6 de out. de 2010

O alívio dos bolhas

Assim como a cachaça faz as vezes de divã dos mais necessitados, o plástico-bolha faz as vezes de calmante dos pobres de marré-de-si. Ou dos mais necessitados, que seja.

Se a cachaça tem um efeito relaxante mas faz seu consumidor deixar aflorar uma emoção nunca dantes conhecida, a ponto de fazer o cidadão declarar amor desmedido pelos amigos e demais seres humanos dispostos a contê-lo, o plástico-bolha só faz seu usuário relaxar, sem danos morais a quem o cerca.

No contato com as bolinhas de ar prestes a serem espremidas, feito cravos rebeldes de adolescentes idem, o cidadão estressado da labuta diária que inclui brigas no trânsito, brigas com o chefe no trabalho, brigas com o cachorro, os filhos e a mulher no dulcíssimo lar, realiza uma eficiente sessão de relaxamento.

Se a função original do plástico-bolha por décadas a fio continua sendo a de embalar produtos mais frágeis que um cachorro poodle perdido numa tempestade, cabe aos milhões de usuários do plástico expressarem gratidão aos seus inventores: deixando-se embalar pelo alívio que a explosão das bolinhas traz aos consumidores.

Mas, como nem tudo na vida é alívio, o plástico-bolha, assim como a cachaça supracitada, pode produzir dependência. Portanto, trate de explodir as bolinhas com moderação. As bolinhas do plástico, seu bolha.

28 de set. de 2010

Caricaturas na Caixa




Na última sexta-feira, 24 de setembro, estive na inauguração da nova agência da Caixa Econômica Federal em Piracicaba, a agência Noiva da Colina.

Além dos discursos de praxe, da música ao vivo e do buffet aos convidados, duas atrações completaram a noite. Uma, a exposição de trabalhos premiados no Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Outra, a performance de caricaturas ao vivo deste cartunista.

Acima, algumas fotos do evento.

20 de set. de 2010

Deodato e Gershwin

O músico, produtor e arranjador Eumir Deodato é o retratado da caricatura ao lado, feita por este blogueiro.

Carioca de fama internacional, ele fez rara aparição em Piracicaba há duas semanas, para um workshop e um show.

11 de set. de 2010

Social do Salão de Humor

As fotos desta postagem foram feitas na abertura do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, no último sábado de agosto, na nossa sessão de caricaturas ao vivo. Desenhei o público junto com meu irmão Fábio e o colega Amauri Ribeiro.

Na foto acima, sou o barbudo, canhoto e calvo de camisa verde: tão caricatural quanto as pessoas que eu desenharia naquela noite. Ou mais.


Na foto acima, o Fábio, de blusa vermelha, já estava com a gente.

O interessante da caricatura ao vivo é a resposta imediatamente positiva do público ao nosso trabalho. Mesmo que esse trabalho se assemelhe a colocar um espelho quebrado diante do rosto de cada pessoa. Mas os dois lados se divertem, e ainda bem.

As fotos desta postagem saíram do perfil do Salão de Humor de Piracicaba no Orkut. O caricaturista que vos fala agradece desde já.

Mas as caricaturas ao vivo no Salão de Humor continuarão. Confira dias e horários aqui.

3 de set. de 2010

Cadê os desenhos no blog?

Boa pergunta.

Tenho trabalhado mais com caricaturas ao vivo. No momento, estou fazendo isso no Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

As caricaturas ao vivo estão programadas nos sábados, domingos e feriados até 17 de outubro, em Piracicaba:

2 às 5 da tarde: Caricaturas no estande da CCR AutoBan - Armazém 09 (ao lado do Armazém 14) - Engenho Central

As tiras e outros desenhos voltam ao blog assim que acabar essa maratona de caricaturas. Por enquanto, vocês podem se divertir aqui e aqui.

27 de ago. de 2010

Dicas sem jabá

Quem sou eu para dizer o que vocês podem ler ou ouvir? Ora, eu sou um cara de pau que gostaria de lhes dar dicas do que se possa ler ou ouvir.

Feito este breve intróito, vamos ao que importa: as dicas. Quem quiser ir antes a um dicionário, para saber o que significa "intróito", fique à vontade.

