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24 de nov. de 2014

A artista do invisível

Uma coisa puxa a outra. Uma arte puxa a outra. E uma pessoa puxa a outra. Foi assim com Malu Bragante.

Tomei contato com o trabalho da artista de Campinas por meio do guitarrista Alexis Bittencourt, que tocou com Johnny Alf, o precursor da Bossa Nova. Alexis lançou o DVD e o show-tributo "Luz Eterna", com os clássicos do mestre.

Nos segundos finais dos clipes do projeto de Bittencourt no YouTube, havia um desenho simples e expressivo com os integrantes do trio. Linhas brancas sobre fundo preto. Mais uma sugestão de ambiente, de clima, que necessariamente um retrato realista de três pessoas tocando. E as linhas pareciam ser uma só. Uma linha envolvendo os instrumentistas, sugerindo a simbiose, a comunhão entre bons músicos.

E música parece ocupar um tanto da alma de Maria Luisa Bragante, autora do desenho do DVD do guitarrista de Johnny Alf. Impossível a ela ficar imune à atmosfera sonora: tendo pai músico, também tocou piano. Confirmando sua afinidade com espaços e sons, Malu elaborou as ilustrações do CD "Lancelot's Adventures", de Marcelo Onofri e seu quarteto. Na série "Páginas Viradas", a artista usa partituras como suporte para as linhas que sugerem a presença dos executantes da música. A música que ela guarda no coração.

Malu tem um coração que pulsa com a música, nem sempre de forma contemplativa. Sorve a canção, participando dela. Transita pelas notas com sua dança. Ex-bailarina, sabe do que sente. E captou essa dança com uma série de desenhos do ano passado, onde mostra principalmente a ação de seres pulsantes, calorosos, em movimento sugerido por melodias invisíveis, da cintura pra baixo. Em preto e branco, num minimalismo quase invisível. E o que é a música, senão o invisível presente em nossos ouvidos?

Claro que há outros trabalhos, outras técnicas, outras abordagens, no universo amplo que Malu Bragante nos oferece. Esse universo está à espera de uma audiência maior, que pedirá outras manifestações da artista. Porque uma obra puxa a outra, e todas as obras formam uma obra única. A obra-prima de uma vida.

17 de nov. de 2014

Des(d)enho de humor

O Brasil é o país dos genéricos. Isso se aplica muito bem às profissões ligadas às artes. No caso do desenho de humor, mais ainda. Se é que ainda existe desenho de humor. Se é que algum dia existiu isso no país.

Humor é um artigo raro hoje em dia. Desenho e desenhistas existem às centenas. E existem centelhas de humor nesses desenhistas. Mas não a ponto de os qualificarem como "desenhistas de humor".

"Cartunista" o que é? Desenhista de cartuns. O que é cartum, exatamente? Nem jornalistas sabem. O que sabem é que há ilustradores, infografistas. É recorrente a pergunta sobre a diferença entre charge, cartum, caricatura e quadrinhos, conhecidas categorias do humor gráfico, estabelecidas em salões de humor.

É uma pergunta que qualquer praticante do humor gráfico responderá a vida toda. E que jamais será compreendida pelos perguntadores de plantão. Porque não querem. Porque não consideram o desenho de humor algo tão relevante quanto, por exemplo, as abstrações inócuas com bulas irrelevantes das artes plásticas contemporâneas.

Desenho não é necessariamente ilustração. Ilustração com legenda não é necessariamente cartum. Cartum com situação social que pode ser atemporal não é necessariamente charge. Caricatura da Dilma não é charge. Retrato plasticamente dotado de uma técnica espetacular não é necessariamente uma caricatura. Porque caricatura tem humor.

E o humor, onde anda, nesse nosso tempo? Se alguém achá-lo, por favor, me chame. Porque ele anda longe de nós, seres de um século novo. E longe do desenho. Ué, mas "desenho" não é animação? Oh, dúvidas cruéis.

19 de jun. de 2014

Chico Buarque, 70 anos

- Primeira canção que me marcou do Chico Buarque: APESAR DE VOCÊ (versão do compacto censurado e recolhido nos anos 70).

- Último disco que ouvi dele: CHICO (de 2011, com novas composições, que os velhos fãs do autor de A BANDA costumam abominar).

- Canção que mais aprecio dele: ATÉ O FIM (do disco da samambaia, de 1978).

- Pessoa que aprecio mais que o Chico: MINHA MÃE, que nasceu no mesmo dia que o artista (sem ela, por motivos óbvios, eu jamais tomaria conhecimento da existência do Chico - e de qualquer outro artista do mundo).

17 de abr. de 2014

Amiga da infância

"Escute esse CD aqui", foi o pedido da amiga cantora. Olhei a capa, com um gato de óculos escuros, um tubarão, um lobisomem, um fantasma e um bebê.

Velho apreciador de músicas, histórias e arte feitas para crianças, peguei o encarte e comecei a abrir. Eram cores e colagens e letras pedindo para serem apreciadas.

