24 de nov de 2014

Blup!

Quem trabalha com ideias, com criatividade em seus diversos formatos, costuma captar a vida em pedaços, fragmentos, e transpor para os suportes os quais domina: canção, pintura, literatura, atuação, tantos mais.

E os trabalhadores das ideias, ao expressarem algo diferente dos lugares-comuns da maioria, veem exemplares dessa mesma maioria exclamarem de bate-pronto:

"Isso dá uma canção!"
"Isso dá um filme!"
"Isso dá uma tira de quadrinhos!"
"Isso dá uma poesia!"

Só que ideia exige elaboração, acabamento. Mesmo que surja na mesa de um bar, numa conversa entre amigos, o autor vai pra casa e tenta melhorar aquilo, pra ficar em ponto de bala - ou de arte.

No começo, eu acreditava na validade dessas sacadas espontâneas em ambientes amigáveis. Hoje, prefiro falar as bobagens que quiser, sem ficar guardando e registrando tudo. Mesmo que "deem uma tira".

E olha que eu nem falei do narcisismo de quem se registra 24 horas por dia nas redes sociais... aí já é outro papo, e não no bar. Mas na janelinha que faz "blup!"

22 de nov de 2014

Dia do Músico

A música e os músicos sempre desempenharam um papel fundamental em minha existência.

Quando o chão parecia faltar - e tem faltado mais assiduamente em momentos recentes - havia o bálsamo das canções do repertório nacional.

Com o passar dos anos, fiz muitos trabalhos em parceria com cancionistas e intérpretes: caricaturas para cantores e compositores que admiro, design gráfico para CDs de artistas clássicos e recentes da MPB (cujas capas estão ao lado).

Feliz Dia do Músico, gente querida! 

17 de nov de 2014

Des(d)enho de humor

O Brasil é o país dos genéricos. Isso se aplica muito bem às profissões ligadas às artes. No caso do desenho de humor, mais ainda. Se é que ainda existe desenho de humor. Se é que algum dia existiu isso no país.

Humor é um artigo raro hoje em dia. Desenho e desenhistas existem às centenas. E existem centelhas de humor nesses desenhistas. Mas não a ponto de os qualificarem como "desenhistas de humor".

"Cartunista" o que é? Desenhista de cartuns. O que é cartum, exatamente? Nem jornalistas sabem. O que sabem é que há ilustradores, infografistas. É recorrente a pergunta sobre a diferença entre charge, cartum, caricatura e quadrinhos, conhecidas categorias do humor gráfico, estabelecidas em salões de humor.

É uma pergunta que qualquer praticante do humor gráfico responderá a vida toda. E que jamais será compreendida pelos perguntadores de plantão. Porque não querem. Porque não consideram o desenho de humor algo tão relevante quanto, por exemplo, as abstrações inócuas com bulas irrelevantes das artes plásticas contemporâneas.

Desenho não é necessariamente ilustração. Ilustração com legenda não é necessariamente cartum. Cartum com situação social que pode ser atemporal não é necessariamente charge. Caricatura da Dilma não é charge. Retrato plasticamente dotado de uma técnica espetacular não é necessariamente uma caricatura. Porque caricatura tem humor.

E o humor, onde anda, nesse nosso tempo? Se alguém achá-lo, por favor, me chame. Porque ele anda longe de nós, seres de um século novo. E longe do desenho. Ué, mas "desenho" não é animação? Oh, dúvidas cruéis.