29 de set. de 2011
Juízos desajuizados
27 de set. de 2011
Quebrando tudo
Conversa de boteco é algo inebriante. Seja pelos comes e bebes, principalmente os bebes. Seja pela conversa, pelo ambiente. Pena que para cada prazer haja um ônus. No caso, a conta.Descontando a conta, o que aconteceu no Ponto de Cultura Garapa, em Piracicaba, ontem à noite, contrariou a rotina de uma segunda-feira comum.
A conversa com Bortolotto teve a mediação de Fátima Monis, orientadora do núcleo de Artes Cênicas do Sesi Piracicaba, e do jornalista Romualdo da Cruz Filho, d'A Tribuna Piracicabana. Papel que ambos desempenharam com a maior das boas intenções. Temperada com opiniões definitivas dos debatedores a respeito do universo do entrevistado.
Talvez para estabelecer o clima de informalidade ao papo, o entrevistador e um ou outro perguntador trataram Bortolotto com certa intimidade - um havia estudado com o autor em Londrina, o outro havia tomado umas e outras com o escritor em Parati. O convidado não passou recibo a nenhum dos dois candidatos a amigões. No entanto, justiça seja feita, tratou-os com a cordialidade possível.
Bortolotto mostrou-se um cara muito convicto de sua entrega ao ofício de escritor. "Eu me registro nos hotéis como escritor. Mesmo que eu seja um escritor ruim, eu sou um escritor". Renegou qualquer rótulo, a começar pelo de "dramaturgo". Rejeitou a sacralização a todo instante. E respondeu com a firmeza que só os verdadeiros artistas emprestam à arte.
"Eu fiz a opção por uma vida mais pobre, fazendo o que eu gosto de fazer. Por isso não duro mais de um ano com a mesma mulher. Chega uma hora que elas perguntam: 'E aí'? Como é que é?", disse Bortolotto, numa das muitas vezes em que fez o público gargalhar.
Lá pelas tantas, a geladeira do lugar, que trouxe o combustível necessário para a plateia de Mario, foi ficando vazia. A conversa esquentou com o autor expondo sua relação com a crítica. Ele simplesmente não quer saber de críticos, bons ou ruins, embora admita o diálogo com o falecido Alberto Guzik - um crítico que, no fim da vida, virou ator.
Bortolotto não vê autoridade em quem se dispõe a analisar o que ele faz. "Você se dedica por um ano a escrever e montar uma peça, pra vir um crítico e detonar sua peça? Ele não sabe o que você passou pra fazer aquilo. Quem sabe é o autor. E o diretor".
O jornalista-debatedor quis jogar a responsabilidade do discernimento na leitura de uma crítica nas costas do espectador-leitor, no que foi rechaçado por Bortolotto. O melhor reconhecimento para o autor, ao menos no clima de piada de boteco, é "uma garrafa de Jack Daniels".
Pouco a pouco, a postura transparente do escritor efetuou uma quebradeira nas pretensões intelectualóides dos perguntadores de plantão. Por pouco não me quebrei todo também. Não com supostas perguntas desastradas, mas com a cadeira escolhida para me sentar.
Feitas as conclusões, os agradecimentos e o tradicional "quadro de avisos" dos responsáveis pelo Ponto, cerrou-se a porta de aço do boteco da vez. E a vida continua com outros papos, peças e livros por aí.
25 de set. de 2011
Careca de saber
Vocês sabem como são as mulheres. Quando elas querem alguma coisa, vão até o fim. 24 de set. de 2011
Cada uma!
- Você não é o Érico San Juan?
- Sou.
- Que deu palestra na minha escola?
- Sim.
- Mas faz um tempão, já!
- Quanto tempo?
- Três meses!
- Você é o Érico San Juan mesmo, né?
- Sou.
- Você é famoso?
Engasguei com a saliva. Desatei a rir.
- Mãe! O Érico não sabe que é famoso!
Criança diz cada uma! O Pedro Bloch tinha razão...