Pedido atendido. Fui ao site da banda Éramos 3, do CD Quando eu crescer. Todas as canções para baixar, com encarte e tudo. E o velho admirador da arte infantil atendeu ao desejo seguinte: ter o CD em mãos.

Encomendei numa dessas lojas virtuais, três dias depois chegou o presente. A satisfação, igual à que tive quando ganhei um Playmobil circense, na passagem dos meus nove anos.

A curiosidade aumentou. Quis saber quem tinha feito as músicas, os versos, o encarte do CD. De onde vinha tanta singeleza, simplicidade e bom humor. O YouTube me ajudou, o Google também.

Éramos 3 era uma banda de amigos que geraram um único CD, criado e desenvolvido ao longo de vários anos. Em incontáveis fins de semana. Desses que os muito ocupados usam para brincar de arte. E como crianças, brincarem com toda a seriedade.

De fim de semana em fim de semana, a feitura do CD teve um fim. Fabricado, ganhou vida de verdade quando ganhou o Prêmio de Música Brasileira, em 2011, competindo com gigantes da canção para crianças. Um grupo mineiro, meio quietinho, que talvez se considerasse um Pequeno Polegar nessa história. E a cantora e compositora do grupo, a Fernanda Sander, tratou de arrumar um vestido chique para a entrega da honraria no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Inquieta, sapeca e levada da breca, a professora de português e de musicalização tem origem paranaense, foi educada em Minas Gerais, morou em Piracicaba e agora bate cartão em São José dos Campos.

Em todos esses lugares, Fernanda espalharia seu cancioneiro, em CDs produzidos com seus alunos, nas escolas onde deu aulas. As experiências em sala lhe deram o impulso para o canto, as composições, a voz própria. Um trabalho autoral totalmente comprometido com o desenvolvimento de uma voz própria para seus pequenos.

Depois de alguns espetáculos de grande aceitação em solo mineiro, o Éramos 3 alçado à condição de popstar local, crianças parando Fernanda na rua para sorrisos e autógrafos, eis que a brincadeira acaba. Agora era apenas uma, a Fernanda.

E como a brincadeira - e o espetáculo - jamais podem parar, ela olhou a última canção do CD do grupo - Pé de Poesia - e a fez o nome de seu projeto-solo, reunindo tudo o que já oferecia à molecada. Músicas, oficinas, versos, shows. O fruto inicial desse Pé saiu em 2013: o CD "Para dar flor".

No mesmo ano, a singeleza e a suavidade da compositora para crianças tiveram voz num disco "adulto": "Baladinhas de amor e dor de cotovelo". Nada de amores fracassados, nada de amargura autocomplacente, nada de sentimentos arrevesados.

Por mais que o amor seja uma caixinha de surpresas, feito certas partidas de futebol, Fernanda aposta nos momentos plácidos das relações (No silêncio solto do meu coração), no otimismo (O nosso amor dá certo), nas metáforas e nas imagens dos sentimentos (Tabela periódica, Lado A e lado B), na afirmação da ternura (Te procuro, Benzinho).

A diversidade de gêneros musicais do CD, como o blues, que podem até sugerir maiores conflitos ou situações descritas de forma mais incisiva, apenas reforçam a vitalidade de uma artista de voz muito pessoal. A voz da Fernanda.

Seja para crianças mais novas ou mais crescidas, feito este que vos digita, a artista humaniza a quem pode ter se esquecido de ser humano. E ensina a ser humano a quem ainda não sabe ser.

Fernanda Sander, a nova amiga de infância de Julia Simões, a cantora que me pediu para ouvir o CD do Éramos 3, é uma das melhores amigas da infância que já conheci.

14 de fev. de 2014

Emoção bem-acompanhada

Era um sábado, com um calor maior que esse de agora: o calor humano. A intérprete sentou-se, apresentou-se, sorriu e entoou os versos: "As águas correm para o mar, as flores são o jardim..." E chorou, e recebeu os aplausos, e pediu desculpas pelas lágrimas.

A lágrima digna dos intérpretes de verdade, naquele sábado quente de 2013, era a de Julia Simões, cantando "Tudo em mim", que nomeia o CD-songbook de Toninho Brandão, empresário de Piracicaba, interior de São Paulo. Bem que ele gostaria de estar presente ao lançamento com a voz e a emoção de Julia. Um CD com bossas novas, boleros, sambas. Ritmos e gêneros do século passado, nada antigos, simplesmente eternos.

Tudo em Mim foi gestado ao longo de oito anos, 2001 a 2008. De trinta canções gravadas, Julia escolheu dezessete para o disco. A versatilidade do compositor, ao som de sua caixinha de fósforos, dá um sabor de variedade ao conjunto de canções. A voz de Julia, grave e suave, acompanha as nuances de cada verso, emoldurando os sentimentos ora intensos, ora plácidos expressos por Toninho.

"Maria da Graça" é a lamentação suave do homem que clama pelo colo da amada. "Malandro" é a reflexão na cadência do samba de uma pessoa que não vive longe do grande amor. "Barco amarelo" é a exaltação de quem anuncia sua chegada, em direção ao abraço da companheira, em levada de samba-rock. "Coração" traz a boêmia, a fumaça de cigarro, a paixão perdida, a madrugada enluarada.

