Mas o artista resolveu presentear os fãs brasileiros, lançando o CD aqui, via Som Livre. A voz sussurante do sessentão junta-se às vozes e instrumentos de Jane Monheit, Laura Fygi, Alejandro Sanz, Jorge Drexler, entre outros artistas "made in world". O repertório traz canções recentes (Dandara, dele com Francisco Bosco; Sou eu, dele com Chico Buarque), misturadas às novas parcerias com Vitor Martins (Arrependimento e Tanto amor).

Meu último contato com Ivan Lins se deu além da audição constante das suas canções. Há sete anos, resolvi fazer uma caricatura do cidadão. Munido do pior lápis que um desenhista poderia empunhar, fiz o melhor desenho que pude fazer. Há meses, tirei o desenho dos meus arquivos. E fiz o que jamais imaginaria nos meus tempos de timidez: mandei uma cópia do "meu" Ivan ao Ivan real. Este respondeu com a maior realeza possível, a gentileza dos mestres. E agradeceu em seu Facebook oficial.

Além da caricatura, deixo ao Ivan esse artigo, como um abraço e um agradecimento por tantas canções, tanto acalanto, tanta vida, tanto piano.

11 de jul de 2012

Um desenhista da paz

É raro que eu fale de outros caricaturistas aqui. Afinal, o blog é meu, existe para mostrar o meu trabalho. Quando comento outros artistas, é para falar de CDs, livros ou espetáculos deles. Mas sempre há uma exceção. Nesse texto, a exceção honrosa chama-se Eduardo Ferreira Grosso. 

Apesar do nome que sugere uma pessoa cascuda, Edu Grosso é caricaturista de fino traço. Fino traço que acompanho desde os treze anos de idade, quando ele já trabalhava na secretaria de cultura de Piracicaba, elaborando material gráfico para os eventos da prefeitura. E eu era apenas um aspirante a cartunista. 

Nosso contato inicial, em 1989, se deu numa oficina de quadrinhos de Jal e Gualberto para o Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Mas a amizade viria algum tempo depois, já no novo século, em 2001, quando larguei um espaço garantido de criador de tiras no principal jornal da minha cidade, o Jornal de Piracicaba. Mudei para um jornal menor, mas que oferecia um espaço maior: uma página semanal de humor em cores. O jornal era - e ainda é - a Tribuna Piracicabana. A página se chamou Rio.

Durante dois anos, publiquei a mim mesmo e a outros cartunistas nesse espaço. Foi na página que Edu Grosso pode expor, pela primeira vez na imprensa, suas caricaturas requintadas em cores ou em preto e branco, além de seus cartuns sem palavras. 

Antes, Eduardo tinha espaços garantidos em salões de humor, ganhando prêmios e fazendo mostras paralelas nos eventos. A lista de lugares onde expôs seus trabalhos é extensa: Piracicaba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Piauí, Ribeirão Preto, Volta Redonda, Pernambuco, Belo Horizonte, Itália, Japão, Bélgica, Irã, Coréia, Turquia e Portugal. 

Edu Grosso tem presença rarefeita em veículos impressos, dada sua discrição. Após o período na página de humor editada por este que vos digita, publicou cartuns e caricaturas no principal jornal de sua cidade natal: o jornal de onde saí para fazer a página Rio. Atualmente, coordena um dos mais famosos salões internacionais de humor do planeta: o de Piracicaba. Por esse motivo, o artista acabou se recolhendo um pouco mais que o habitual. 


Mas Edu não deixa de aceitar convites para mostras temáticas. A última foi a convite do Salão Universitário de Humor da Unimep, que reeditou "Herois da Paz", criada por Edu para a trigésima terceira edição do Salão Internacional.

No ano de 2006, o MovPaz, movimento de nome autoexplicativo, esteve em Piracicaba. E o caricaturista, identificado com a causa da paz mundial e com o movimento, resolveu criar uma série de caricaturas gigantes de líderes mundiais: políticos, cientistas, humanistas, espiritualistas. Tudo em grandes dimensões, tal como o gigantismo da cultura da paz. Paz que o próprio desenhista tem dentro de si, e a transmite nos papos com qualquer pessoa.

Os originais das caricaturas, em pincel, são digitalizados e ampliados. Em seguida, plotados, recortados e adesivados. O traço é em preto e branco, os fundos são em cores de tons ora suaves, ora saturados. Na mostra, os rostos são acompanhados de brevíssimos textos biográficos a respeito dos retratados.

A segunda "encarnação" da mostra "Herois da Paz" permanece no Centro Cultural Marta Watts, em Piracicaba, nesse mês de julho. Agora é esperar outra raríssima oportunidade para Edu Grosso mostrar seu talento de observador sensível e artista de imensa estatura, muito além da sua centimetragem corporal.  

(Fotos da postagem: Edson Rontani Jr.)

VídeoCaricaturas

7 de jul de 2012

Cabeças da minha cabeça

Minha nova mostra está confirmada para agosto. A exposição trará caricaturas imaginárias, feitas nos intervalos das caricaturas desenhadas ao vivo em eventos. Os desenhos foram feitos com caneta esferográfica, material que uso desde criança nos desenhos "de gaveta". E em papel jornal.

6 de jul de 2012

Caricaturas de caricaturistas

De vez em quando, desenho outros amigos caricaturistas, geralmente nos aniversários deles.
Os desenhistas abaixo são o Paulo Branco e o Rico.