29 de fev. de 2012

Eumir Deodato, a cara do Dexter

E uma trajetória musical incomparável, com atuações ao lado de Tom Jobim, Frank Sinatra, Björk e Marisa Monte

Um baixinho de roupa esporte, tênis e óculos escuros, expressão sisuda e trejeitos de ator de Hollywood entrou no palco do Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”, na tarde do último dia 10, para ministrar um workshop.

Anunciado como “um músico que levou o nome do Brasil ao mundo”, ganhou aplausos de uma plateia com cara de interrogação. Mas que não se preocupassem. O cidadão com cara de turista americano no Brasil estava ali exatamente para explicar quem era.

Tratava-se do carioca Eumir Deodato: instrumentista, arranjador e produtor, premiado e requisitado internacionalmente. De passagem por Piracicaba, faria o workshop e um show, na segunda sexta-feira deste mês.

A anfitriã Regina Gomes, pianista responsável pelo Festival Som Maior, evento anual de workshops e competições destinadas a estudantes de música, fez as honras da casa ao visitante.

Economizando sorrisos, Deodato só ensaiaria mudanças na fisionomia ao fazer comentários sarcásticos sobre o meio musical ou colegas de ofício. Ao contrário do que a platéia poderia supor, ele também não se comportaria como incentivador de prováveis aspirantes ao estrelato.

“Estrelato”, aliás, é uma palavra associada ao nome de Eumir Deodato e dos artistas com quem trabalhou ao longo de quatro décadas. Nos já distantes anos 60 do século passado, o compositor Roberto Menescal chamaria Deodato para tocar em seus primeiros conjuntos, com uma condição: “É só você colocar meu nome na frente”. Trato feito, o jovem Eumir Deodato de Almeida, ex-estudante dos métodos musicais de Henry Mancini (criador da famosa trilha do filme A Pantera Cor de Rosa), ali cravaria o marco zero de sua milionária trajetória.

No workshop, consultando o roteiro da própria carreira, Deodato dividiria sua vida musical em fases. Na “fase brasileira”, além de tocar com Menescal, “vestiu” canções alheias para gente como Marcos Valle, outro adepto dos sóis e sais da Bossa. Para o violonista Luiz Bonfá, faria arranjos que o levariam à América do Norte. Era o início da “fase brasileira nos Estados Unidos”, marcada pela ascensão de Astrud Gilberto, “a inventora da música brasileira nesse país”, nas palavras de Deodato.

Em terras estrangeiras, o ainda jovem arranjador cruzaria os caminhos de Tom Jobim, com quem colocou em pé, em Londres, a trilha sonora de um filme. “O trabalho demoraria menos se o Tom não quisesse só ficar na King’s Road, tomando cerveja e comendo salsicha branca – que, aliás, não é nada ruim”.

Em seguida, Deodato entraria na seleta galeria dos arranjadores de Frank Sinatra, “um cantor muito famoso, vocês devem conhecer”, nas palavras mordazes do palestrante. O trabalho de Deodato no segundo disco de “The Voice” e Jobim, impressionaria o velho cantor, como disse Tina Sinatra, filha do próprio, na biografia escrita por ela a respeito do pai.

A “fase americana” de Eumir Deodato começaria nos anos 70, já com a Bossa Nova em declínio nas paradas de sucesso. Nessa época, o carioca conheceria o sucesso em dimensões estratosféricas. Seu arranjo pop para o “Also Sprach Zarathustra”, poema sinfônico de Richard Strauss, vendeu milhares de discos num tempo em que nem se sonhava com a disseminação de canções via internet. Zarathustra, que vem a ser o popular Nostradamus, existiu de fato e foi enterrado em Bacu, capital do Azerbaijão, lugar onde o brasileiro fez um show e descobriu a preciosa informação.

Nos anos 70, Deodato daria fôlego novo a bandas como The Kool and the Gang, dona do sucesso “Celebration”. E a “fase underground”, já em tempos menos remotos, traria a chance da aproximação com a cantora Björk, queridinha de rodas musicais cosmopolitas aqui e lá fora. Dela, Deodato guardaria a lembrança de um talento indiscutível, a eliminação da roupagem eletrônica das canções da artista e uma noite inesquecível num restaurante refinado em Londres: Björk de “tênis colorido, mochila nas costas e jeito de estudante”, sem ter reservado mesa mas amiga do dono do restaurante, e um fim de noite com “uma porcaria de comida” pesando no estômago do arranjador.

Por falar em estudantes... Na palestra a modéstia não impedia o músico e produtor de exibir cifras milionárias e méritos indiscutíveis na carreira, postura arrogante para ouvidos brasileiros, acostumados a demonstrações de falsa humildade. Antes que o sono ameaçasse o respeitável público pela falta de referências a artistas mais novos, Deodato tratou de desfiar seu currículo recente.