E a lua bem poderia ser um dos símbolos da atmosfera sonora de Sombra e Luz, o outro "filho" de Julia. Se o disco com Toninho veio ao mundo após uma gestação mais longa, o CD com Marcos Cavalcanti teve gravações realizadas em apenas dois dias, ao final de 2012. Intérprete e instrumentista reuniram o repertório do último e deram vida ao conjunto de canções.

A fluência das músicas e versos traz à luz uma densidade musical, uma melancolia, comumente associada aos gigantes da moderna canção brasileira, na tradição dos instrumentistas feito Guinga, um dos preferidos de Cavalcante.

A voz de Julia e o violão de Marcos tem um diálogo harmonioso, e generosamente comportaram outras companhias em algumas faixas: a bateria de Roggero Chiarinelli, a percussão de Ricardo Barros e o pandeiro de Xeina Barros, a viola caipira de Junior Hartung, o acordeon de Thadeu Romano, o violoncelo de Jaques Morelenbaum, presença marcante nas bandas de Tom Jobim e Caetano Veloso.

No texto de apresentação do CD, Marcos credita a inspiração para a maioria das canções às musas de juventude. Ele evoca a brisa e a descontração de sua Bahia em "Refresco", deliciosa música de sóis e sais. Ao irmão, dedicou "Teu Mar". E à filha da parceira de Sombra e Luz, o violonista dedicou "Clara, Clarinha". E canções como "O que pensa de mim", "Momento só", "Solidão" e "Verdade e fantasia", merecem ser ouvidas com toda a atenção que o ouvinte dedicaria a um recital, naquela proximidade que só os grandes portadores de melodias e histórias conseguem com o respeítável público.

E respeitável, e sensível, é a cantora, a intérprete Julia Simões. Que continua trazendo o melhor da nova canção brasileira, junto a parceiros de peso. No compasso da tradição de um país emocionante.

21 de dez. de 2013

Os fins justificam os recomeços

Balanço do ano no fim do ano, pode fazer?

Ano de aventuras. E a maior aventura, a maior delas, foi a de ficar parado, quieto, refletindo. Principalmente sobre o próximo momento de se aventurar.

Ano de dar ouvidos. E intuir sobre a hora certa de ouvir. E de ouvir as pessoas certas. 

Ano de trabalho. E de concluir a respeito do quanto o trabalho pode ser um falso substituto das inquietações que não se resolvem, ou se atenuam, com o ato de trabalhar.

Ano de falar. E de falar compulsivamente, e pagar o preço por isso. E de ficar em silêncio, e de pagar um preço ainda mais alto.

Ano de sorrir. E de cuidar de cada gênero de sorriso. Sorriso feliz, sorriso dissimulado, sorriso de canto de boca.

Ano de conclusões. Conclusões definitivas, que podem ser jogadas para o alto e desmontadas, de acordo com o quebra-cabeça mental de cada cabeça e cada sentença.

Ano de recomeços. A começar pelo recomeço do ano, que joga para debaixo do tapete o que houve de ruim do ano anterior. Algumas ruindades, temores e indecisões permanecerão à espera de nossa pá, da nossa vassoura, da nossa atitude de limpeza de alma.

Ano que traz outro. E que trouxe este balanço. E que nos dará o poder para fazer ainda mais.

17 de jun. de 2013

Amor no coração

Você sai de casa com a calça sempre arrastando no chão. Porque compra sempre a calça com as pernas mais longas que seu corpo. Manda fazer a barra, encurta a calça. E sempre fica sobrando.

Você resolve cortar o cabelo num lugar diferente, porque está com pressa, não pode ir no lugar de sempre. Aparar o que lhe resta de cabelo, na verdade. Relevando esse mísero detalhe, você pede ao cabeleireiro que lhe raspe a cabeça, máquina 2, por favor. E ele executa o serviço quase lhe executando. Parece que vai cortar sua cabeça, não apenas seus quase inexistentes cabelos.

Você entra num ônibus, com calças arrastando e cabeça em chamas. E assiste a uma cena digna de filme. Um casal, de olhos fechados e rostos colados, beija-se apaixonada e entusiasticamente. E você olha admirado, em vez de virar o rosto, como sempre faz. 

Pode ser que a cena desapareça da sua memória, substituída por apelos mais urgentes do cotidiano. Pode ser que isso não o faça acreditar no amor. 

Mas a cena e o casal servem para lhe acender a esperança. Ao menos a esperança que no dia seguinte, você possa comprar uma calça com uma medida decente. E que você encontre um cabeleireiro que conserve sua cabeça acima do pescoço.

13 de mai. de 2013

Pisando no calo

Não dá pé comprar sozinho tênis ou sapato. Porque é um ato equivalente a pisar no calo do humor do dia. Mas tudo bem: ou vai pra sapataria, ou o tênis se desfaz no meio da rua. O negócio é encarar a tarefa.

