Caricaturas singelas de Ary Barroso e Braguinha.
12 de fev. de 2013
Senhores de outros Carnavais
30 de jan. de 2013
Dupla encantada
Caricatura minimalista de Sandra Peres e Paulo Tatit, cérebros e corações do selo musical infantil Palavra Cantada.
26 de jan. de 2013
Linhas fora do caderno
E mesmo tendo participado de uma oficina de confecção de sketchbooks, ministrada pela Bia Ardinghi na Esamc, em Campinas, acabei fazendo apenas a capa de um deles.
Mesmo assim, como tudo na vida, sempre há um porém.
Nunca desenhei esboços e similares em cadernos de capa dura. Mas sempre fiz essas coisas em papeis soltos. Falta agora organizar essa papelada... e quanto mais o tempo passa, mais papel se acumula.
Esse é um dos rabiscos que não se perderam na minha montanha de papeis. É de 2001.
21 de jan. de 2013
Dias melhores verão
Verão, né? Para viagens, não tem estação melhor. Vocês verão chuvas a todo momento, tão intensas que parecem viagens de imaginações delirantes. Haverá veículos pelas rodovias, sintonizando estações de rádio que mudam a cada perímetro urbano percorrido. Tartarugas serão vistas estradas afora: não as amarelas, que diminuem a velocidade de veículos, mas os acinzentados carros e motos e caminhões inibindo a passagem uns dos outros nas vias congestionadas. Eles, sim, serão as verdadeiras tartarugas do verão.
A estação que nos diz respeito, ao menos nesse janeiro, é a que nos faz suar com o sol (sem protetor solar) e nos molhar com a enxurrada (sem guarda-chuva). Aos destemidos cidadãos de bem sem olhar a quem, resolvidos a não pegar um sol por aí, resta a atividade doméstica de sempre. A atividade de quem resolveu passar as férias entre as quatro paredes do lar, tão doce lar.
Existem muitas formas de emissão de suor num verão doméstico, talvez domesticado, já que você foi o único que insistiu em ficar em casa nas férias. O primeiro gotejar do dia vem da necessidade urgente de abrir a janela, para receber aqueles maravilhosos raios solares no seu rosto semi-acordado. Para não contrariar sua imagem familiar de humor contrariado, você é obrigado a soltar a palavra "Raios!" Sem a sagrada família por perto, arrisca-se a balbuciar palavrões ligeiros. Sussurar, apenas, porque os movimentos labiais de um início de dia não obedecem à cabeça quente.
A batata vai assar, ah vai. Não literalmente, você odeia batata. Por força de expressão e por intuição, a batata vai assar... ah, se vai. Antes, vem o pão, que não é de batata. E pão requentado no microondas, que a preguiça de ir à padaria de todo santo dia é grande. Também, com esse sol escaldante...
A inspeção dos ambientes da casa recomenda cuidado. Vai que você tropeça em alguma poça sobrevivente da geladeira descongelada na noite anterior. Mas o quase-tombo vem do contato do chinelo com uma poça amarela. Poça da gata que você temeu que fugisse de casa e a deixou na cozinha. E vai ela e solta as gotas formadoras da tal poça. E esse suor que não para!
O suor a ser emanado do seu corpo nada atlético virá da faxina dos cômodos da residência. Pensou que ficar em casa nas férias seria cômodo? Balde, desinfetante, rodo, pano, sabão em pó, vela acesa pro santo... apetrechos a postos, e vamos lá. Algumas horas depois... tudo limpeza, doutor.
Almoço macro requentado em microondas, e eis que o morador em férias sente-se apto a sentar ao microcomputador. Mas espera... é hora do almoço aos felinos, depois roupa pra lavar. E não esquece o amaciante, ou não adianta colocar a roupa na máquina! O goiabão que não ouse esquecer de catar as goiabas no chão, caídas do pé. E ainda bem que não cai jaca no seu pé. E não meta o pé na jaca por aí, que não vai ter ninguém pra ajudá-lo a voltar pra casa...
Entre primeiras e terceiras pessoas, presentes numa pessoa só, o dia a dia de um exilado doméstico mal passou do primeiro dia. Isso não soa bem. Já o nobre cidadão, cansado por antecipação, vai suando muito bem, obrigado. Transpiração sem a menor inspiração. Talvez haja alguma piração ao final das férias de verão. E com umas rimas e uns trocadilhos pobres que só vendo. Vocês verão?
15 de jan. de 2013
The Picture of Silence
2 de jan. de 2013
Todos os dias
Exercício de tolerância com as diferenças alheias, de busca de harmonia. Exercício de bem-querer, de colocar-se no lugar do outro. Essa observação é para a vida, e não para o que se anuncia como um Ano Novo. Felizes Todos os Dias de nossa Vida.