Além de Björk, Marisa Monte teve a canção “Vilarejo” arranjada por ele. O cantor francês Cristopher passou pelas mãos do brasileiro, além de Luz Casal, intérprete de boleros globalizados – espanhóis, cubanos e até brasileiros, por que não? Com a produção de Deodato, Luz ganharia Disco de Platina duplo. Com Cristopher, Deodato tocaria ao ar livre, em Paris, para um milhão e meio de pessoas, no dia em celebração à Queda da Bastilha.

Encerrada a palestra, os estudantes mostrariam esperanças e inquietações nas perguntas ao carioca festejado, premiado e invocado. De métodos musicais, ele recomenda os de Henry Mancini, o primeiro mestre de uma formação teimosamente autodidata. As sugestões de outros autores e métodos são rechaçadas de imediato: “Eu estou citando gente que deu certo”. Sobre a inspiração, derruba qualquer mito a respeito: “Eu às vezes só transpiro...”

À pergunta sobre mercado de trabalho e chances de sucesso musical nos Estados Unidos, ele reage enfático: “O mercado na América acabou. O sucesso no exterior não é mais nos Estados Unidos. Pode ser na Espanha, na Itália...”. Com a pirataria, Deodato jamais poderia concordar, fatal para quem, como ele, ganha royalties relativos à venda de milhares de CDs, centenas com a sua participação . “Nas Filipinas, onde fui fazer show, tive que autografar uma fila inteira de CDs piratas. Se não fizesse isso, poderia soar indelicado”.

Para não soar indelicado aos futuros colegas de profissão, o músico atendeu ao pedido de uma canja no piano, tocando “Espírito do Verão”, canção composta para o Festival Internacional da Canção a pedido do seu organizador, Augusto Marzagão, futuro “lado B” de “Also Sprach Zarathustra”. Emitidos os aplausos de praxe, parte da platéia vespertina voltaria ao teatro para a performance de Deodato ao piano e teclado, com Alexandre Cunha na bateria e Renato Loyola no baixo.

O cenário de luzes coloridas dava ao palco uma aparência de céu estrelado, embora soasse cafona em vários momentos do espetáculo. Com cara de Dexter, o cientista-moleque do desenho animado, e físico de Cléber Machado, o locutor esportivo da Globo, o artista entra ao palco com mais de meia hora de atraso. Para compensar, emitiria todos os sorrisos economizados no workshop da tarde.

No repertório do show, predominaram as canções do maestro Tom Jobim. Deodato fez os arranjos do clássico “Sabiá”, além de “Dindi”, apresentada no piano-solo, “Samba de uma nota só” e “Wave”. Canções de Deodato, como “Arranhacéus”, baseada em Marvin Gaye, e versões de “Rapshody And Blue”, de George Gershwin, e “Berimbau”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, completaram a noite. A cada bloco de músicas, Deodato fazia comentários jocosos, como quem domina a arte de entreter uma platéia, para além de seu papel de músico.

Suingue e poesia devidamente distribuídos, o brasileiro encerra a noite com seu maior hit: aquele do Zarathustra, é claro. Eumir Deodato, pragmático em seu ambiente maior – o mundo – e soberano em seu ambiente máximo – o palco – despede-se satisfeito. Pronto a continuar sua odisséia musical, agora reconhecida por uma seleta platéia interiorana.


Texto publicado originalmente no jornal Tribuna Piracicabana, em setembro de 2010. Na época da publicação, já tinha passado o link do site do jornal. Porém, resolvi trazer o texto pra cá também.

26 de fev. de 2012

Só Maria e pronto

Na hora da chamada, a professora pronunciou o nome "Maria Alice". A titular do nome falou o que se esperava dela:

- Presente!

Na hora da aula, na pergunta que pega alunos desprevenidos, a professora chamou de novo a Maria Alice. Dessa vez, a assim-chamada respondeu diferente:

- Sou só Maria.

A professora, a desprevenida da vez, ficou surpresa:

- Você não se chama Maria Alice?

Maria Alice, com expressão resignada, explicou-se:

- Sabe o que é? Eu prefiro que me chamem de Maria. Todo mundo pensa que eu me chamo "Marialice". Então, eu prefiro Maria mesmo.

Fica fria, Maria. Um dia acertam seu nome. Antes que você acerte a cara desses ignorantes incorrigíveis.

23 de fev. de 2012

Mais contículos (pequenos contos ridículos)

1. Chegou o valentão, perguntou:
- Quem é mané, aqui?

Um baixinho, tremendo, falou:
- Sou mané, sim senhor.

O valentão catou o baixinho pelo braço e falou:
- Quer casar comigo?


2. O lixeiro recolheu o lixo das ruas e voltou à empresa para almoçar.
Lá, soube que tinha sido demitido.

O lixeiro catou suas coisas, entrou no boteco, virou um copo de cachaça, jogou uma pro santo e falou:
- Tô me lixando!