22 de set. de 2011
Além dos livros, pousando num CD

4 de set. de 2011
Caricaturas na Caterpillar, Sesi e Salão de Humor
Nas últimas semanas, o que mais tenho desenhado é caricatura ao vivo.De 8 a 12 de agosto, participei da Sispat 2011, na Caterpillar Brasil. Em vários turnos, inclusive nas madrugadas, fiz um total de 500 caricaturas de funcionários da empresa.
Neste primeiro fim de semana de setembro, houve o Meeting Sesi-SP, no CAT Mario Dedini, na Vila Industrial, em Piracicaba.
Numa tarde de sábado e numa manhã de domingo, 180 caricaturas foram criadas e entregues a uma turma de passagem pelo Sesi para as competições esportivas.
Para fechar o fim de semana com chave de ouro e canetas esvaziadas, dediquei a tarde desse domingo ao inicio da maratona de caricaturas no Salão Internacional de Humor de Piracicaba.
Cerca de 100 visitantes do Salão levaram para casa suas caricaturas feitas nas capas do novo Jornal Caricaras, o jornal que é a cara de quem o adquire. Entre casaizinhos, mães, pais e filhos, todos sorridentes como nunca.
Em breve, tem mais caricaturas no Salão de Humor. Assim que eu comprar canetas novas...
(Os registros das minhas performances na Caterpillar foram feitos pela Ana Gava. A quinta foto da série é da Alessandra Argenton Barbosa. Para ver as imagens maiores, clique nelas).
3 de set. de 2011
Encontros marcados
Há doze anos, fiz algo inusitado: conheci um escritor ao vivo, fora de Bienais e eventos literários. Entrei em contato com ele, que me recebeu em sua casa.
Era um autor da minha infância. Culto, articulado, engraçadíssimo. A cara dos livros dele.
Fiquei muito amigo do escritor. Hoje, recebi do amigo a melhor notícia do meu dia. Ele conseguiu se recuperar de uma doença grave. E lançará dois livros em 2012.
Semana que vem, após doze anos do primeiro encontro marcado, terei um segundo. Desta vez, com uma escritora.
A literatura faz milagres. Entre eles, o da aproximação além-livros. E eu acredito em milagres.
1 de set. de 2011
Nossos 20 anos de humor-pamonha no Salão...
31 de ago. de 2011
Abre a janela... e o livro também!

30 de ago. de 2011
Do limão, uma limonada. E uma noite de autógrafos

Pronto!
29 de ago. de 2011
20 anos de carreira, 20 amigos
A foto de Fabricio Eiras mostra a turma de cartunistas que prestigiou a abertura da minha mostra paralela do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, ontem de manhã.
23 de ago. de 2011
CONVITE: Mostra "20 Anos de um Pamonha de Piracicaba" (Salão Internacional de Humor de Piracicaba)
Há quem confunda...
21 de ago. de 2011
Crianças felizes que não quebraram os narizes
20 de ago. de 2011
Sócrates
15 de ago. de 2011
Está chegando! OFICINA DE LIVRO INFANTIL FEITO POR CRIANÇAS - Ponto de Cultura Educomunicamos
O QUE É?
No dia 20 de agosto de 2011, das 14 às 16h, o cartunista Érico San Juan ministrará uma oficina de arte para crianças em Piracicaba, no Ponto de Cultura Educomunicamos.
Na oficina, será feita a criação de um livro ao vivo: história, personagens e ilustrações criados pelas crianças inscritas na atividade.
As crianças são desafiadas a resolver um problema entre os personagens: como tirar um amiguinho da frente do seu computador, levando-o a brincar com elas à luz do sol?
Criada a história e escolhidas as ilustrações, o conteúdo é editado pelo cartunista-orientador no formato livro-poster.
Todos os desenhos produzidos na oficina farão parte de uma mostra no próprio local da atividade.
O livro-poster terá lançamento no dia 31 de agosto, às 19h, em noite de autógrafos com as crianças-autoras.
O ORIENTADOR
Érico San Juan é ilustrador e caricaturista desde 1991.
