21 de jan de 2013

Dias melhores verão

Verão, né? Para viagens, não tem estação melhor. Vocês verão chuvas a todo momento, tão intensas que parecem viagens de imaginações delirantes. Haverá veículos pelas rodovias, sintonizando estações de rádio que mudam a cada perímetro urbano percorrido. Tartarugas serão vistas estradas afora: não as amarelas, que diminuem a velocidade de veículos, mas os acinzentados carros e motos e caminhões inibindo a passagem uns dos outros nas vias congestionadas. Eles, sim, serão as verdadeiras tartarugas do verão.

A estação que nos diz respeito, ao menos nesse janeiro, é a que nos faz suar com o sol (sem protetor solar) e nos molhar com a enxurrada (sem guarda-chuva). Aos destemidos cidadãos de bem sem olhar a quem, resolvidos a não pegar um sol por aí, resta a atividade doméstica de sempre. A atividade de quem resolveu passar as férias entre as quatro paredes do lar, tão doce lar.

Existem muitas formas de emissão de suor num verão doméstico, talvez domesticado, já que você foi o único que insistiu em ficar em casa nas férias. O primeiro gotejar do dia vem da necessidade urgente de abrir a janela, para receber aqueles maravilhosos raios solares no seu rosto semi-acordado. Para não contrariar sua imagem familiar de humor contrariado, você é obrigado a soltar a palavra "Raios!" Sem a sagrada família por perto, arrisca-se a balbuciar palavrões ligeiros. Sussurar, apenas, porque os movimentos labiais de um início de dia não obedecem à cabeça quente.

A batata vai assar, ah vai. Não literalmente, você odeia batata. Por força de expressão e por intuição, a batata vai assar... ah, se vai. Antes, vem o pão, que não é de batata. E pão requentado no microondas, que a preguiça de ir à padaria de todo santo dia é grande. Também, com esse sol escaldante...

A inspeção dos ambientes da casa recomenda cuidado. Vai que você tropeça em alguma poça sobrevivente da geladeira descongelada na noite anterior. Mas o quase-tombo vem do contato do chinelo com uma poça amarela. Poça da gata que você temeu que fugisse de casa e a deixou na cozinha. E vai ela e solta as gotas formadoras da tal poça. E esse suor que não para!

O suor a ser emanado do seu corpo nada atlético virá da faxina dos cômodos da residência. Pensou que ficar em casa nas férias seria cômodo? Balde, desinfetante, rodo, pano, sabão em pó, vela acesa pro santo... apetrechos a postos, e vamos lá. Algumas horas depois... tudo limpeza, doutor.

Almoço macro requentado em microondas, e eis que o morador em férias sente-se apto a sentar ao microcomputador. Mas espera... é hora do almoço aos felinos, depois roupa pra lavar. E não esquece o amaciante, ou não adianta colocar a roupa na máquina! O goiabão que não ouse esquecer de catar as goiabas no chão, caídas do pé. E ainda bem que não cai jaca no seu pé. E não meta o pé na jaca por aí, que não vai ter ninguém pra ajudá-lo a voltar pra casa...

Entre primeiras e terceiras pessoas, presentes numa pessoa só, o dia a dia de um exilado doméstico mal passou do primeiro dia. Isso não soa bem. Já o nobre cidadão, cansado por antecipação, vai suando muito bem, obrigado. Transpiração sem a menor inspiração. Talvez haja alguma piração ao final das férias de verão. E com umas rimas e uns trocadilhos pobres que só vendo. Vocês verão?     

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