20 de fev. de 2012

Rap dos mano que trampa

Se a gente ganha pouco
fica louco com o patrão
Se a gente perde o emprego
sem sossego paga um pau


Se a gente paga imposto
é um encosto federal
E a gente guarda raiva
do Ano Novo até o Natal


Se a gente quebra prato
fica bravo e paga o pato
E a gente a vida inteira
fica só nessa canseira!

17 de fev. de 2012

Meu Santo André

Os amigos Gilmar & Fernandes convidaram uma pá de cartunistas (inclusive o dono deste blog) para mostrar um monte de trabalhos.

Onde? Numa mostra, é claro: a Mostra Nacional de Humor e Quadrinhos de Santo André.

Detalhes aqui.

Quem puder visitar a Mostra, está convidado. Vale a pena. Depois me conte o que achou.

12 de fev. de 2012

Pamonha de volta

A mostra lembrando meus 20 anos de humor gráfico está de volta, agora na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).

Quem não puder conferir pessoalmente, todo o conteúdo está neste catálogo virtual.

A foto ao lado é do desenhista Rodrigo Tramonte, feita na Casa do Povoador, em Piracicaba.

O local abrigou os trabalhos da retrospectiva-pamonha, no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 2011.

Em junho, está programada outra mostra, agora com trabalhos inéditos.

Os leitores desse espaço serão informados, como sempre.

10 de fev. de 2012

Ao vivo na terra do Pelé


A uma semana do Natal de 2011, partimos rumo a Três Corações, em Minas Gerais.

Na terra-natal do Rei Pelé, fizemos caricaturas ao vivo numa confraternização dos colaboradores da Kerry.

Protegidos do sol impiedoso que assolava a cidade, nós e o respeitável público da festa entramos no clima caloroso da tarde. Com trocadilho e tudo.

Encerrada a tarefa, pegamos o caminho de volta. E avistamos a estátua do Rei do Futebol na saída da cidade.

Quero crer que os gols de Edson Arantes do Nascimento tenham sido mais bonitos que a estátua de Três Corações. Mas não se pode querer tudo nessa vida.

9 de fev. de 2012

Contículos (minicontos ridículos)

1. A maçã tava suculenta, de dar água na boca... O garoto mordeu um teco e jogou o resto no lixo.
O gato foi à lata e recolheu o resto da maçã. Um elefante cor-de-rosa pegou o gato e saiu voando.
O gato pediu para descer, que era muita mentira num dia só, caramba.

2. Vinte minutos depois do expediente acabar, e ainda muita fila, muito barulho, muita reclamação. Nisso, chegou um e falou:
- Não temam, o cão-fila veio para resolver o problema!
O doberman na fila latiu:
- Tu qué é furá fila, animal!

3. Chegando ao local do crime, o detetive gritou para a moça:
- Cuidado!
Era tarde. A moça despencara ladeira abaixo.
O detetive sentiu um frio facão nas costas. Era o assassino.
- Quer virar presunto também, cumpadi?
- Não, obrigado. Gosto mais de salaminho...

4. A obra de arte na parede estava linda. Então, um cara pegou o quadro, jogou no chão,
pisoteou e urrou:
- A vida é uma obra de arte, seus mané!
A galera em volta não entendeu nada ... mas aplaudiu.

6 de fev. de 2012

Queimando calorias sem queimar o filme

Uma amiga minha falou: "Depois, a gente conversa. Tô morta! Hoje pratiquei spinning!"

Ao ler o apelo, respeitei o último desejo da amiga quase-morta. Porém, tinha uma conjunção no meio do caminho, dessas que nos fazem atiçar a curiosidade. E pular para a frase seguinte, já com a pergunta na ponta da língua.

Afinal, o que é spinning?

Fui olhar no novo pai dos burros, o Google. Ao contrário do que minha imaginação supunha, "spinning" não é uma onomatopéia para espirro de desenho animado. Trata-se da nova maneira de queimar calorias que a mulherada anda adotando. Ou melhor, adota sentada, e não andando: pedalando a magrela bem fixa no chão da academia.

A interessada em perder uns quilinhos - devidamente equipada de toalha, assento com proteção de gel, sapatilhas, água e monitoramento cardíaco - pedala feito um Robinho em busca do gol. Com a diferença que, enquanto o jogador ganha para pedalar, as ciclistas de ocasião querem mesmo é perder. Peso, é claro.

Saber que uma amiga busca a redução de calorias, com a contrapartida justa do aumento da felicidade, é algo louvável. Pena que, para este amigo de amigas, vai demorar um pouco mais para subir novamente numa bicicleta. Esteja ela parada ou bem fixa no chão de uma academia.

Exercício, agora, só o de empunhar verdinhas, para pagar os próximos anos sentado numa faculdade. Morro, mas não me entrego. Bom... depois a gente conversa.