O autor comemora duas décadas de carreira com uma mostra paralela oficial do Salão Internacional de Humor: "20 anos de um pamonha de Piracicaba". A mostra paralela abre em 28 de agosto, às 10h30, na Casa do Povoador.
Sua primeira atividade para o público infantil foi como ilustrador do Jornalzinho, suplemento semanal do Jornal de Piracicaba, entre 1991 e 1997. Já as oficinas de livros criados por crianças existem desde 2005.
A seguir, alguns desses livros, disponíveis no blog ericosanjuan.blogspot.com:
VANESSA E RAFAEL
Livros criados em oficina para alunos da rede municipal de ensino de Piracicaba, em 2005, na Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”.
Prefácio dos livros pelo escritor João Carlos Marinho, autor dos clássicos infanto-juvenis O Gênio do Crime e Sangue Fresco.
O GRANDE GATO GORDO
Livro-poster criado em oficina na extinta Livraria ParaLer, no Shopping Piracicaba, em 2008.
Capa do cartunista Spacca, autor dos albuns de quadrinhos “Santô”, “D. João Carioca” e “Jubiabá de Jorge Amado” (Cia. das Letras) e ganhador do prêmio Charge do Salão Internacional de Piracicaba (2005).
VIVER É DEMAIS!
Cartilha de segurança no trabalho, ilustrada por filhos de funcionários da Dedini S/A Indústrias de Base (Piracicaba e Sertãozinho, SP), em oficinas de arte realizadas em 2008.
NOITE DE AUTÓGRAFOS: 30 de agosto de 2011 (19h)
10 de ago. de 2011
Elogios
6 de ago. de 2011
Ficção barata cheirando a naftalina
Acordou e viu que tinha se transformado num ser insone. Que raiva! A preocupação com o tudo de todo dia não o deixara relaxar e dormir o sono dos justos. Voltar a dormir? Imagina. O jeito era vagar feito zumbi até a calma surgir, retornando enfim ao leito sagrado, junto a anjos, santos, querubins, gnomos, anões de jardim e demais entidades anedóticas.
Andou dez mais dez mais dez passos, rumo à geladeira. Um copão de leite? Um rabanete? Limpeza na geladeira? A molecada andava sujeirando com mostarda o gélido espaço. Uma boa botar as pestes para limpar tudo com a língua, não é?
O achômetro do pai de família captava que a meleca iria atrair a atenção de carismáticas baratinhas, como a que o fitava atenta, numa das prateleiras do congelador, e...
Uma barata na geladeira! Mais essa para implodir o meu dia-noite, pensou o zumbi de ocasião. O bicho não saíra do lugar, esperando que o seu companheiro de treva tentasse alguma reação - chinelada, grito de horror, tapa. Essas coisas que a gente sabe que nunca exterminarão as baratas da face da Terra, mesmo oferecendo às tais a outra face para bater.
Cansada de aguardar e confiante de que nada aconteceria, a barata saltou para o ombro esquerdo do sujeito. A curiosidade matou o gato da casa; mataria também o sujeito do sono perdido? Este procurou se contentar com a idéia de ter aquele absurdo em seu corpo, esperando o próximo passo.
Não demorou o desfecho. A barata saltou ao chão, sumindo atrás da geladeira. E o sujeito? Coube a ele verificar a sensação de pele incendiada no ombro pisoteado. Para quem quisesse conferir, um número carimbado na pele: 13!
Diacho de dor! Procurou um algo-qualquer para aliviar a queimadura... Maldita barata, peste desgraçad... Nem completou a frase. Da geladeira, um exército de antenudas carimbantes rastejou em sua direção.
Nisso, bateu o sagrado instinto de sobrevivência no distinto cidadão. Tratou de se mandar rapidinho, tropeçando nas bugigangas encontráveis pela frente. Ah, se a molecada deixasse seus brinquedos no lugarzinho certo...
Próximo à porta principal, o fulano escorregou num tombaço, conseqüência de um feito anterior da empregada: chão enceradésimo. Mulher cabeça de vento! - foi o derradeiro pensamento da vítima, seguido de cabeça quebrada, comemoração guerreira da barataiada, urros e vivas.
