Como tenho muita simpatia pela chamada cultura de massa, vou me limitar ao relato de certas ruindades vindas dela.
Vejam o Tiririca, por exemplo. Antes do fim do século passado, quando cantores de sucesso ainda vendiam milhões de discos, o clone do falecido Zacarias fez um disco independente no Nordeste e foi descoberto por um desses produtores com grande tino comercial (ou olho gordo para sucessos, dependendo do ponto de vista).Rapidamente, o ex-banguela lançou um CD com a inesquecível canção Florentina, um prodígio de concisão musical e agressão ao bom português (a língua, não o bigodudo dono do boteco da esquina).
Após seu sucesso efêmero, o palhaço estilo cirquinho de periferia emplacou uma carreira de humorista na televisão. Em suas performances, ri mais que o próprio espectador. Este, por sua vez, chora de saudade do Zacarias.
E o Roberto Justus? Não bastasse ele ser objeto de chacotas de noventa por cento dos humoristas nacionais, por causa da pose de bom moço somada à emoção de um manequim de vitrine, demitiu outros candidatos a bons moços e boas moças em plena arena televisiva, às vistas de uma seleta audiência. Provavelmente composta de ricos ou desempregados, dado o horário avançado do programa.Dando sequência aos atos inusitados fora do seu ambiente normal de trabalho, o publicitário gravou um CD como cantor, somente com clássicos da música internacional. Para repartir o pagamento de tamanho mico, chamou Afonso Nigro, ex-integrante do grupo Dominó, famosa boy band dos anos 80. Ter sobrevivido às unhadas e gritos de adolescentes enlouquecidas já torna Afonso um especialista em tarefas ingratas, como a produção do mais bem cuidado CD de cantor de churrascaria da atualidade.
Justus é ousado, sem sombra de dúvida. Mas ter lançado o CD por uma gravadora multinacional deve ajudá-la a se aproximar cada vez mais da bancarrota.
Daria para listar muitos outros toscos. Pena que levantar essa lebre provoque discussões acirradas e surras homéricas entre facções rivais, feito um clássico Palmeiras versus Corinthians, com direito a Ronaldo se arrastando pelo campo. Por via das dúvidas, melhor apitar o final da partida e colocar a lebre no chão. E zerar o estoque de metáforas, tão toscas quanto os personagens desta crônica.
(Caricaturas e texto: Érico San Juan)
