2 de fev. de 2012

O maestro de um turbilhão de ritmos

Escrevi duas vezes a respeito do músico e compositor Mauricio Pereira. A primeira vez foi na página de humor Rio, que eu editava no jornal Tribuna Piracicabana. Em janeiro de 2003, publiquei uma entrevista e resenhas de todos os CDs de Mauricio até então. A segunda vez, no jornal de humor Rio, uma "costela" da página, foi no começo do ano seguinte. Nesse jornal, dividi o texto com meu mano Fábio. Eu escrevia um parágrafo, ele escrevia outro em seguida, numa jam session jornalístico-literária. O texto abaixo é a produção a quatro mãos, com a caricatura a duas mãos (as minhas) publicada na entrevista.

Mauricio é um desses tipinhos paulistanos: magro, alto e antenado. Ouve desde Africa Bambaata até Tonico e Tinoco, sem algodão no ouvido. Ouvir por ouvir, ouvimos ele cantando desde uma versão do Yellow Submarine, do tempo dos Mulheres Negras, até Lamartine Babo, do tempo do Onça. E não nos arrependemos não, compensam nosso dia a dia medonho as invenções sonoras da Terceira Menor Big Band do Mundo até as versões de canções como A Praça, celebrizada em vinil por Ronnie Von, e melodias e letras próprias como Um Dia Útil e Pinguim.

O cara formado pelo rádio da empregada tentou o jornalismo. De galho em galho, foi parar ao lado do filho de Abu, o Antonio, ex-bruxo de TV e colecionador orgulhoso de fracassos teatrais. André Abujamra conheceu o futuro popman num curso de percussão africana. Abu-filho estudava música, Mauricio estudava como seguir a vida. O respeitável acaso acabou partindo ao meio a banda de faculdade na qual André tocava e Mauricio bicava. Nem tanto ao meio, nem tanto aos fios-Terra: do racha, saíram Os Mulheres Negras, primeira aventura musical do duo.

Música e ciência vieram costurada em dois discos, bolachões capas-pretas. Filhotes indiretos de Arrigo Barnabé, surfando na onda da new vanguarda paulistana, nadando de braçada no mercado aberto pelo rock nacional da década de 80, via Warner Music. Valeu pela experiência. E independência aprendida no tapa e na raça. Banda alternativa no rótulo, nada tinha de amadora. A dupla era microempresa, distribuía jornal via mala-direta, tinha fã-clube e caixa postal, tudo conforme o improvável figurino.

Pulamos para os anos 90, cada qual dos Mulheres para seu lado. Mauricio vira crooner do programa Fanzine, da TV Cultura de São Paulo. Marcelo Rubens Paiva, um Jô Soares cover, cáustico, terno, equilibrado pela banda Fanzine. Daniel Szafran, Fernbando Salém, Natália Barros. E o Pereira, lá. Cantando de tudo, todos os dias. Papai Walt Disney, etc. e tal. Pop de todo tipo: metido a besta, besta por si só, de natureza brega ou bregamente chique. Para todos os gostos e desgostos.

Vieram discos-solo, pé no chão: esquema alternativo de distribuição. Na Tradição (1993), resultado dos shows com a banda Natra Tocatudo, foi gravado ligeiro. O tempo escasso das gravações não impediu Mauricio de compor verdadeiros hits: Tudo por Ti, Pinguim, Pan Y Leche.

Se Na Tradição ainda mostrava a voz do Mauricio Pereira como um dos Mulheres Negras,Mergulhar na Surpresa (1998) foi experiência mais radical. Um Dia Útil, por exemplo, é pequena obra-prima confessional, mergulho na rotina de um músico filosofando sobre o significado de sua profissão. Com Daniel Szafran a tiracolo.

Depois de um período quebra-pedra, onde raps com letras saíam da cabeça para uma provável ideia de disco novo, Canções que um Dia Você já Assobiou pinta na parada, em 2003. Para quem torce o nariz com O Amor e o Poder, vem Pereira e - pimba! - trama um arranjo de provocar satisfação em neurônios rebeldes. Para os desavisados, uma Galopeira que mais parece uma mexicana tresloucada de cabaré. E, a provar que o pop não sobrevive sem um momento for lovers, salta a improvável veia romântica de um reconhecido humorista musical: Lamartine Babo, na clássica Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda.

O show é uma festa, o disco que veio do show é um espetáculo. Quem quiser e puder, troque o Roberto Carlos de cada ano por um Pereira que pinga de três em três ou de quatro em quatro anos.

Nota pós-2004: Após a primeira publicação do texto acima, Mauricio lançou o autoral Pra Marte (2007) e mais um projeto de releituras bem-humoradas de clássicos da música brasileira: Carnaval Turbilhão (2010). Sem falar na dupla neocaipira formada com seu filho: Pereirinha & Pereirão. E o espetáculo continua!

