1 de mar de 2010

Chico e Mano Brown, pra mim é tudo igual

Presta atenção nessa pergunta. Você já prestou atenção em letra de música? Ou melhor. Presta atenção em letras de canções?

Há um senso comum, por exemplo, que as letras do Chico Buarque são boas. Nem cabe entrar no mérito da questão, porque desafiar o senso comum às vezes é besteira. Então fiquemos com a verdade estabelecida. As letras do dono dos olhos azuis mais comentados dos anos 60 são papa-fina, e fim de papo.

Numa aula de português de década e meia atrás, uma letra de Chico despertou a atenção deste digitador: O Meu Guri. Nem lembro se a análise da canção na aula valia nota. Até aquele momento a canção me era velha conhecida e cantada nota a nota. Jamais parei para ler o encarte do vinil e atentar para os duplos sentidos da historinha do moleque marginal pré-tráfico. Cantar qualquer letra não fazia diferença. Podia ser russo que surtiria o mesmíssimo efeito.

Mas houve o porém, que ele sempre vem. No momento da análise, saquei a genialidade do velho Chico. E dá-lhe adjetivos hiperbólicos. Contador de história genial, rei das metáforas, o máximo. Claro que sem a harmonia corpóreo-intelectual da professora das melenas amarelas não haveria análise buarqueana que sobrevivesse à minha apreciação. Mas não se pode exigir tudo de um espinhudo espectador de aula de português.

O tempo passou e o repertório pós-adolescente do moleque metido a besta aumentou. Houve a fase jobiniana, após a morte do maestro-compositor da Bossa Nova, onde amigos normais eram chutados do meu convívio, caso manifestassem rejeição ou ignorância a respeito de Tom Jobim. O que quase fiz com outra professora, que declarou a obra de Tom imprestável, ao contrário da de Chico Buarque. Bom... se essa outra mestra também tivesse cabelos cor de ouro, talvez eu levasse em conta o juízo dela. Ou a falta de.

Desde então, outras músicas e canções passearam por estes ouvidos, em vitrolas, aparelhos 3 em 1, tocadores de MP3, até as caixas de som vagabundas do computador. De letristas inacessívelmente intelectualizados a criadores dos hits com duração até o próximo verão, ouvi de tudo. E continuei a gostar apenas de música. A diferença é que deixei de me importar com as possíveis consequencias que isso possa trazer ao meu convívio social, já tão reduzido por natureza, mas que beleza.

Podem anotar nos seus caderninhos. Vinicius de Moraes, Roberto Carlos ou MC Leozinho, pra mim tudo é música!

E tenho dito. Com todas as letras.

[Após a feitura das maldigitadas acima, descobri apreciar um CD pelas as suas letras, ou versões, feitas por Guilherme Arantes para canções americanas dos anos 70. O curioso é que Guilherme não costuma ser considerado um letrista de primeira linha. O que prova que as exceções só confirmam a regra. E as idiossincrasias alheias, como as minhas, podem ser relativizadas com um singelo PS]

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