Onde está o amor? (Nico Nicolaiewsky) - Não espere encontrar no CD solo de Nico o maestro Plestkaya da dupla Tangos & Tragédias. Nesse CD, o humor não dá as caras, começando pelo canto "normal" do titular da obra. O trabalho é um apanhado de canções tocadas e arranjadas no formato mais pop possível, sob a batuta de John Ulhoa, cérebro da banda Pato Fu. Se o título contém uma pergunta complicada, a resposta pode estar nas letras das músicas. Ou no coração de cada ouvinte? Vai saber.

Livro aberto - Páginas soltas ao longo do tempo (Fernando Sabino - ed. Record) - Morto em 2005, o mineiro que começou na literatura como menino-prodígio em sua Belo Horizonte natal, encerrou sua trajetória desacreditado, após a publicação de uma biografia da ex-ministra da fazenda de Collor, Zélia Cardoso de Mello. Massacrado pela imprensa após ver o livro virar best-seller, o escritor recolheu-se a seu apartamento para compilar material de uma vida inteira, que não tinha sido aproveitado em obras anteriores.

Livro aberto é um tijolaço, algo raro em se tratando do autor, sempre amigo dos formatos enxutos e mais baratos para seus livros. A coletânea é um passeio pelo tempo, englobando contos, crônicas, perfis e resenhas dos anos 30 até a década de 90 do último século. Fernando Sabino é um marco na minha vida de leitor. Como muitos, nunca entendi a casca de banana que ele próprio se atirou, ao cometer a biografia de Zélia. Mas antes isso do que não tê-lo mais entre nós. Certas ausências são irreparáveis.

19 de ago. de 2010

Pelé e Neymar

Meu pai é da geração que viu Pelé jogar. Por causa dele, torço pro Santos. Por causa do meu pai, não do Pelé, embora o maior jogador do século passado seja um motivo mais que justificado para se torcer para qualquer time.

Como dizia, por causa do meu pai, torço pro Santos. Conheço o Pelé apenas das aparições televisivas pós-encerramento da carreira, das entrevistas nas quais ele se refere ao Pelé usando a terceira pessoa, tal qual uma entidade separada do Edson, seu verdadeiro nome. Entende? Eu nunca entendi.

Impossível ficar indiferente ao Pelé. Vi quase duas horas de lances e gols pra lá de magníficos naquele documentário de Aníbal Massaini, Pelé Eterno. O tal jogador que tanto se diz e se propaga já em estágio de lenda, quiçá divindade, realmente existiu. E aqui cabe o advérbio de modo. Cai bem um Rei do Futebol falar "realmente".

Agora que o Internacional de Porto Alegre ganhou o bicampeonato da Taça Libertadores da América, coube ao Pelé nos deixar estupefatos uma vez mais. Ele cometeu a proeza de envergar um uniforme com a cor do Inter: vermelho! Reis costumam ter lá suas doses de excentricidade, mas elas sempre chocam os cidadãos que andam abaixo de qualquer pedestal. A maior esquisitice de Pelé é cantar, compor e tocar violão. Dos males, o menor: deixa ele se vestir da cor que quiser, contanto que não se meta a cantor perto da torcida, qualquer uma.

Com Pelé para abençoar a Vila Belmiro, sempre que pode comparecer aos jogos do Santos, o time acaba de ganhar mais uma alegria: a permanência de Neymar, o garoto-prodígio. Assediado pelo time inglês Chelsea, o jogador resolveu ficar no Brasil, mediante um plano de carreira e um contrato de cinco anos com o time santista. É um fato que ajuda a torcida a esquecer a ausência de Robinho, outro garoto que impressionou a torcida da Vila.

Outra coisa para se impressionar é a minha súbita autoridade para comentar futebol, em cima do lance. Mas tudo bem: o Pelé jogou bola como ninguém e também nunca foi um bom comentarista do esporte bretão. Se derem um microfone a meu pai, periga dele falar melhor de futebol que o próprio Rei.

Caricaturas de Salão

Em 2010, estarei marcando presença no Salão Internacional de Humor de Piracicaba de duas maneiras: ao vivo e na mostra principal.

Ao vivo, estarei em todos os fins de semana durante o Salão, no Engenho Central, de agosto a outubro, fazendo caricaturas para o respeitável público visitante.