1 de fev. de 2012

Contos mínimos que não são de fadas

1- Escolheu o melhor vinho para aquela noite. Mas levou mesmo foi um chá. De cadeira.

2- Por se julgarem um casal elegante, ela e o marido jamais admitiam aos amigos que tinham juntado os trapinhos.

3- Dizia aos amigos que "se bastava" sem o ex. Mas bastava estar só pra começar a chorar.

4- Adepta da teoria "morar separada e viver junto", restava a ela brigar com a própria sombra.

5- Reclamava que o parceiro falava pouco ou nada. Mas ficava falando isso o tempo todo na orelha dele.

6- O casal de escritores viveu feliz para sempre. Com os direitos autorais de seus contos de fadas.

7- Aos amigos, reclamava do fígado azedo da mulher. Embora ele, o marido, fosse azedo em todos os órgãos do corpo.

8- Ter levado um pé na bunda foi um tapa na cara.

9- Após pagar um jantar, ouviu da acompanhante: "Azar o seu!" O sorriso sarcástico dela sugeriu a sobremesa: uma torta. Na cara.

31 de jan. de 2012

Você sabia?

O texto a seguir, escrito por este que vos digita, abre o livro Você Sabia?, uma coletânea de trabalhos do cartunista Edson Rontani, pioneiro do humor em Piracicaba. O livro está à venda no site da editora Marca de Fantasia.

Edson Rontani nasceu em 1933, em Piracicaba, SP, cidade-berço do famoso Salão Internacional de Humor. Quadrinhista e colecionador da Nona Arte, começou seu hobby nos anos 1940, tempo em que as histórias em quadrinhos enfrentavam preconceitos e rejeição da sociedade. Cartunista, realizou os primeiros "salões de caricaturas" em Piracicaba nos anos 1970, precursores do atual Salão Internacional de Humor. Chargista, deu forma ao personagem-mascote do XV de Piracicaba, o Nhô Quim, criando charges antes e após os jogos do time de futebol, reproduzidas na imprensa local por mais de quarenta anos. Fanzineiro, teve a idéia de realizar intercâmbios com fãs de quadrinhos e criar uma publicação amadora do gênero, antes de qualquer fanzine brasileiro existir.

Em 1981, o trabalho de Rontani estava consolidado e reconhecido entre os leitores dos jornais em Piracicaba. Nesse ano, o artista cria Você Sabia?, seção de curiosidades ilustradas, para o novo suplemento infantil de O Diário. Inspirado em seções similares das revistas e suplementos infantis de sua infância (O Tico Tico entre elas), Você Sabia? mostra a capacidade de Rontani como ilustrador e redator. Cativava o leitor infantil pelo humor dos desenhos. E conquistava os adultos pelo "conteúdo almanaque" dos textos, sem perder o enfoque didático.

Inicialmente, Você Sabia? não tinha um formato definido em O Diarinho. Compunha-se de dois ou três quadros, dispostos de forma variável no suplemento. Quando o tablóide infantil transformou-se em página semanal, Você Sabia? passou a ocupar um terço do espaço, no rodapé, até 1988. No ano seguinte, o Jornalzinho, tablóide infantil doJornal de Piracicaba, passa a publicar a seção, agora em página inteira. Rontani produziu Você Sabia?até 1997, ano de seu falecimento. Por iniciativa de seu filho Edson Rontani Júnior, a página de curiosidades voltaria ao Jornalzinho, todas as semanas, a partir de 2003.

Em cinqüenta anos de atividades no humor gráfico, Edson Rontani encontrou raras oportunidades de ver seu trabalho reunido em livros ou coletâneas, a não ser em iniciativas editoriais irregulares e esparsas, como no álbum Charges, edição do autor em vários volumes, reunindo os primeiros desenhos, feitos para o Diário de Piracicaba na segunda metade da década de 1950. No monumental A História do XV , editado em 1985 pelo historiador e jornalista Rocha Netto, as charges do Nhô Quim ilustram os grandes momentos do time. No livro-coletânea Os Quinze de Piracicaba, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, em 2003, Rontani é um dos artistas enfocados. Sua importância como abre-alas do humor local é lembrada em "A cidade onde o peixe ri: um esboço da história do humor gráfico em Piracicaba", ensaio que abre a coletânea.

A edição de Você Sabia? pela Marca de Fantasia apresenta o trabalho de um artista raramente reconhecido além dos limites de sua cidade-natal, porém com qualidades que o colocam entre os grandes cartunistas e quadrinhistas brasileiros. Que este livro seja o primeiro de uma longa série, trazendo todas as facetas artísticas do genial Edson Rontani.

30 de jan. de 2012

Não é todo dia que aparece uma cantora assim

Até outro dia mesmo, a oferta de cantoras ao respeitável público se dava via rádio. O ouvinte, devidamente seduzido, dirigia-se à loja de discos mais próxima, para comprar o hit impresso nos sulcos do vinil.