Pisando duro, o candidato à gentileza pré-fabricada dos vendedores entra na sapataria. Despistando três ou quatro sorrisos solícitos, o consumidor vai à vitrine, imbuído da prerrogativa máxima da pessoa que depositará seus suados tostões no caixa da loja ("O cliente sempre tem razão").

O futuro dono de um novo calçado examina a variedade imensa de tênis à sua disposição. Tênis coloridos, tênis esportivos, tênis que brilham no escuro. Tênis tão fofos quanto um coala. Tênis com design arrojado. Tênis lindamente frágeis, desses que não resistiriam a uma inocente marcha no parque mais próximo. Tênis que resistem a uma corrida de São Silvestre, mas feios que doem. E que talvez façam doer a joanete.

Mas o calcanhar de Aquiles do consumidor rebelde talvez seja a frase-padrão do vendedor: "Posso ajudar?" Pode, sim, é claro. Sempre pode. Só que consumidores seguros de si vão em caminho contrário às pretensões de um atendente. Tênis sem graça e barato, além de um caixa sem filas, é o desejo ardente do consumidor. Tênis caros, coloridos feito um arco-íris psicodélico, são o desejo do balconista.  

Após algumas escolhas na vitrine, e outras que o vendedor precisa ir ao estoque para atender, mira-se o olhar na cadeira estofada mais próxima. Na sequência de cadeiras, sempre tem uma criança birrenta acompanhada da mãe. Sempre tem uma pilha de calçados e caixas. E sempre tem uma certa espera lógica pela volta da vendedora. Que deve estar bufando de raiva pelo pedido. Porque fica evidente que os tênis escolhidos pelo comprador são aqueles do canto mais escuro e longínquo do estoque.

A etapa seguinte da provação é a que pode comprometer a credibilidade do comprador: o chulé. Não há convenção social, nem convivência harmoniosa entre povos, nem tolerãncia mútua circunstancial, que façam uma pessoa não ter seu nariz ofendido pelo odor de pés descuidados. Para evitar tamanho descalabro, existem talcos e sprays. Mas quem disse que a pessoa lembrou de proteger dedos e solas? Pior que isso, só o esquecimento de aparar as unhas. E sempre o pior-ainda se sobrepõe ao menos-pior.

Ainda bem que o pior um dia passa. Tênis sem graça escolhido, pagamento feito, saída pela esquerda. Em poucos meses, nova compra será feita, para alegria da economia do país. Em nome da minha economia, o que fiz mesmo foi adquirir um calçado sem grife, sem cor e sem pisca-pisca.

Mas deixa estar. Na esquina mais próxima, uma piscada pisca-alerta atenta para o óbvio: faltou comprar uns pares de meias. E a corrida de volta à loja é feita de imediato. Com velocidade digna dos quenianos campeões da São Silvestre.

3 de abr. de 2013

Trabalho e vida

Ontem à noite, fui ao teatro da Unimep, acompanhar uma palestra sobre entrada, permanência e progresso no mercado de trabalho.

José Augusto Minarelli já tinha sido convidado para eventos similares no mesmo teatro. Aos exaustos da labuta diária, era de se esperar maior contenção nas honras da casa ao visitante.

Após tanta pompa e circunstância, uma surpresa: a dispensa de recursos de multimídia, alegria dos adeptos do discurso vazio. Não era o caso de Minarelli, dono de oratória objetiva e consistente. E dono da Lens & Minarelli, empresa de outplacement cuja função transcende a recolocação no mercado de trabalho. 

Contextualizando a situação do trabalhador de ontem e de hoje, explicou o propósito mais amplo de sua empresa: a gestão de saída de profissionais. Nela, os empresários contam com a orientação para "demitir direito", além de oferecer apoio para que os "disponíveis no mercado" encontrem um novo emprego ou comecem um empreendimento.

As mudanças no mundo, segundo o palestrante, fazem com que as pessoas mudem mais de emprego, tenham carreiras mais curtas. A solidez eterna das empresas é coisa do passado. Estas fundem-se, fecham ou se transformam tecnologicamente. Na visão do consultor, atributos a mais para o emprego de hoje são essenciais. A conduta "fora" do trabalho deve nortear a vida "dentro" dele. 

Nos dizeres bem-humorados de Minarelli, prestador de serviço tem que "prestar um serviço que preste com presteza". O consultor convenceu o público que marketing pessoal não é algo nocivo para a carreira. E a tão falada palavrinha da moda ("networking") esteve num contexto aplicado à vida de todos nós, não apenas à carreira. "Pessoas são universos, com conhecimentos, habilidades e relacionamentos. E são um "capital social", em muitos casos, mais valioso que dinheiro".

Outro termo em voga, a "empregabilidade", Minarelli usou para explicar que é a condição cultivada pelo próprio "contratável": eu, você, todos nós. Sendo necessárias competências para competir, MInarelli listou algumas que colocam em vantagem o candidato a trabalhos ou empregos: saber falar, saber ouvir (competência "escassa" entre os profissionais, segundo ele), saber ler, escrever, negociar e persuadir. 