As caricaturas serão feitas em dois ambientes, em diferentes horários: primeiro no espaço da mostra principal com o Jornal Caricaras, e em seguida no estande da CCR AutoBan, uma das apoiadoras do Salão neste ano.

Na mostra principal, estarei com trabalho selecionado na categoria Tiras.

A programação deste ano do Salão de Humor inclui, além da tradicional mostra principal, várias mostras paralelas de primeiríssima qualidade. Ziraldo, Spacca, Ronaldo Cunha Dias e Willian Hussar estão entre os artistas convidados.

A gente se encontra em Piracicaba. Combinado?

4 de ago. de 2010

Xeque-mate?

No final do mês, estarei em um encontro de xadrez. Não para jogar, mas para fazer caricaturas ao vivo durante os jogos. Segue o flyer do evento ao lado. Para ver melhor, clique na imagem.

Já tive contato com esse jogo como espectador, há uma dezena de anos. Foi num campeonato promovido por um colégio particular de Piracicaba, num clube. Eu fazia texto e diagramação de um jornal institucional do tal colégio.

Aos meus olhos de repórter de ocasião, era espantoso o silêncio que se fazia durante as partidas. Sem falar nos lances repentinos disparados pelos competidores, que podiam decidir uma partida em segundos.

Agora, o xadrez volta ao meu cotidiano por um dia, trazendo de brinde o craque Mequinho, que eu conhecia apenas da música "Super-Heróis", do Raul Seixas e do Paulo Coelho.

Vai ser divertido.

30 de jul. de 2010

Animais!

O texto a seguir saiu numa página de humor que eu editava no jornal Tribuna Piracicabana, de 2001 a 2003. Outros textos dessa época você confere no Releituras, um site-referência da literatura no Brasil, editado por meu amigo Arnaldo Nogueira Jr.

O elefante e o rinoceronte não se bicavam.

O elefante achava que seu grito, "fuóóóóó", existia para alertar os bichos de injustiças, desmandos, falta de ética e outros penduricalhos que servem pra gente dizer que está revoltado.

O rinoceronte, pelo contrário, achava que sua simples presença servia para mostrar aos bichos quem é que mandava naquela birosca, que esse negócio de injustiças e desmandos e falta de ética era denúncia vazia, talvez coisa daqueles passarinhos caga-sebo — ou caga-regras? — , doidos para ver o circo pegar fogo, uma palhaçada.

Vendo que a coisa iria degringolar e alguns bichos inocentes pagariam pela animosidade da paquidérmica dupla brigona, o tucano resolveu chamá-los para uma prosa conciliatória. Disse que os senhores elefante e rinoceronte poderiam decidir suas diferenças à vista de todos os "habitantos" da floresta. Que não valeria soco abaixo da linha da cintura, que resolvessem a contenda, pois estava em jogo o equilíbrio ecológico do mundo e outros patatis-patatás de uma conversa do gênero. Bom diplomata que era, o tucano ficou aliviado e espalhou a boa nova ao respeitável público.

Quando chegou o grande dia da batalha entre o elefante-ofegante e o rinoceronte-mastodonte, a floresta mobilizou-se para o espetáculo. Uns apostavam no ofegante, outros no mastodonte, os mais velhos olhavam aquilo com tédio, as macacas de auditório gritavam como nunca.

Preparados os competidores, o tucano deu o tiro que matou a ansiedade da platéia e iniciou o embate. Um urro se ouviu, o elefante achou que o tiro do tucano tinha saído pela culatra, e estava certo. O leão, que dormia, acordou danado da vida com o barulho e acabou com a festa. E foi aí que os dois competidores caíram na real... ou melhor, viram quem é que era o legítimo, o verdadeiro, o autêntico rei da cocada preta.

(A)moral: quem tem o rei na barriga sempre perde a majestade

5 de jul. de 2010

Professores e alunos do humor

Em 2011, completo vinte anos de carreira. E o Salão de Humor de Piracicaba é uma lembrança permanente desde os anos 80.

Minhas primeiras visitas ao evento aconteceram ainda no Teatro Municipal. Numa delas, vi pela primeira vez um exemplar do Pasquim, em sua versão paulistana. Na mostra principal, nomes como Luigi Rocco e Ronaldo Cunha Dias estavam todo ano entre os cartunistas selecionados. O primeiro, aliás, se casaria com uma piracicabana. Essa cidade tem visgo mesmo.