28 de dez. de 2012
Aplauso para o fundador da Bossa Nova
Recebi hoje o livro "Johnny Alf, duas ou três colsas que você não sabe", autografado pelo jornalista e pesquisador João Carlos Rodrigues.
Um desenho meu do músico (esse ao lado da capa do livro) está na obra. Estou também nos agradecimentos do autor ao final do volume.
O livro está à venda no site da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Um desenho meu do músico (esse ao lado da capa do livro) está na obra. Estou também nos agradecimentos do autor ao final do volume.
O livro está à venda no site da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
27 de dez. de 2012
Papai Noel Enxaqueca
14 de dez. de 2012
12 de dez. de 2012
Um "bom dia" para todos os dias
8 de dez. de 2012
Time sem reservas
1 de dez. de 2012
Nuca mais
Nunca vi capa de CD mais feia que uma capa onde havia uma nuca. A cantora do CD que perdoe, que ela canta e compõe bem. A proximidade sugerida com o ouvinte, mais do que se imaginaria, a foto sugeriu com louvor. Se a intérprete e compositora desejava atrair a atenção para pessoas fora de seu respetável público, também conseguiu. Mas nuca é algo tão sem fotogenia. Que o diga um colega sapeca-levado-da-breca, que num estúdio de fotografia virou-se de costas para a lente da câmera. E olha que ele não canta nada.
Arrepios na nuca podem aparecer em situações-limite. Momentos em que a sensação de prazer inenarrável larga na espinha e rompe a fita de chegada na nuca. Horas em que a tensão narrável nos assalta, correndo-bufando-fugindo pela espinha. Em geral, quando o pescoço está a prêmio, a nuca responde com aquele iceberg que prenuncia um desconforto maior. Como no pressentimento em que o Titanic irá afundar. Na nossa cabeça, pelo menos. Ou no heroísmo do galã do filme-catástrofe.
Tem mais nucas por aí, em outros corpos. O corpo de certos textos. Quem diria que várias entidades, instituições, empresas e quetais adotariam as quatro letras como siglas? Numa pesquisa instantânea no pai-dos-burros virtual, apareceram quatro delas. Nuca é também Núcleo de Cinema de Animação, Núcleo de Conteúdos Ambientais e Núcleo Castor de Estudos e Atividades em Existencialismo.
Sim, nucas existem para além dos limites de um pescoço. Resta saber se outros artistas, da música ou não, continuarão a explorar os limites poéticos do verso da nossa fronte, tão pouco fotogênico.
Arrepios na nuca podem aparecer em situações-limite. Momentos em que a sensação de prazer inenarrável larga na espinha e rompe a fita de chegada na nuca. Horas em que a tensão narrável nos assalta, correndo-bufando-fugindo pela espinha. Em geral, quando o pescoço está a prêmio, a nuca responde com aquele iceberg que prenuncia um desconforto maior. Como no pressentimento em que o Titanic irá afundar. Na nossa cabeça, pelo menos. Ou no heroísmo do galã do filme-catástrofe.
Tem mais nucas por aí, em outros corpos. O corpo de certos textos. Quem diria que várias entidades, instituições, empresas e quetais adotariam as quatro letras como siglas? Numa pesquisa instantânea no pai-dos-burros virtual, apareceram quatro delas. Nuca é também Núcleo de Cinema de Animação, Núcleo de Conteúdos Ambientais e Núcleo Castor de Estudos e Atividades em Existencialismo.
Sim, nucas existem para além dos limites de um pescoço. Resta saber se outros artistas, da música ou não, continuarão a explorar os limites poéticos do verso da nossa fronte, tão pouco fotogênico.
20 de nov. de 2012
De van não vou
A vida de minha geração não foi em van. Foi de kombi.
Aquele carro gigantesco, que andava aos trambolhões. Vinha a lombada, o carro chacoalhava inteiro: os bancos, a lataria, os passageiros. Quantos neurônios perdidos nas viagens em carro de parente.
Crianças não tinham direito à palavra. Mas não dava pra falar nada, o barulho da kombi em trânsito não deixava. No máximo, adultos aos gritos no banco da frente. Aquele banco invejado pela molecada. Estar no comando era ser adulto. Só que com um carro melhor, a gente esperava quando crescesse. Um fusca azul escuro igual ao do pai.
O tempo deixou para trás as kombis, vieram as vans. O adulto aqui entrou em várias, indo e vindo de lugares onde nenhum humano jamais estaria, igual os lugares onde a parentada nos levava de kombi. Van, um carro compacto até demais. Tanto quanto um fusca, que se tornou bettle (e não beatle).