O visitante arrematou suas palavras com outras que, se não deixaram parte do respeitável público apreensivo pelo futuro, deixaram a outra parte satisfeita por estar no caminho certo, tanto no aspecto humano quanto no profissional. Valores, enfim: saber falar e ajudar o próximo, ter fé e saúde, manter relacionamentos, dispor de uma reserva financeira - espécie de dízimo em causa própria para os momentos de dificuldade, emergências e riscos.

No momento do microfone aberto aos presentes, bati em retirada. O pensamento girou em torno de outra palavra-chave: futuro. Que pode pertencer a Deus, mas que está à nossa disposição, junto com a esperança.    

27 de mar. de 2013

3 rounds em 1 ato

Há quem dê um soco, assim, do nada. O socador vê a vítima caída. E ainda tenta justificar o injustificável. Em três rounds, a saber: 

1. HUMILDADE RELATIVA
- Foi mal, desculpaí. 
A vítima continua p*ta, com razão.

2. VITIMIZAÇÃO APELATIVA 
- Eu não sabia o que estava fazendo.
A vítima continua p*ta. Com razão.

3. CARA DE PAU ABSOLUTA
- A culpa foi SUA, que não desviou do soco!

A vítima dá um soco no socador. Que vai a nocaute. Ele e suas desculpas esfarrapadas.

Cai o pano.

7 de mar. de 2013

Mulheres todos os dias

O que dizer de uma mulher? Tanto já foi dito, inclusive por elas próprias. Tanto se disse contra elas. Seres indóceis, incompletos, indesejáveis, maldisseram as mulheres. Mal-amados, esses seres que se dedicam a maldizer, a maltratar, a mal-amar.

Inteligentes, estrategistas, controversas. Bonitas, charmosas, valentes. Precisam de reconhecimento, de atenção, de ouvidos.

Pressionadas por uma sociedade esteticamente correta - o politicamente correto da perfeição corporal impossível - elas se viram como podem, como querem, como suportam. E suportam um mundo nas costas, em muitos casos.

O direito de ser o que pretendem, o que desejam, evidencia uma sensilbidade à flor da pele, com firmeza semeada pela atitude, com beleza enraizada na alma.

Para as mulheres, que fazem todos os dias do ano melhores, um só dia dedicado a elas é pouco. Porque elas dedicam os seus dias a fazer todos melhores.

Gratidão às mulheres nunca é demais. Um "muito obrigado" a elas jamais será suficiente.

3 de mar. de 2013

É pau, é pedra, é o fim da picada

Quando é preciso percorrer ruas e avenidas em busca de uma rua ou uma avenida, daquelas que a gente jamais iria nesta ou numa outra vida, o negócio é respirar fundo. Porque depois, com o sol batendo na sua cara feito um lutador de MMA ensandecido, vai faltar ar.

Pergunta daqui, pergunta dali. Ninguém das padarias, das lojas de 1 e 99, das farmácias, das papelarias, dos bancos, dos pontos de ônibus, ninguém do universo sabe onde fica a tal rua ou avenida que você procura.

Tudo bem que ninguém do universo é obrigado a ser um GPS ambulante. Mas bem que poderia aparecer uma alma boa para lhe dar uma luz. Por enquanto, é a luz do sol que continua batendo na sua cara. E a busca continua, sem ser no Google.

Quem espera sempre alcança, e quem anda sempre chega. A rua desconhecida aparece. Só que a loja está fechada... O ar volta, para a emissão de um profundo suspiro.

21 de jan. de 2013

Dias melhores verão

Verão, né? Para viagens, não tem estação melhor. Vocês verão chuvas a todo momento, tão intensas que parecem viagens de imaginações delirantes. Haverá veículos pelas rodovias, sintonizando estações de rádio que mudam a cada perímetro urbano percorrido. Tartarugas serão vistas estradas afora: não as amarelas, que diminuem a velocidade de veículos, mas os acinzentados carros e motos e caminhões inibindo a passagem uns dos outros nas vias congestionadas. Eles, sim, serão as verdadeiras tartarugas do verão.

A estação que nos diz respeito, ao menos nesse janeiro, é a que nos faz suar com o sol (sem protetor solar) e nos molhar com a enxurrada (sem guarda-chuva). Aos destemidos cidadãos de bem sem olhar a quem, resolvidos a não pegar um sol por aí, resta a atividade doméstica de sempre. A atividade de quem resolveu passar as férias entre as quatro paredes do lar, tão doce lar.

Existem muitas formas de emissão de suor num verão doméstico, talvez domesticado, já que você foi o único que insistiu em ficar em casa nas férias. O primeiro gotejar do dia vem da necessidade urgente de abrir a janela, para receber aqueles maravilhosos raios solares no seu rosto semi-acordado. Para não contrariar sua imagem familiar de humor contrariado, você é obrigado a soltar a palavra "Raios!" Sem a sagrada família por perto, arrisca-se a balbuciar palavrões ligeiros. Sussurar, apenas, porque os movimentos labiais de um início de dia não obedecem à cabeça quente.