Outras canções, além do hit radiofônico, completavam o vinil. A cantora viajava Brasil afora, divulgando o disco ao vivo em shows. Fechada a turnê, pensava-se no disco seguinte.

Só que o tempo passou. Hoje, há as cantoras das multidões, feito Ivete Sangalo. Mas existem as cantoras da hora, como Paula Fernandes, de vida incerta na próxima hora. As intérpretes cumprem, com ligeiras diferenças de época e mídias, o roteiro descrito no primeiro parágrafo.

E as cantoras nascidas na internet? Que não vivem de música, mas para a música? Elas abrem espaços no peito, na raça, no coração. Inclusive Danny Reis.

Ao contrário das divas à la Marisa Monte, o perfil das cantoras-internet feito Danny é acessível aos seres humanos "normais", como este normal que vos digita. Tão normal, que a conheci numa lista de discussão de música na internet, a M-Música. Lista que marcou as vidas de quem participou dela. E tão marcante, que gerou parcerias entre os membros do espaço virtual, para além das trocas de e-mails e idéias. Danny Reis fez seu primeiro CD apenas com canções feitas por membros da lista.

O CD Todo Dia, nesta época de MP3 invasores de I-Pods indefesos, é uma festa para os olhos, antes de chegar aos ouvidos. A embalagem não é um estojo de plástico, um CD tradicional. O formato é o de revista de bolso, em papel cuchê e arte preto-branco-amarela. Abre-se a revista, e o CD está protegido por um envelope amarelo.

Um poster gigante, devidamente dobrado pra caber na embalagem, traz as letras das canções, os créditos dos compositores, as fotos da gravação em estúdio. Tudo perfeitamente legível, em dimensões decentes. Os olhos dos apreciadores da música brasileira agradecem.

Olhos satisfeitos, passemos aos ouvidos. O CD traz uma multidão a serviço da beleza. A voz de Danny Reis é a placidez em forma de canção. Os parceiros de poesia (Zé Edu Camargo, Gulvandro Filho, Etel Frota, Cacala Carvalho, Alexandre Lemos. Léo Nogueira, Tony Pelosi) misturam-se aos senhores das melodias (Sonekka, Felipe Radicetti, Adriana Barreiros, Iso Fischer, Guilherme Rondon). Zé Rodrix (autor de "Casa no Campo" com Tavito e integrante do trio Sá, Rodrix e Guarabyra) também aparece na ficha técnica como parceiro de Zé Edu Camargo em "660 Huntington Blues".

O que soa ainda mais agradável no disco de Danny Reis e a ausência de megalomania autoral que acomete tantas novas cantoras, assim que se veem prontas para gravar o primeiro CD. Vozes prontas para cantar, e não para dizer algo relevante, poeticamente falando. Isso não significa que Danny deixe de lado a aventura do eu-lírico.

A intérprete assina a letra de "Palavras", emoldurada pela música de Felipe Radicetti. Se a paixão pela música encontra espaço no coração da intérprete, as palavras trazem vida a ela. Segundo Danny, em pequeno depoimento no encarte-poster, sua primeira letra saiu "quase psicografada". Um ótimo começo.

A produção de Tony Pelosi se mostrou acertada, ao deixar que os poucos (e bons) acompanhantes sonoros não competisssem com a titular do CD. As molduras por vezes camerísticas nas faixas mais intimistas não soam monótonas, pelo contrário. "Seda da China", de Adriana Barreiros e Zé Edu Camargo, poderia ser a trilha-tema de um templo budista. "O que eu quero", de Danny, Tony e Léo Nogueira, ilustrariam aquele fim de tarde preguiçoso, espreguiçante, antes do bocejo final para a despedida de um fim de semana calminho.

Os sambas, que aparecem a partir da nona faixa, não destoam da suavidade das faixas anteriores. "Francamente", de Iso Fischer e Etel Frota, tem clima de choro tocado em boteco. Danny dá a dica do clima da canção no encarte: "A gente preferiu chorar de alegria mesmo". A melancolia de "Fim de Carnaval", criada por Sonekka e Gilvandro Filho, é daquelas que teriam lugar nas antologias de grandes momentos da música brasileira, se levadas a um público maior.

"Todo Dia" (faíxa-titulo do disco, parceria de Guilherme Rondon e Alexandre Lemos) fecha o trabalho com uma frase lapidar. Para o feliz ouvinte, é um convite a uma convivência permanente, não mais entre curioso e cantora, mas entre fã e cantora: "Eu e você, todo dia".

Outros trabalhos virão, divas ao velho estilo virão e irão embora. Danny Reis fica.

21 de jan. de 2012

Os Quinze de Piracicaba

O XV de Piracicaba está de volta à divisão de elite do Campeonato Paulista e à boca do povo. O time de futebol que muitos conhecem apenas pelas piadas do Casseta & Planeta, programa que andava com a bola murcha.