O chato da van é a sensação de sermos sardinha em lata em trânsito. Ou atum enlatado? Pode-se ir a museus, a zoológicos, instituições que todo mundo finge que gosta. Na van, a gente chega a elas com as costelas quebradas. Agora você sabe: o gemido diante da tela do pintor famoso, da exposição da moda, não é de satisfação. É de dor pela viagem inesquecível no veículo nanico.
Não que o fusca azul da família feliz não fosse apertado. Era. Fins de de semana com o carrinho, só dois por mês. Nos outros, o fusca ficava com o sócio do pai. Um carro meio a meio! E a vontade de possuir um fusca amarelo? Um dia, a gente chega lá, pela via das dúvidas. E das dívidas no consórcio. Com direito a lombadas no meio do caminho. E algum avanço no sinal vermelho, mais ou menos autorizado pela musa da vez.
Aquele carro gigantesco, que andava aos trambolhões. Vinha a lombada, o carro chacoalhava inteiro: os bancos, a lataria, os passageiros. Quantos neurônios perdidos nas viagens em carro de parente.
Crianças não tinham direito à palavra. Mas não dava pra falar nada, o barulho da kombi em trânsito não deixava. No máximo, adultos aos gritos no banco da frente. Aquele banco invejado pela molecada. Estar no comando era ser adulto. Só que com um carro melhor, a gente esperava quando crescesse. Um fusca azul escuro igual ao do pai.
O tempo deixou para trás as kombis, vieram as vans. O adulto aqui entrou em várias, indo e vindo de lugares onde nenhum humano jamais estaria, igual os lugares onde a parentada nos levava de kombi. Van, um carro compacto até demais. Tanto quanto um fusca, que se tornou bettle (e não beatle).
O chato da van é a sensação de sermos sardinha em lata em trânsito. Ou atum enlatado? Pode-se ir a museus, a zoológicos, instituições que todo mundo finge que gosta. Na van, a gente chega a elas com as costelas quebradas. Agora você sabe: o gemido diante da tela do pintor famoso, da exposição da moda, não é de satisfação. É de dor pela viagem inesquecível no veículo nanico.
Não que o fusca azul da família feliz não fosse apertado. Era. Fins de de semana com o carrinho, só dois por mês. Nos outros, o fusca ficava com o sócio do pai. Um carro meio a meio! E a vontade de possuir um fusca amarelo? Um dia, a gente chega lá, pela via das dúvidas. E das dívidas no consórcio. Com direito a lombadas no meio do caminho. E algum avanço no sinal vermelho, mais ou menos autorizado pela musa da vez.
17 de nov. de 2012
Um Ponto Final que é só o começo
Tem gente que faz trabalhos na faculdade, depois se lança ao mercado. Eu fui do contra: após 21 anos de carreira como ilustrador, fiz um trabalho para a faculdade.
O trabalho foi criado para o Ponto Final, projeto experimental produzido pelos alunos do último semestre de Jornalismo da Unimep.
O jornal, anual, sai encartado no Jornal de Piracicaba. O JP, por sinal, me lançou como ilustrador e quadrinhista em 1991, quando eu não tinha idade sequer pra ser universitário.
Os alunos do curso de Design Gráfico da Unimep colaboraram com o Ponto Final. Eu entre eles. Minha ilustração está na página 6 do jornal, junto à matéria da minha amiga Ana Carolina Miotto. O PDF do jornal completo está aqui.
16 de nov. de 2012
Tudo é possível?
Não há elogio mais completo que esse, dizer que alguém é "tudo". É o agrado ideal para começar ou terminar um relacionamento. O efeito da frase "você é tudo pra mim" pode soar devastador, ser um tudo ou nada num namoro. Se houver desconfiança quanto aos méritos de uma das partes, a frase contendo o tudo não valerá nada. Mesmo sendo tudo.
"Tudo" é uma palavra controversa. Alguém já questionou se o X-Tudo tem realmente tudo? Claro que não tem. No máximo, pode ser um X-Muita-Coisa. Honra seja feita: o dono da lanchonete não cobra tudo pelo X-Tudo. Seria muita coisa.
E quando uma pessoa diz que faz tudo por nós? Pode ser um gesto de grandeza, de heroísmo. Talvez de burrice: é provável que a pessoa não seja digna desse tudo. Ou esteja querendo lhe aplicar uma cantada pra lá de barata. Que pode custar caro.
Mas nem tudo são flores nessa vida. Os espinhos fazem parte. Mas não venha querer jogar tudo isso na minha cara.