De 1989 pra cá, fui alimentando o desejo de virar cartunista. No mesmo ano, fui aluno da Oficina de Quadrinhos de Jal e Gual, organizadores do Troféu HQMix. Em 1991, virei profissional da área. Depois, o namoro com o evento aumentou.

O entrosamento com outros cartunistas na cidade gerou mostras paralelas no Salão, de um grupo chamado Pamonhas de Piracicaba. O nome, depois rechaçado por um ou outro membro mais mal-humorado do grupo, só confirmou o óbvio: pamonha de casa não faz milagre.

Após ser selecionado algumas vezes para a mostra principal, ser jurado de seleção e organizar uma mostra de tiras feitas pelos ex-Pamonhas, o Salão de Humor me deu a chance de dar aulas de humor gráfico para professores das redes municipal e estadual de ensino de Piracicaba. Esse conhecimento está sendo repassado aos alunos para que participem do Salãozinho de Humor, uma versão infanto-juvenil do evento, já na oitava edição.

Na oficina, ministrada junto à artista plástica e arte-educadora Belê, as professoras-alunas demostraram uma vontade imensa de absorver e interagir com a linguagem do humor.

É um desafio, para as alunas e para os professores, destrinchar, feito um frango caipira, os mistérios do humor em cartum, charge, caricatura e tira. Mas a teoria harmonizou-se com a prática, gerando exercícios de criação muito interesantes. E engraçados!

O que era um aprendizado informal do humor, por meio do contato anual com o Salão, torna-se um aprendizado sistemático, por meio das oficinas agora promovidas com frequência pelo próprio evento, para crianças e adultos.

A satisfação de ser escolhido para repassar esse conhecimento, como cartunista "formado" pelo Salão, não poderia ser maior. Que o riso continue forte e saudável, entre as novas e as velhas gerações.

3 de jul. de 2010

A mulher que eu amo (ou amava?)

Eu admiro a coragem do Roberto Carlos. Ia dizer que aprecio a cara de pau dele, mas não é essa a expressão. É "coragem" mesmo.

Pra começar, ele sobreviveu a cinquenta anos de carreira. Popstar que se preze ou morre no meio do caminho e vira mito - vide Michael Jackson, Elvis Presley e Paulo Sérgio - ou sobrevive à roda-viva, envelhecendo em público sem pudor das rugas da voz e da alma. Roberto, desnecessário dizer, escolheu a segunda alternativa.

Que coragem!

Antes de ser Jovem Guarda, nosso Rei tentou ser Bossa Nova, sendo imediatamente rejeitado pelos mauricinhos da Zona Sul carioca. Até gravou aquele disco "Louco por você", uma salada de sub-bossas, quase-rocks e anti-versões. O cantor considera sua estréia em LP ruim por um detalhe pequeno: a desafinação numa das faixas. E engavetou o vinilzão.

Mais coragem pro currículo.

Depois do sucesso da Jovem Guarda, onde enfiava ouvidos abaixo das menininhas o acompanhamento vagabundo daquele órgão pilotado por Lafayette, dando aos seus rocks e baladas uma vestimenta de música de igreja no domingo, o cantor virou adulto.

Rasgando a voz, feito um sub-negão da Motown, resolveu incorporar suíngue à sua música, na trilha da moda dos nascentes anos 70. Isso antes de virar um romântico incorrigível e duradouro, com pitadas de fé explícita, bem antes dos padres-cantores gravarem seus discos.

Haja coragem!

E coragem é o que me motivou a escrever algumas linhas sobre a mais nova canção de Roberto Carlos, divulgada na novela das nove da Globo, Viver a Vida.

A canção se chama "A mulher que eu amo", de autoria somente do cantor. A música saiu no CD da trilha sonora da novela, foi liberada para download pago em alguns sites e ganhou as avenidas da web.

Percorri as tais avenidas e conheci "A mulher que eu amo". Conheci a música, não a mulher da música.

Como os fãs de Roberto Carlos devem saber, a mulher que a tal letra descreve e exalta só pode ser a falecida esposa dele. É sabido que o cantor tem composto exaltações sem fim à finada, e que reforçou esse sentimento para além da arte, nas entrevistas concedidas após o trágico desenlace.