A batata vai assar, ah vai. Não literalmente, você odeia batata. Por força de expressão e por intuição, a batata vai assar... ah, se vai. Antes, vem o pão, que não é de batata. E pão requentado no microondas, que a preguiça de ir à padaria de todo santo dia é grande. Também, com esse sol escaldante...

A inspeção dos ambientes da casa recomenda cuidado. Vai que você tropeça em alguma poça sobrevivente da geladeira descongelada na noite anterior. Mas o quase-tombo vem do contato do chinelo com uma poça amarela. Poça da gata que você temeu que fugisse de casa e a deixou na cozinha. E vai ela e solta as gotas formadoras da tal poça. E esse suor que não para!

O suor a ser emanado do seu corpo nada atlético virá da faxina dos cômodos da residência. Pensou que ficar em casa nas férias seria cômodo? Balde, desinfetante, rodo, pano, sabão em pó, vela acesa pro santo... apetrechos a postos, e vamos lá. Algumas horas depois... tudo limpeza, doutor.

Almoço macro requentado em microondas, e eis que o morador em férias sente-se apto a sentar ao microcomputador. Mas espera... é hora do almoço aos felinos, depois roupa pra lavar. E não esquece o amaciante, ou não adianta colocar a roupa na máquina! O goiabão que não ouse esquecer de catar as goiabas no chão, caídas do pé. E ainda bem que não cai jaca no seu pé. E não meta o pé na jaca por aí, que não vai ter ninguém pra ajudá-lo a voltar pra casa...

Entre primeiras e terceiras pessoas, presentes numa pessoa só, o dia a dia de um exilado doméstico mal passou do primeiro dia. Isso não soa bem. Já o nobre cidadão, cansado por antecipação, vai suando muito bem, obrigado. Transpiração sem a menor inspiração. Talvez haja alguma piração ao final das férias de verão. E com umas rimas e uns trocadilhos pobres que só vendo. Vocês verão?     

1 de dez. de 2012

Nuca mais

Nunca vi capa de CD mais feia que uma capa onde havia uma nuca. A cantora do CD que perdoe, que ela canta e compõe bem. A proximidade sugerida com o ouvinte, mais do que se imaginaria, a foto sugeriu com louvor. Se a intérprete e compositora desejava atrair a atenção para pessoas fora de seu respetável público, também conseguiu. Mas nuca é algo tão sem fotogenia. Que o diga um colega sapeca-levado-da-breca, que num estúdio de fotografia virou-se de costas para a lente da câmera. E olha que ele não canta nada.
 
Arrepios na nuca podem aparecer em situações-limite. Momentos em que a sensação de prazer inenarrável larga na espinha e rompe a fita de chegada na nuca. Horas em que a tensão narrável nos assalta, correndo-bufando-fugindo pela espinha. Em geral, quando o pescoço está a prêmio, a nuca responde com aquele iceberg que prenuncia um desconforto maior. Como no pressentimento em que o Titanic irá afundar. Na nossa cabeça, pelo menos. Ou no heroísmo do galã do filme-catástrofe.

Tem mais nucas por aí, em outros corpos. O corpo de certos textos. Quem diria que várias entidades, instituições, empresas e quetais adotariam as quatro letras como siglas? Numa pesquisa instantânea no pai-dos-burros virtual, apareceram quatro delas. Nuca é também Núcleo de Cinema de Animação, Núcleo de Conteúdos Ambientais e Núcleo Castor de Estudos e Atividades em Existencialismo.

Sim, nucas existem para além dos limites de um pescoço. Resta saber se outros artistas, da música ou não, continuarão a explorar os limites poéticos do verso da nossa fronte, tão pouco fotogênico.

20 de nov. de 2012

De van não vou

A vida de minha geração não foi em van. Foi de kombi.

Aquele carro gigantesco, que andava aos trambolhões. Vinha a lombada, o carro chacoalhava inteiro: os bancos, a lataria, os passageiros. Quantos neurônios perdidos nas viagens em carro de parente.

Crianças não tinham direito à palavra. Mas não dava pra falar nada, o barulho da kombi em trânsito não deixava. No máximo, adultos aos gritos no banco da frente. Aquele banco invejado pela molecada. Estar no comando era ser adulto. Só que com um carro melhor, a gente esperava quando crescesse. Um fusca azul escuro igual ao do pai.

O tempo deixou para trás as kombis, vieram as vans. O adulto aqui entrou em várias, indo e vindo de lugares onde nenhum humano jamais estaria, igual os lugares onde a parentada nos levava de kombi. Van, um carro compacto até demais. Tanto quanto um fusca, que se tornou bettle (e não beatle).

O chato da van é a sensação de sermos sardinha em lata em trânsito. Ou atum enlatado? Pode-se ir a museus, a zoológicos, instituições que todo mundo finge que gosta. Na van, a gente chega a elas com as costelas quebradas. Agora você sabe: o gemido diante da tela do pintor famoso, da exposição da moda, não é de satisfação. É de dor pela viagem inesquecível no veículo nanico.

