11 de jul. de 2013

Um pamonha no Salão

Saíram os catálogos das edições 2011 e 2012 do Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

No catálogo do Salão de 2011, está registrada minha participação com a mostra paralela "20 Anos de um Pamonha de Piracicaba".

17 de jun. de 2013

Amor no coração

Você sai de casa com a calça sempre arrastando no chão. Porque compra sempre a calça com as pernas mais longas que seu corpo. Manda fazer a barra, encurta a calça. E sempre fica sobrando.

Você resolve cortar o cabelo num lugar diferente, porque está com pressa, não pode ir no lugar de sempre. Aparar o que lhe resta de cabelo, na verdade. Relevando esse mísero detalhe, você pede ao cabeleireiro que lhe raspe a cabeça, máquina 2, por favor. E ele executa o serviço quase lhe executando. Parece que vai cortar sua cabeça, não apenas seus quase inexistentes cabelos.

Você entra num ônibus, com calças arrastando e cabeça em chamas. E assiste a uma cena digna de filme. Um casal, de olhos fechados e rostos colados, beija-se apaixonada e entusiasticamente. E você olha admirado, em vez de virar o rosto, como sempre faz. 

Pode ser que a cena desapareça da sua memória, substituída por apelos mais urgentes do cotidiano. Pode ser que isso não o faça acreditar no amor. 

Mas a cena e o casal servem para lhe acender a esperança. Ao menos a esperança que no dia seguinte, você possa comprar uma calça com uma medida decente. E que você encontre um cabeleireiro que conserve sua cabeça acima do pescoço.

14 de jun. de 2013

... e tenho Dito

Após 8 anos de hibernação, DITO, O BENDITO volta com tiras inéditas no site da editora Marca de Fantasia. 

http://www.marcadefantasia.com/ 

Dito está junto às tiras de Henrique Magalhães (Maria) e Edgard Guimarães (Cotidiano alterado).   
Quando menos o leitor esperar, haverá uma tira nova no site. 

O livro do DITO pode ser adquirido por um preço camarada (instruções para compra na barra lateral esquerda).

10 de jun. de 2013

Bodas e Desbodas





















Fiz uma "participação especial" na crônica mensal de minha amiga Carla Ceres no Diário do Engenho. O desenho acima ilustra o texto Bodas e Desbodas. A Carla tem um senso de humor impagável. Vale a pena a leitura!

8 de jun. de 2013

Mais gatos

Outro dia, postei aqui um desenho de gato. Essa semana, ganhei um felino lindo, criado e emoldurado por uma amiga querida e talentosa. Hoje, voltei a desenhar um bichano, ato de gratidão a ela.


31 de mai. de 2013

Bendito livro

Dito, o bendito é meu novo livro. Antes das caricaturas serem o carro-chefe do meu humor gráfico, vieram as tiras do Dito.

As tiras saíram em jornais, ganharam exposição própria, fizeram parte do Salão Internacional de Humor de Piracicaba em 2004, integraram coletâneas de quadrinhos.

Oito anos após a tira final, o editor, desenhista, pesquisador e professor universitário Henrique Magalhães quis publicar nova edição do livro de 1995 do Dito. Optamos - autor e editor - por pinçar 100 das 759 tiras publicadas no Jornal de Piracicaba entre 1993 e 2005. A seleção do material coube a Fábio San Juan.

Dito, o Bendito pode ser adquirido no site da Marca de Fantasia. Em breve, o livro também terá lançamentos em noites de autógrafos, uma delas no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em agosto.

13 de mai. de 2013

Pisando no calo

Não dá pé comprar sozinho tênis ou sapato. Porque é um ato equivalente a pisar no calo do humor do dia. Mas tudo bem: ou vai pra sapataria, ou o tênis se desfaz no meio da rua. O negócio é encarar a tarefa.

Pisando duro, o candidato à gentileza pré-fabricada dos vendedores entra na sapataria. Despistando três ou quatro sorrisos solícitos, o consumidor vai à vitrine, imbuído da prerrogativa máxima da pessoa que depositará seus suados tostões no caixa da loja ("O cliente sempre tem razão").

O futuro dono de um novo calçado examina a variedade imensa de tênis à sua disposição. Tênis coloridos, tênis esportivos, tênis que brilham no escuro. Tênis tão fofos quanto um coala. Tênis com design arrojado. Tênis lindamente frágeis, desses que não resistiriam a uma inocente marcha no parque mais próximo. Tênis que resistem a uma corrida de São Silvestre, mas feios que doem. E que talvez façam doer a joanete.

Mas o calcanhar de Aquiles do consumidor rebelde talvez seja a frase-padrão do vendedor: "Posso ajudar?" Pode, sim, é claro. Sempre pode. Só que consumidores seguros de si vão em caminho contrário às pretensões de um atendente. Tênis sem graça e barato, além de um caixa sem filas, é o desejo ardente do consumidor. Tênis caros, coloridos feito um arco-íris psicodélico, são o desejo do balconista.  