13 de nov. de 2012
As Aventuras do Homem Prendado
FAXINA Dos rodapés ao teto, a limpeza tem que ser completa. Você se debruça no chão para tirar uma poeirinha rebelde, que insiste em não sair do lugar. Acaba tirando, mas a ventania involuntária causada pela vassoura causa a chegada de mais três poeirinhas, talvez parentes distantes da poeirinha original. Eliminadas as principais poeiras, passa-se um pano molhado com desinfetante, para completar a tarefa com louvor, deixando o chão imaculadamente claro de uma vez. Entretanto, outras tantas poeirinhas, agora com cheirinho de pinho, grudam no pano molhado. E a brisa, causada pelo movimentar do rodo envolvido pelo pano úmido, traz outras poeirinhas retardatárias ao ambiente. E toca pegar a vassoura de novo, pra tocar da galáxia as poeiras teimosas. A música da Ivete Sangalo vem à cabeça ("Levantou poeeeeirááá´...). E o vai e vem da limpeza traz ao corpo do faxineiro-de-ocasião um odor insuperável, de atrair imediatamente um gambá apaixonado.
LOUÇA Dez copos, vinte talheres e trinta pratos depois, você está de alma lavada, porque acabou de lavá-los. Sensação de dever cumprido invadiria seu ser, não fosse a pia ser invadida por mais vinte copos, trinta talheres e quarenta pratos.... sujos. Com a cara lavada, a família acaba de despejar na sua cara a obrigação da hora: lavar a louça do jantar. Isso porque você tinha acabado de lavar a louça do almoço. Melhor você arrumar um emprego como camareiro de hotel. Senão vai sujar pra você.
ROUPA A máquina de lavar roupa é novinha em folha. Você coloca nela quilos de roupas, sabão em pó. Ela roda tudo feito um liquidificador, lhe servindo roupas limpinhas e cheirosas. Só que, na segunda lavagem da história da máquina, você morrendo de pressa pra lavar roupas para vestir em alguns segundos... ela faz birra e deixa de funcionar. Você coloca outra maquina pra funcionar: seu cérebro. E mexe um fio aqui, outro acolá, troca as mangueiras de lugar. Quando tudo parece perdido, chega o outro cérebro da casa, o que funciona. Com um leve tapinha numa das extremidades da máquina, ela volta a ligar. E você aprendeu mais essa lição: máquinas são iguais computadores, se não tratar com carinho... embirram. Se liga, mané!
12 de nov. de 2012
Uma árvore vale mais que mil palavras
4 de nov. de 2012
Fiapos, cuspes e engulhos em geral
Comer milho é que nem chupar manga. Você sabe que vai ficar com fiapo nos dentes. Os ditos fiapos durarão uma vida na sua boca. Você jamais conseguirá tirá-los. Uma boca com pedaços de arame farpado entredentes. Todos os palitos e fios dentais de todas as galáxias não bastarão para acabar com o suplício. Mesmo com tamanho infortúnio, que pode ser eterno enquanto dure, você vai e come o milho, a manga e outros alimentos prazerosos porém incômodos.
Tanta coisa que a gente come mesmo assim. Porque mãe manda a gente comer. "Você tem que crescer, tem que comer verdura"! E tem tanta gente aí, criançola, que praticou a sublime pop art do trash food. Sanduíche tem verdura também, tudo bem. Mas em geral coisas proibidas a gente come fora de casa. O que é trash a gente não coloca pra fora, na calçada, pro lixeiro levar? Não por acaso, os restaurantes de sandubas assassinos ficam nas esquinas. Só que os restaurantes levam a gente pra dentro deles, não pra fora.
A gente adoraria colocar muita coisa pra fora. Mas engole. A introdução de anfíbios goela abaixo é algo corriqueiro em tempos tortuosos. Furacões com nomes de cantoras de sotaque-pop-com-crise-dos-30 abundam. E cantoras com sotaque-pop-etc-e-tal adorariam ter o impacto de furacões, na cena abundante da música atual. Já o cenário atual fabrica pântanos e lagoas para farta reprodução dos batráquios verdejantes. Se não houver condições para reprodução dos sapos, de que forma conseguiremos ingeri-los? Afinal de contas - e das contas que chegam sem parar - o equilíbrio ecológico deve ser mantido.