Falando em humor, o time tem lá suas ligações com o humor praticado em Piracicaba. Mesmo que apenas para efeito de trocadilho.

Em 2003, o Salão Internacional de Humor da cidade publicou, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, o livro Os Quinze de Piracicaba.

O projeto do livro surgiu a partir de conversas com os cartunistas da cidade e o Salão. Gualberto Costa, que em dupla com Jal inventou o Troféu HQ Mix e por vários anos esteve envolvido com o evento, sugeriu uma obra reunindo os cartunistas piracicabanos de várias gerações.

Em Salões anteriores, houve mostras paralelas dos artistas agrupados sob a alcunha "Pamonhas de Piracicaba". Para não ferir colegas mais sensíveis ("Eu não quero ser chamado de pamonha!"), optou-se por expurgar do livro qualquer referência ao puro creme do milho verde.

Quinze praticantes do humor caipira compuseram a obra. Este cartunista que vos digita, junto a Edu Grosso, atual comandante do Salão de Humor, fomos os editores da obra. Na época, a tarefa de selecionar quinze artistas se mostrou complicada, entre seres vivos, mortos e muito vivos.

Além do prefácio-bênção de Zélio Alves Pinto, irmão de Ziraldo e um dos fundadores do evento, coube a mim a tarefa de contar a história do humor gráfico de Pira. Uma história que, felizmente, ganhou novos personagens e episódios desde então.

O livro ainda está em catálogo e à venda: aqui e aqui. Ainda que sejamos uns pernas de pau, os cartunistas da obra estão dispostos a aceitar pedidos de autógrafo.

16 de jan. de 2012

Neurastenia bipolar de redes sociais...

...em 7 episódios com menos de 140 caracteres cada

SEGUNDA
Porcaria de segunda-feira.
TERÇA
E esse dia que não passa?
QUARTA
Tédio.
QUINTA
Não vejo a hora de chegar o fim de semana!
SEXTA
U-hu!!!
SÁBADO
Olha o Fulano como ficou na balada! (link pros amigos)
DOMINGO
Porcaria de segunda-feira.

13 de jan. de 2012

Qualé seu signo? (parte 4 - final)

CAPRICÓRNIO (22/12 a 21/01)
Um dos signos mais chatos do zodíaco. Ele só pensa em trabalho. Pensa e trabalha também. Obstinado em sua causa, só pensa em vencer na vida, mas gasta a vida pensando nisso. Se você conviver com um nativo do signo, esqueça que é humano, que precisa de férias de vez em quando, essas coisas. Ou você entra na dança, ou muda de companheiro (capricornianos não dançam, por terem o corpo duro). No jantar à luz de velas, fale do seu dia de trabalho: ele vai ficar apaixonado... Rita Lee é uma capricorniana!

AQUÁRIO (22/01 a 18/02)
O aquariano sempre vê mais longe que seus semelhantes. De visão privilegiada, jamais precisará de um oculista: se bobear, ele será o melhor oculista da praça. Como todo adepto de utopias, ele poderá parecer um lunático inconseqüente, com suas teorias malucas. No entanto, pode se tranqüilizar, pois ele será no mínimo garantia de diversão na sua rodinha de amigos (isso se você não viver mais cinqüenta anos para ver suas previsões confirmadas...). Sandy, a cantora que não traz mais o Junior a tiracolo, é do signo.

PEIXES (19/02 a 19/03)
O signatário de Peixes é um tímido. Ele é capaz de passar toda a sua existência sem ser notado, feito o sofá da sala de estar. Sua arma para ser visto e compreendido é a singeleza, nem sempre bem absorvida por este mundo cruel. Como a fantasia é um componente de sua personalidade, terá sucesso desfilando na Marquês de Sapucaí, por exemplo. Para o jantar à luz de velas, por favor não o confunda com os móveis da sala. O ator Alexandre Borges é um pisciano, se é que vocês já não desconfiavam disso.

12 de jan. de 2012

Qualé seu signo? (parte 3)


LIBRA (23/09 a 22/10)
O libriano é a pessoa mais agradável da face da Terra. Quer um ótimo anfitrião, um conversador, um beija-mão inveterado? Pois achou: é ele mesmo. Para o nativo deste signo, o mundo é um lugar onde só há alegria. Se você é corintiano e ele palmeirense, pode ficar tranqüilo, a convivência será pacífica. Jantar à luz de velas com um libriano é garantia de prazer, o seu em primeiro lugar. Ray Charles é um libriano autêntico. Ou melhor... já era.