E a canção só reforça a minha opinião sobre a coragem de Roberto Carlos. Exaltar uma mulher falecida usando verbos no presente não é pra qualquer um. Como também não deve ser fácil ser Roberto Carlos em tempo integral. Mas isso vocês já sabiam.

De qualquer forma, o Rei ainda não perdeu a majestade. E a coragem.

29 de jun. de 2010

De Pires na mão

Moro em Piracicaba, a terra do rio cantado por Tião Carreiro.

Tendo nascido na cidade, e conhecendo o que rola na margem direita e na margem esquerda do tal rio, tenho uma relação discutível com a terrinha. Principalmente quando quero discutir a relação.

Nas vezes em que estou em paz com a terra-mãe, vou atrás das minhas raízes, mesmo que para isso eu ande quilômetros de distância. Como bom caipira, gosto de inventar moda. Se eu fosse músico, seria moda de viola. Como sou cartunista, fico nas piadas de caipira. Às vezes sou a vítima das piadas.

Há quatro anos, reatei uma amizade com sotaque dos anos 90. Liguei para o amigo, morador da capital paulista, e lá fui eu bater um papo com ele. Entre papos, cervejas e sanduíches, ele me contou que ouvia a rádio Cultura ao nascer do sol, todo santo dia. E no raiar da programação da rádio, havia um espaço para os causos de Cornélio Pires, humorista e folclorista de Tietê (a cidade, não o rio).

No cafezinho após o banquete, o amigo me confessou a vontade de traduzir a obra de Cornélio Pires, legítimo desbravador da cultura caipira do começo do século vinte, para os quadrinhos. E coloquei mais lenha na fogueira, sugerindo que fizéssemos o trabalho em parceria.

Animado com a perspectiva do trampo em conjunto, voltei a Piracicaba. Um mês ou dois depois, a animação aumentou.

Uma palestra sobre Cornélio Pires abriria a semana dedicada a ele, realizada todo ano em Tietê. Só que, numa exceção honrosa, a palestra seria em Piracicaba, no Sesc local.

Chegando ao auditório, encontrei o secretário de cultura de Tietê, Pedro Macerani, acompanhado do historiador Benedito Pedro Silvestrim, mais conhecido como Fuzilo, uma autoridade em Cornélio.

O secretário exibiu dois filmes realizados pelo pioneiro da gravação de músicas caipiras. Dois curta-metragens da década de 20: um mudo, outro sonoro.

O segundo filme trazia a primeira gravação, em áúdio e imagem, da dupla Mandi e Sorocabinha, realizada antes mesmo da primeira gravação de disco caipira, também feita por Cornélio Pires. O primeiro videoclipe sertanejo!

O historiador trouxe uma palestra toda planejada e escrita com esmero de detalhes. Ao chegar no Sesc, ficou sabendo que não iria falar sozinho, tendo sua fala reduzida às suas intervenções num debate após a exibição dos filmes.

Mas o "seu" Fuzilo deixou a maior surpresa para o final da noite. Ele saíra do hospital direito para a palestra, pois sofrera um ataque do coração há pouco tempo.

Mais um tempinho, e o meu coração também sofreu certo abalo. Mas de alegria, quando pisei em Tietê, a terra de Cornélio, onde há um museu dedicado à vida e obra do caipira pioneiro.

Sem eira nem beira, desci na rodoviária da cidade e perguntei pelo tal museu. Tietê estava às moscas, ou nem isso, as moscas pareciam estar de folga. E tinham razão, pois era feriado municipal...

Como o leitor da capital deve saber, espaços culturais em cidades do interior costumam fechar em feriados. Se até o leitor sabe, daria sorte: eu não sabia.

E fui ao centro de Tietê, a quatro ou cinco passos da rodoviária, procurar mais sobre a cidade e o museu de Cornélio Pires.

Numa banca de revistas, ao saberem do meu projeto de quadrinhos sobre o símbolo da cidade, me deram o telefone do "Seu" Fuzilo, o simpático historiador citado linhas atrás. Acabei não indo, para não perturbar o descanso do recém-enfartado em pleno feriado.

Antes tivesse ido. Pouco depois da minha visita a Tietê, "Seu" Fuzilo descansaria para todo o sempre.

Mas teve um "porém", que isso sempre tem. O dono da banca, um dentista, me levou à sua casa a minutos dali, e me presenteou com vários livros de Cornélio Pires. Isso porque ele nunca tinha me visto na vida.