Engolir sapos, mais que uma necessidade da natureza, é esporte nacional. E a natureza do brasileiro, encarar esporte como se fosse batalha? Queria ver o brasileiro médio, do alto de sua barriga de churrasco e cerveja, encarar o desafio do futebolista médio ganhador de um salário baixo. Esse torcedor é capaz de torcer o pescoço do escravo dos campos: esse que pode ganhar uma partida mas mal ganha pra comprar um tênis da Nike. O mundo não é só feito de jogadores fantásticos que suam a camisa pra emagrecer. Aliás, nem é composto tão-somente de torcedores mimados e ébrios.
Antes que a maionese desses palpites azede, atraindo mosquitos em toda a cozinha onde a picanha esfriou, é melhor meter o pé na estrada, que o feriadão acabou. Com fiapo no dente e tudo.
Tanta coisa que a gente come mesmo assim. Porque mãe manda a gente comer. "Você tem que crescer, tem que comer verdura"! E tem tanta gente aí, criançola, que praticou a sublime pop art do trash food. Sanduíche tem verdura também, tudo bem. Mas em geral coisas proibidas a gente come fora de casa. O que é trash a gente não coloca pra fora, na calçada, pro lixeiro levar? Não por acaso, os restaurantes de sandubas assassinos ficam nas esquinas. Só que os restaurantes levam a gente pra dentro deles, não pra fora.
A gente adoraria colocar muita coisa pra fora. Mas engole. A introdução de anfíbios goela abaixo é algo corriqueiro em tempos tortuosos. Furacões com nomes de cantoras de sotaque-pop-com-crise-dos-30 abundam. E cantoras com sotaque-pop-etc-e-tal adorariam ter o impacto de furacões, na cena abundante da música atual. Já o cenário atual fabrica pântanos e lagoas para farta reprodução dos batráquios verdejantes. Se não houver condições para reprodução dos sapos, de que forma conseguiremos ingeri-los? Afinal de contas - e das contas que chegam sem parar - o equilíbrio ecológico deve ser mantido.
Engolir sapos, mais que uma necessidade da natureza, é esporte nacional. E a natureza do brasileiro, encarar esporte como se fosse batalha? Queria ver o brasileiro médio, do alto de sua barriga de churrasco e cerveja, encarar o desafio do futebolista médio ganhador de um salário baixo. Esse torcedor é capaz de torcer o pescoço do escravo dos campos: esse que pode ganhar uma partida mas mal ganha pra comprar um tênis da Nike. O mundo não é só feito de jogadores fantásticos que suam a camisa pra emagrecer. Aliás, nem é composto tão-somente de torcedores mimados e ébrios.
Antes que a maionese desses palpites azede, atraindo mosquitos em toda a cozinha onde a picanha esfriou, é melhor meter o pé na estrada, que o feriadão acabou. Com fiapo no dente e tudo.
3 de nov. de 2012
Tutti de novo
Saiu a nova edição da revista Tutti Condomínios (MBM Escritório de Ideias).
A revista traz o registro da minha participação no Encontro Bem Viver, como caricaturista dos palestrantes da noite.
Matéria e fotos sobre o Encontro nas páginas 14 a 17.
A nova Tutti pode ser lida aqui.
A revista traz o registro da minha participação no Encontro Bem Viver, como caricaturista dos palestrantes da noite.
Matéria e fotos sobre o Encontro nas páginas 14 a 17.
A nova Tutti pode ser lida aqui.
1 de nov. de 2012
Crepúsculo de um jornal
![]() |
| Última capa do JT |
Editado pelo Grupo Estado, do jornal O Estado de S. Paulo, teve uma trajetória de quase quatro décadas, iniciada pela equipe de Mino Carta, hoje diretor da revista Carta Capital.
Não fui leitor assíduo do JT. Mas lembro de uma capa com ilustração do mestre Roberto Negreiros, onde Paulo Maluf dançava ao modo de Gene Kely, ao redor de um poste.
Da história recente do Jornal da Tarde, lembro da polêmica envolvendo o editor Julio Maria, o cantor Zezé di Camargo e meu amigo Diogo Salles, um chargista de mão cheia.
Aliás, conheci o Diogo num episódio curioso.
Fui fazer uma vista à redação do Estadão, para bater um papo com os desenhistas Eduardo Baptistão, que ia conversando comigo enquanto trabalhava, e o Carlinhos Muller, que me levou para um papo regado a café.
Nessa tarde, o Diogo tinha marcado uma visita a um dos editores do Jornal da Tarde. Seis meses depois, seria admitido como chargista.
Não sei se a morte de um jornal diz algo à Geração Facebook. Mas a mim, um dos que cresceram com um jornal nas mãos, e que em várias ocasiões trabalhei para essa mídia, diz muito.
RIP JT. E um grande abraço aos meus amigos do traço, que ainda acreditam na força dos impressos. Por serem apaixonados por eles.
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