Não que o fusca azul da família feliz não fosse apertado. Era. Fins de de semana com o carrinho, só dois por mês. Nos outros, o fusca ficava com o sócio do pai. Um carro meio a meio! E a vontade de possuir um fusca amarelo? Um dia, a gente chega lá, pela via das dúvidas. E das dívidas no consórcio. Com direito a lombadas no meio do caminho. E algum avanço no sinal vermelho, mais ou menos autorizado pela musa da vez.

16 de nov. de 2012

Tudo é possível?

"Ai, que tudo!" Tantas vezes essa frase aparece nos ouvidos da gente, com doses de deslumbramento, entusiasmo e histeria variáveis, mas sempre intensas. Afinal de contas, tudo é muita coisa.

Não há elogio mais completo que esse, dizer que alguém é "tudo". É o agrado ideal para começar ou terminar um relacionamento. O efeito da frase "você é tudo pra mim" pode soar devastador, ser um tudo ou nada num namoro. Se houver desconfiança quanto aos méritos de uma das partes, a frase contendo o tudo não valerá nada. Mesmo sendo tudo.

"Tudo" é uma palavra controversa. Alguém já questionou se o X-Tudo tem realmente tudo? Claro que não tem. No máximo, pode ser um X-Muita-Coisa. Honra seja feita: o dono da lanchonete não cobra tudo pelo X-Tudo. Seria muita coisa.

E quando uma pessoa diz que faz tudo por nós? Pode ser um gesto de grandeza, de heroísmo. Talvez de burrice: é provável que a pessoa não seja digna desse tudo. Ou esteja querendo lhe aplicar uma cantada pra lá de barata. Que pode custar caro.

Mas nem tudo são flores nessa vida. Os espinhos fazem parte. Mas não venha querer jogar tudo isso na minha cara.

13 de nov. de 2012

As Aventuras do Homem Prendado

FAXINA Dos rodapés ao teto, a limpeza tem que ser completa. Você se debruça no chão para tirar uma poeirinha rebelde, que insiste em não sair do lugar. Acaba tirando, mas a ventania involuntária causada pela vassoura causa a chegada de mais três poeirinhas, talvez parentes distantes da poeirinha original. Eliminadas as principais poeiras, passa-se um pano molhado com desinfetante, para completar a tarefa com louvor, deixando o chão imaculadamente claro de uma vez. Entretanto, outras tantas poeirinhas, agora com cheirinho de pinho, grudam no pano molhado. E a brisa, causada pelo movimentar do rodo envolvido pelo pano úmido, traz outras poeirinhas retardatárias ao ambiente. E toca pegar a vassoura de novo, pra tocar da galáxia as poeiras teimosas. A música da Ivete Sangalo vem à cabeça ("Levantou poeeeeirááá´...). E o vai e vem da limpeza traz ao corpo do faxineiro-de-ocasião um odor insuperável, de atrair imediatamente um gambá apaixonado. 
LOUÇA Dez copos, vinte talheres e trinta pratos depois, você está de alma lavada, porque acabou de lavá-los. Sensação de dever cumprido invadiria seu ser, não fosse a pia ser invadida por mais vinte copos, trinta talheres e quarenta pratos.... sujos. Com a cara lavada, a família acaba de despejar na sua cara a obrigação da hora: lavar a louça do jantar. Isso porque você tinha acabado de lavar a louça do almoço. Melhor você arrumar um emprego como camareiro de hotel. Senão vai sujar pra você.
ROUPA A máquina de lavar roupa é novinha em folha. Você coloca nela quilos de roupas, sabão em pó. Ela roda tudo feito um liquidificador, lhe servindo roupas limpinhas e cheirosas. Só que, na segunda lavagem da história da máquina, você morrendo de pressa pra lavar roupas para vestir em alguns segundos... ela faz birra e deixa de funcionar. Você coloca outra maquina pra funcionar: seu cérebro. E mexe um fio aqui, outro acolá, troca as mangueiras de lugar. Quando tudo parece perdido, chega o outro cérebro da casa, o que funciona. Com um leve tapinha numa das extremidades da máquina, ela volta a ligar. E você aprendeu mais essa lição: máquinas são iguais computadores, se não tratar com carinho... embirram. Se liga, mané!

4 de nov. de 2012

Fiapos, cuspes e engulhos em geral

Comer milho é que nem chupar manga. Você sabe que vai ficar com fiapo nos dentes. Os ditos fiapos durarão uma vida na sua boca. Você jamais conseguirá tirá-los.  Uma boca com pedaços de arame farpado entredentes. Todos os palitos e fios dentais de todas as galáxias não bastarão para acabar com o suplício. Mesmo com tamanho infortúnio, que pode ser eterno enquanto dure, você vai e come o milho, a manga e outros alimentos prazerosos porém incômodos.