Após algumas escolhas na vitrine, e outras que o vendedor precisa ir ao estoque para atender, mira-se o olhar na cadeira estofada mais próxima. Na sequência de cadeiras, sempre tem uma criança birrenta acompanhada da mãe. Sempre tem uma pilha de calçados e caixas. E sempre tem uma certa espera lógica pela volta da vendedora. Que deve estar bufando de raiva pelo pedido. Porque fica evidente que os tênis escolhidos pelo comprador são aqueles do canto mais escuro e longínquo do estoque.

A etapa seguinte da provação é a que pode comprometer a credibilidade do comprador: o chulé. Não há convenção social, nem convivência harmoniosa entre povos, nem tolerãncia mútua circunstancial, que façam uma pessoa não ter seu nariz ofendido pelo odor de pés descuidados. Para evitar tamanho descalabro, existem talcos e sprays. Mas quem disse que a pessoa lembrou de proteger dedos e solas? Pior que isso, só o esquecimento de aparar as unhas. E sempre o pior-ainda se sobrepõe ao menos-pior.

Ainda bem que o pior um dia passa. Tênis sem graça escolhido, pagamento feito, saída pela esquerda. Em poucos meses, nova compra será feita, para alegria da economia do país. Em nome da minha economia, o que fiz mesmo foi adquirir um calçado sem grife, sem cor e sem pisca-pisca.

Mas deixa estar. Na esquina mais próxima, uma piscada pisca-alerta atenta para o óbvio: faltou comprar uns pares de meias. E a corrida de volta à loja é feita de imediato. Com velocidade digna dos quenianos campeões da São Silvestre.

8 de mai. de 2013

4 de mai. de 2013

Alessandra com maestria


Dizer que Alessandra Maestrini é uma cantora de salto alto é sacanagem.

Ela usa um salto enorme, sim. Mas exibe uma segurança vocal e um carisma no seu show...

E dizer que ela cresce no palco é uma maldade.

Ela é baixinha, sim. Mas é daquelas cantoras que se elevam no seu habitat natural.

Na foto, duas Alessandras: a real e a da minha caricatura.

A pose dos três (elas e eu) foi feita após o show Drama 'n Jazz, no Teatro Erotides de Campos, no Parque Engenho Central, em Piracicaba, SP.

3 de abr. de 2013

Trabalho e vida

Ontem à noite, fui ao teatro da Unimep, acompanhar uma palestra sobre entrada, permanência e progresso no mercado de trabalho.

José Augusto Minarelli já tinha sido convidado para eventos similares no mesmo teatro. Aos exaustos da labuta diária, era de se esperar maior contenção nas honras da casa ao visitante.

Após tanta pompa e circunstância, uma surpresa: a dispensa de recursos de multimídia, alegria dos adeptos do discurso vazio. Não era o caso de Minarelli, dono de oratória objetiva e consistente. E dono da Lens & Minarelli, empresa de outplacement cuja função transcende a recolocação no mercado de trabalho. 

Contextualizando a situação do trabalhador de ontem e de hoje, explicou o propósito mais amplo de sua empresa: a gestão de saída de profissionais. Nela, os empresários contam com a orientação para "demitir direito", além de oferecer apoio para que os "disponíveis no mercado" encontrem um novo emprego ou comecem um empreendimento.

As mudanças no mundo, segundo o palestrante, fazem com que as pessoas mudem mais de emprego, tenham carreiras mais curtas. A solidez eterna das empresas é coisa do passado. Estas fundem-se, fecham ou se transformam tecnologicamente. Na visão do consultor, atributos a mais para o emprego de hoje são essenciais. A conduta "fora" do trabalho deve nortear a vida "dentro" dele. 

Nos dizeres bem-humorados de Minarelli, prestador de serviço tem que "prestar um serviço que preste com presteza". O consultor convenceu o público que marketing pessoal não é algo nocivo para a carreira. E a tão falada palavrinha da moda ("networking") esteve num contexto aplicado à vida de todos nós, não apenas à carreira. "Pessoas são universos, com conhecimentos, habilidades e relacionamentos. E são um "capital social", em muitos casos, mais valioso que dinheiro".

Outro termo em voga, a "empregabilidade", Minarelli usou para explicar que é a condição cultivada pelo próprio "contratável": eu, você, todos nós. Sendo necessárias competências para competir, MInarelli listou algumas que colocam em vantagem o candidato a trabalhos ou empregos: saber falar, saber ouvir (competência "escassa" entre os profissionais, segundo ele), saber ler, escrever, negociar e persuadir. 

O visitante arrematou suas palavras com outras que, se não deixaram parte do respeitável público apreensivo pelo futuro, deixaram a outra parte satisfeita por estar no caminho certo, tanto no aspecto humano quanto no profissional. Valores, enfim: saber falar e ajudar o próximo, ter fé e saúde, manter relacionamentos, dispor de uma reserva financeira - espécie de dízimo em causa própria para os momentos de dificuldade, emergências e riscos.

No momento do microfone aberto aos presentes, bati em retirada. O pensamento girou em torno de outra palavra-chave: futuro. Que pode pertencer a Deus, mas que está à nossa disposição, junto com a esperança.