1 de mar de 2010

Só pra gente sensível

"Teatro não é coisa de viado!"

Com o impacto desta frase, terminou a primeira aula de teatro que tive no Sesi da Vila Industrial, em Piracicaba. Aula de duas horas, uma por semana, a ser realizada até dezembro de 2010. Considerando que este ano teremos eleições, que em si são um teatro só, resolvi pegar carona nesse clima e aprender como é que se representa.

Os teatros do Sesi são espaços de intensa programação. Frequento o teatro da instituição em Piracicaba há tempos, principalmente para acompanhar a programação anual de teatro de bonecos, arte que eu adoro desde moleque, quando via na tevê o Muppet Show e o Bambalalão.

No teatro da cidade, a professora Fátima ensina representação, em módulos básicos e avançados, para turmas de todas as idades. Sou do módulo básico. Não fosse calouro, deixaria de cometer um erro básico: ir de calça jeans ao curso. Os exercícios de relaxamento, alongamento e concentração deixam qualquer roupa em trapos. As costas, as pernas, os pés e a coluna também. Roupa dá pra trocar, corpo não.

Assim como nas minhas aulas de radialismo no Senac de Limeira, no ano passado, tive contato com uma turma muito heterogênea. De adolescentes que encaram a obrigatória apresentação para os colegas como uma tortura chinesa, passando por balconistas de farmácia com uma baita saúde que eu vou te contar, até senhoras que farão das aulas um passatempo que compensará a distância dos filhos emancipados. O que achei impressionante foi a timidez da maioria para gestos simples, como abraços apertados e o olhar nos olhos. Por saber até onde vai a minha timidez, nunca deixo de me espantar com a timidez alheia.

Houve espaço até para discursos que cairiam muito bem como testemunhos num púlpito, diante do pastor da vez. Alunos de uma turma anterior, presentes como visitas, aconselharam os novatos a viver profundamente a experiência do aprendizado. "Depois disso, vocês nunca mais serão os mesmos!", proclamou o convertido aos deuses do teatro.

Ah, e teve a frase lá de cima, sobre a suposta boiolice dos praticantes do esporte teatral. A tal sentença veio após um depoimento de fim de aula, onde um colega secundava o entusiasmo do conselheiro do parágrafo anterior. "Teatro mexe com o seu eu, ele já está mexendo com o meu".
Estou louco pra ver a próxima aula. O que vai ter de sensibilidades reprimidas aflorando não estará no gibi. Teatro mexe com a gente mesmo.

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