24 de nov de 2014

Blup!

Quem trabalha com ideias, com criatividade em seus diversos formatos, costuma captar a vida em pedaços, fragmentos, e transpor para os suportes os quais domina: canção, pintura, literatura, atuação, tantos mais.

E os trabalhadores das ideias, ao expressarem algo diferente dos lugares-comuns da maioria, veem exemplares dessa mesma maioria exclamarem de bate-pronto:

"Isso dá uma canção!"
"Isso dá um filme!"
"Isso dá uma tira de quadrinhos!"
"Isso dá uma poesia!"

Só que ideia exige elaboração, acabamento. Mesmo que surja na mesa de um bar, numa conversa entre amigos, o autor vai pra casa e tenta melhorar aquilo, pra ficar em ponto de bala - ou de arte.

No começo, eu acreditava na validade dessas sacadas espontâneas em ambientes amigáveis. Hoje, prefiro falar as bobagens que quiser, sem ficar guardando e registrando tudo. Mesmo que "deem uma tira".

E olha que eu nem falei do narcisismo de quem se registra 24 horas por dia nas redes sociais... aí já é outro papo, e não no bar. Mas na janelinha que faz "blup!"

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