ESCORPIÃO (23/10 a 21/11)
Esse signo é dose... Para lidar com um escorpiano, é necessário ser vacinado. Apesar do risco de ser picado a qualquer momento, se um nativo do signo for com a sua cara pode ficar sossegado: ele protege os que são fiéis a ele. Mas não queira provar da sua visão penetrante: trata-se de uma experiência... penetrante. Para o jantar à luz de velas, bata na madeira antes de recebê-lo. O Rei do Futebol é um escorpiano. Ele ferrava seus marcadores, entende?


SAGITÁRIO (22/11 a 21/12)
O sagitariano é, antes de tudo, um forte. Não queira tapeá-lo, porque você irá encontrar alguém disposto a fazer justiça a qualquer custo. Se ele não for um advogado, com certeza está cursando Direito. Como todo otimista irrecuperável, acredita na justiça... No seu jantar a dois, não o deixe ver a data de validade do peru: se estiver vencido, ele irá ao Procon mesmo sendo tarde da noite. Britney Spears é do signo, embora ela ainda não tenha se dado conta disso.

Mais signos aqui, na última parte.

11 de jan. de 2012

Qualé seu signo? (parte 2)


CÂNCER (21/6 a 21/7)
Cancerianos curtem o tempo da vovozinha, com vovozinha e tudo. Será preciso que você o desperte para o dia de hoje de vez em quando, alertando-o que sua cabeça precisa de um aspirador de pó para tirar as teias de aranha acumuladas, por exemplo. E vai ser difícil tirá-las, porque ele é um ser sensível... Na grande noite à luz de velas, prefira os vinhos mais envelhecidos que puder trazer: ele vai ter um treco de tanta alegria. O ex-ministro Gil é um canceriano: suas músicas já pertencem ao tempo da vovozinha.


LEÃO (22/7 a 22/8)
Ele é o rei dos animais. Mas os animais são os outros, porque ele é um cara animal! Entendeu o trocadilho, meu rei? Pois é. Leoninos são os reis da cocada preta, os donos da festa, os que botam ordem na muvuca. O mundo gira ao seu redor, e quando a Terra ameaça se voltar a outros interesses, o leonino fica amuado. Mas ele é gente boa, boníssima. No jantar à luz de velas, vai no mínimo contratar uma orquestra, pra tocar só pra vocês. Mick "Rolling Stone" Jagger é do signo de juba.


VIRGEM (23/8 a 22/9)
O melhor é morrer amigo de um virginiano. Porque, se você morrer antes dele, o tal espécime do signo vai ficar reparando em cada detalhe do seu velório, pondo toda a sua (dele) capacidade de observação para funcionar. Morto, você não estará aqui para se chatear com esse neurótico obssessivo. Não o convide para um jantar à luz de velas: se você esquecer de alguma coisa importante, ele vai reparar... Luana Ex-Dado é virginiana. Com essa cara de quem comeu e não gostou, só podia ser mesmo.

Mais signos aqui, na parte 3.

10 de jan. de 2012

Qualé seu signo? (parte 1)


O horóscopo abaixo - redigido, caricaturado e apimentado por este que vos digita - saiu primeiro no meu jornal Caricaras, em 2008. Aos intelectualizados de plantão, recomendo uma leitura sem receio. Horóscopo é igual Big Brother: muita gente fala mal, mas não deixa de dar uma espiadinha.

ÁRIES (20/3 a 20/4)

Para lidar com o ariano, você precisa ter um fôlego de sete gatos ou uma paciência de Jó, o que vier primeiro. Ele é do tipo que pode jogar todo o seu dinheiro na loteria ou falar tudo o que vier à cabeça, seja qual for o interlocutor. Porque ele é assim, todo impulsivo. O ariano não pensa: age. Se você o convidar para um jantarzinho à luz de velas, reze para ele não dizer que detesta vinho e em seguida jogar tudo na sua cabeça. A Rainha dos Ex-Baixinhos é uma ariana, o que diz muito sobre arianos.

TOURO (21/4 a 20/5)
Para um taurino, a rotina imutável é o paraíso. Não o convide para uma escalada de montanha ou qualquer outro programa aventuresco. Ele detesta sair do lugar, feito um boi pastando. Ele também é do tipo que não precisa comprar uma boiada para sair de uma briga: ele próprio é um boi, seu idiota. Para o jantar à luz de velas, pode levar a mesma vela, a mesma toalha e os mesmos talheres do primeiro encontro: ele vai adorar. Jorge Ben é um taurino, olhem só.

GÊMEOS (21/5 a 20/6)

O geminiano deixa qualquer um maluco, pois muda de opinião de cinco em cinco segundos. Seu animal de estimação preferido é o camaleão, embora o Ibama possa se confundir de vez em quando, apreendendo um geminiano no lugar de um camaleão. Domina todos os assuntos, mas só na sua imaginação. No jantar à luz de velas, prepare-se para satisfazer suas fantasias após a sobremesa... Rubinho da Fórmula 1 é um geminiano. Imagina-se um vencedor...

Mais signos aqui, na parte 2.