Igual exército de formiguinha em desenho animado do pato Donald, o exército marrom carregou o defunto fresco ao quintal, retalhando o corpo cuidadosamente, para caber direitinho no compact-disc voador. O gato da casa, vítima 12 no cargueiro do pequeno OVNI, cheirava a esgoto - não que esse odor não fosse familiar a uma comunidade baratológica...
Qual seria a próxima vítima? Guerra nuclear poria um fim à tal raça humana, cedo ou tarde; no entanto as baratas, com o extermínio de seres humanos descrito aqui, se anteciparam ao destino. Tinham raça, um exército numeroso, esperar para quê?
Passo seguinte: buscar o número 14. Conforme o plano, na mesma madrugada chegariam à vigésima-primeira vítima. Na casa ao lado, um moleque jogava paciência no computador.
Nessa aventura revolucionária, baratas demonstraram possuir uma certa paciência...
(Texto publicado na seção de crônicas de um extinto portal de internet, a três dias de 2001. O portal acabou, mas consegui gravar os textos da seção. De HD em HD, este texto sobreviveu, feito barata após explosão nuclear)
Tinha Santiago no meio do Caminho

Aviso importante: a primeira pessoa deste texto é absolutamente falsa. Ou não, sei lá.
No meio do caminho, meus pés estacionaram no que parecia ser um restaurante, no meio do deserto. Três dias seguidos de caminhada, morrendo em pé, preferia morrer deitado. Era necessário acreditar na existência de algo, senão a morte viria, sem sombra de dúvida, na aridez do deserto.
Arrastei o corpo ao salão principal do restaurante. Lugar quente pra diabo, pra anjo ou pra qualquer um, o salão trazia uma decoração até interessante, que neutralizou temporariamente o calor do momento. Os quadros na parede sugeriam festas suntuosas, banquetes nababescos, orgias gastronômicas intermináveis. O desejo de sorver apenas um golinho dágua persistia.
E ela chegou. Apresentando-se como senhora Santiago, a dona da esperança. Frase bonita? Que nada: Esperança era o nome de sua filha, disputada por todos os andarilhos, segundo o relato orgulhoso da senhora Santiago. O viajante que vos fala queria comer o que se come normalmente num restaurante, não uma Esperan... bom, esquece.
"A Esperança é a última que morre", exclamou a mãe de Esperança. Até aí, morreu Neves, refleti, o que me relembrou a existência de um estômago pedindo socorro - o meu -, e uma garganta ressequida - a minha. Neves era um bom sujeito, lembrava neve derretida, o mesmo que água... Aquela senhora jamais pararia de falar sobre sua filha, não fosse impedida.
"E a Luz foi feita!", gritou a senhora Santiago. Outra frase-feita, pensei, buscando socorro nos meus desgastados neurônios. Dos fundos do restaurante, trajando um avental amarelado e limpando as mãos, surgiu a tal Luz. Esperança que era bom, never. Nisso, o sinal vermelho de minha velha e boa sanidade piscou, após dias de sol fervente aplicado na moleira.
Postei-me de joelhos diante da velha, implorando por um copo dágua, pelo amor de Nossa Senhora, de Deus, do diabo que a carregue!! Estupefata, a senhora Santiago se mandou para a cozinha, deixando à minha frente uma Luz de olhos arregalados. Era a gota dágua. Desmaiei, faltou Luz nessa hora.
Quando dei por mim, estava deitado sob uma palmeira, esperando minha hora chegar, com esperanças que o relógio do tempo estivesse atrasado. Ao meu lado, um livro de Paul Rabbit, a seguinte frase estampada numa de suas páginas: "O universo conspira para que você realize seu pior pesadelo".
Recorrendo a uma energia inexistente, mandei Paul à ponte que partiu, concluindo que meu sonho, percorrer o caminho de Santiago e encontrar a iluminação espiritual, se tornara de fato um pesadelo. Sem mais delongas, morri. E parti para outro plano, fazer companhia a um tal de Brás Cubas, que morreu de rir da minha desventura contemporânea.