Voltei a Piracicaba sem visitar o museu em Tietê e sem ter voltado a ver o velho Fuzilo. O desejo de revisitar o velho Pires em quadrinhos, junto ao meu compadre em São Paulo, permanece.

Um dia desses a gente volta a tomar um café e retoma esse desejo. E o realiza.

7 de jun. de 2010

Salões de Humor de Piracicaba

Piracicaba e seus salões de humor começam a dar as caras.

O Salão Universitário de Humor, promovido pela Unimep desde 1992, abre na próxima sexta-feira.

Nesta segunda-feira, foram escolhidos os trabalhos da mostra. O dono deste blog participou do júri de seleção.

Já o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em sua edição de número 37, está com inscrições abertas para o envio de cartuns, charges, caricaturas e tiras.

O Salãozinho de Humor, versão paralela do evento para crianças, também abriu inscrições.

Durante o mês de junho, uma oficina estará ensinando humor gráfico a professores das redes municipal e estadual de ensino da cidade.

Sou um dos orientadores da atividade, ao lado da artista plástica Elisângela Mathias.

Os professores repassarão o conhecimento adquirido na oficina aos alunos, para que participem do Salãozinho.

A temporada do humor em Piracicaba está apenas começando. Mais novidades em breve.

3 de jun. de 2010

Um baita de um filho da mãe

Na véspera do último Dia das Mães, em 8 de maio, corri o risco de ser chamado de filho... da mãe.

O cenário era São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Fui chamado a desenhar caricaturas ao vivo para os clientes da loja C&C.

O risco de ser xingado era grande. Mas o povo que ganhou as caricaturas feitas na hora curtiu o presente. E me deixou correr riscos apenas no papel.

Outras peripécias caricaturescas você confere aqui.

25 de mai. de 2010

Futebol de Salão


Bem poderia ser esse o nome da exposição organizada pelo Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Mas não é. O nome é apenas Futebol.

A mostra reúne cartunistas e artistas plásticos de Piracicaba. Todos fazendo trabalho com o tema acima. Vai ter artistas dente de leite, cartunistas com anos de bola no pé, até artistas plásticos a um passo de pendurar as chuteiras.

A exposição Futebol abre na próxima quinta-feira, às 8 da noite, no Engenho Central, em Piracicaba, com coquetel e tudo. Os leitores do blog estão convidados.

13 de mai. de 2010

No dia 13 de maio...

...130 tiras de um personagem afrobrasileiro (é assim que se diz?).

12 de mai. de 2010

Torcedor é tudo igual

Apesar de ser mais uma voz discordante da escalação da Seleção do Dunga, sou da paz.

Não é o que acontece nas caixas de comentários dos blogs. Principalmente as dos blogs de televisão, onde analfabetos funcionais se estapeiam para discordar do colunista da vez.

Descobri um novo tipo de torcedor. O torcedor de celebridades. Uma espécie que quer torcer o pescoço de quem falar mal da sua celebridade favorita. E com um português de fazer inveja a qualquer torcedor de time grande.

6 de mai. de 2010

Eu pago minhas contas com café

Ontem, recebi um e-mail tentador.

Uma fábrica de café da região de Piracicaba está promovendo um "concurso cultural".

Ilustradores, designers e publicitários podem enviar um logotipo especial para o aniversário da marca. O prêmio ao ganhador? Uma máquina de café. Com café para abastecê-la durante seis meses.

Sou grande consumidor de café. Mas isso não me fará largar minha profissão de ilustrador, cartunista e designer para me tornar revendedor de café.

(Se o concurso fosse de refrigerante, talvez eu pensasse no caso. Tem uma escola bem na frente da minha casa...)

5 de mai. de 2010

Um Glauco a mais nunca é demais

Os cartunistas de Santos, ao lado de colegas do interior e da capital paulista, estão homenageando Glauco na exposição "De Dona Marta a Geraldão - o legado de Glauco".

A mostra tem vinte desenhos, entre charges, ilustrações, tiras e caricaturas. Será na Gibiteca Municipal de Santos. Abre no próximo sábado, às quatro da tarde, e vai até 10 de junho.

Quem puder ir, está convidado. Meu desenho da mostra está ao lado. Para vê-lo maior, é só clicar na imagem.