Tanta coisa que a gente come mesmo assim. Porque mãe manda a gente comer. "Você tem que crescer, tem que comer verdura"! E tem tanta gente aí, criançola, que praticou a sublime pop art do trash food. Sanduíche tem verdura também, tudo bem. Mas em geral coisas proibidas a gente come fora de casa. O que é trash a gente não coloca pra fora, na calçada, pro lixeiro levar? Não por acaso, os restaurantes de sandubas assassinos ficam nas esquinas. Só que os restaurantes levam a gente pra dentro deles, não pra fora.

A gente adoraria colocar muita coisa pra fora. Mas engole. A introdução de anfíbios goela abaixo é algo corriqueiro em tempos tortuosos. Furacões com nomes de cantoras de sotaque-pop-com-crise-dos-30 abundam. E cantoras com sotaque-pop-etc-e-tal adorariam ter o impacto de furacões, na cena abundante da música atual. Já o cenário atual fabrica pântanos e lagoas para farta reprodução dos batráquios verdejantes. Se não houver condições para reprodução dos sapos, de que forma conseguiremos ingeri-los? Afinal de contas - e das contas que chegam sem parar - o equilíbrio ecológico deve ser mantido.

Engolir sapos, mais que uma necessidade da natureza, é esporte nacional. E a natureza do brasileiro, encarar esporte como se fosse batalha? Queria ver o brasileiro médio, do alto de sua barriga de churrasco e cerveja, encarar o desafio do futebolista médio ganhador de um salário baixo. Esse torcedor é capaz de torcer o pescoço do escravo dos campos: esse que pode ganhar uma partida mas mal ganha pra comprar um tênis da Nike. O mundo não é só feito de jogadores fantásticos que suam a camisa pra emagrecer. Aliás, nem é composto tão-somente de torcedores mimados e ébrios.

Antes que a maionese desses palpites azede, atraindo mosquitos em toda a cozinha onde a picanha esfriou, é melhor meter o pé na estrada, que o feriadão acabou. Com fiapo no dente e tudo.

1 de nov. de 2012

Crepúsculo de um jornal

Última capa do JT
Fim do Jornal da Tarde. No último dia 31, circulou a última edição.

Editado pelo Grupo Estado, do jornal O Estado de S. Paulo, teve uma trajetória de quase quatro décadas, iniciada pela equipe de Mino Carta, hoje diretor da revista Carta Capital. 

Não fui leitor assíduo do JT. Mas lembro de uma capa com ilustração do mestre Roberto Negreiros, onde Paulo Maluf dançava ao modo de Gene Kely, ao redor de um poste.


Da história recente do Jornal da Tarde, lembro da polêmica envolvendo o editor Julio Maria, o cantor Zezé di Camargo e meu amigo Diogo Salles, um chargista de mão cheia.

Aliás, conheci o Diogo num episódio curioso.

Fui fazer uma vista à redação do Estadão, para bater um papo com os desenhistas Eduardo Baptistão, que ia conversando comigo enquanto trabalhava, e o Carlinhos Muller, que me levou para um papo regado a café.

Nessa tarde, o Diogo tinha marcado uma visita a um dos editores do Jornal da Tarde. Seis meses depois, seria admitido como chargista.

Não sei se a morte de um jornal diz algo à Geração Facebook. Mas a mim, um dos que cresceram com um jornal nas mãos, e que em várias ocasiões trabalhei para essa mídia, diz muito.

RIP JT. E um grande abraço aos meus amigos do traço, que ainda acreditam na força dos impressos. Por serem apaixonados por eles.

30 de out. de 2012

Duda & Rangel

Momentos sublimes numa estadia rápida em terra paulistana
1 - Chegada ao local de um show, após intensa correria em metrôs e trens. E, no local do show, arquejante e esbaforido, a descoberta: o show aconteceu no dia anterior.
2 - Chegada a um hotel, após a correria toda. Em plena madrugada, na cozinha, tentativa de abrir uma embalagem de tempero de macarrão instantâneo com os dentes. Não conseguindo, nova tentativa de abertura da mesmíssima embalagem com uma faca do hotel. Uma faca sem dentes.
3 - Dia seguinte, numa grande livraria, seção infantil, mãe zelosa diz ao filho pequeno, naqueles espaços tipo casinha de árvore: "Pai e mãe não devem se divorciar".
4 - Saindo da livraria, um miado corta a atmosfera discreta do ambiente. Miado de um felino encoleirado. A dona do bicho teve a ideia de levar o animalzinho pra passear. Aflito, o bicho tentava se livrar da coleira, enquanto sua dona o deixava parado, pra esperar ele "acabar" de miar.

Momento REALMENTE sublime na mesma estadia rápida em terra paulistana
- Abraço nos amigos Anderson & Emerson Couto, que lançaram nesse sábado "A vida de jornalista como ela é". O livro é uma coletânea do blog Desilusões Perdidas, cujo "autor" é o jornalista Duda Rangel, personagem criado pelos irmãos.

(Por sinal, antes de chegar ao lançamento da obra, vi uma cena que escritor adora mas quase nunca vê: um leitor, no trem, lendo e rindo com o novo livro).