27 de mar de 2012

Se eu falar mal do Renato... tá Russo

O problema de ser um icone nem é do ícone. É problema de quem se dispõe a falar do icone sem histerias típicas de quem o sustenta no pedestal: o fã.

Em época de internet, então, onde todo mundo tem opinião pra tudo, analisar o legado de um ídolo é atitude quase suicida.

Dito isto, convém explicar que não "falarei mal" do cantor e compositor Renato Russo. Nem falarei tão bem assim.

Nos anos 80, embora vocês não acreditem, o mundo não tinha internet. Mas tinha Legião Urbana tocando nas rádios brasileiras.

Entre canções de protesto adolescente e baladas melancólicas, o som do conjunto não escondia influências escancaradas do pop inglês. Joy Division que o diga.

Mesmo com esse "porém", mesmo não sendo um sex symbol como o RPM Paulo Ricardo, Renato Russo tinha carisma e inteligência. E tinha uns óculos retangulares que revelavam sua atitude nerd. Explorada à exaustão anos depois por nerds muito menos brilhantes que Russo.

Aos dez anos de idade, cheguei a maltratar o violão do meu pai em aulas do instrumento. As canções mais fáceis de tocar eram as do Legião Urbana e do Raul Seixas.

Após infinito consumo de bandeides nos dedos machucados, desisti de me tornar um violonista, o que certamente diminuiu meu eleitorado feminino nos anos de espinhas na cara.

O tempo virou meus gostos e desgostos pelo avesso. Passei a preferir o senso de humor do rocker baiano. O que não me impediu, anos depois das aulas frustradas de violão, de homenagear o roqueiro melancólico com uma caricatura. Desenho que você viu tão logo abriu a postagem.

É isso aí. Os fãs de Renato Russo não precisam mais me crucificar. Que alívio.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Ao contrário... nada de crucificação... Apesar da quaresma... mas sua "abstinência" de comentários... [rsrs] na certa o isentará de penitências maiores! Ah! Detalhe: amei a caricatura!
Bj. Célia.